Ainda estamos em meados de março e o ano já ganhou contornos apocalípticos. O ano de 2011 está com cara de fim de mundo. A convulsão social na Tunísia, Egito e Líbia, que rapidamente se alastra contra os governos totalitários no Norte da África e no Oriente Médio, as fortes chuvas que assolam o Brasil em mais um verão de tragédias e catástrofes, e a Tsunami no Japão, seguida de acidente nuclear de proporções ainda desconhecidas, exigem explicações que possam trazer um mínimo de estabilidade e segurança para todos quantos estarrecidos acompanham os noticiários diários.
As explicações para tamanha ebuliência de fenômenos sociais e especialmente cataclismos naturais devem dar um jeito de articular pelo menos três variáveis: a realidade de um mundo hostil, a vulnerabilidade da conduição humana e a ausência, distância ou omissão de um eventual ser superior ou mesmo Deus.
Desde tempos imemoriais a humanidade se debate para encontrar sentido – direção e significado – para fatos que ferem a mínima sensibilidade humana: afinal de contas, esse mundo faz sentido? E o que Deus, se é que existe, tem a ver com isso?
A pergunta a respeito do sentido do mundo, se o mundo faz sentido ou não, quer saber se a vida e seu emaranhado de fatos sociais e fenômenos naturais obedece a uma lógica aceitável à racionalidade humana. Perguntar se o mundo faz sentido implica desejar saber se podemos esperar que as coisas aconteçam segundo um critério moral e bom, ou se a vida segue seu curso indiferente aos princípios de justiça da consciência e do comportamento humanos. Quer saber se por trás das tragédias coletivas e dos infortúnios existe uma lógica que justifique todo o sofrimento humano. Em outras palavras, quem quer saber se o mundo faz sentido está em busca de uma explicação razoável para o Holocausto, a Tsunami e a morte violenta de uma criança.
MATRIZ DE POSSIBILIDADES
1. Deus existe e o mundo faz sentido
2. Deus não existe e o mundo faz sentido
3. Deus não existe e o mundo não faz sentido
4. Deus existe e o mundo não faz sentido
Correndo o risco de ser simplório, sugiro uma matriz de quatro possibilidades para que as duas perguntas, a respeito de Deus e do sentido do mundo, sejam respondidas. Observo que as tradições filosóficas e religiosas podem se encaixar, grosso modo, em pelo menos uma das possibilidades.
1. DEUS EXISTE E O MUNDO FAZ SENTIDO
Este paradigma teológico encontra sua maior expressão no século XVII, entre julho de 1643 e fevereiro de 1649, quando foi realizada na Abadia de Westminster, na cidade de Londres, a histórica Assembléia de Westminster, e surgiram a Confissão de Fé de Westminster, o Catecismo Maior de Westminster, e o Breve Catecismo de Westminster, provavelmente os mais célebres documentos de doutrina cristã reformada de todos os tempos.
Veja estes trechos do capítulo DOS ETERNOS DECRETOS DE DEUS da Confissão de Fé de Westminster:
Desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas.
Os decretos de Deus são o seu eterno propósito, segundo o conselho da sua vontade, pelo qual, para sua própria glória, Ele predestinou tudo o que acontece.
As obras da providência de Deus são a sua maneira muito santa, sábia e poderosa de preservar e governar todas as suas criaturas, e todas as ações delas.
As afirmações de Westminster, com suas raízes no pensamento de João Calvino (1509 – 1564), ainda hoje encontram espaço no ensino de muitos teólogos, como por exemplo Mark Talbot e Rick Warren. Veja o que disseram:
Deus determinou cada pequeno detalhe de nosso corpo. Ele deliberadamente escolheu sua raça, a cor de sua pele, seu cabelo e todas as outras características. Ele fez seu corpo sob medida, exatamente do jeito que queria. Uma vez que Deus o fez por um motivo, ele também decidiu o momento de seu nascimento e seu tempo de vida (…) escolhendo o momento exato de seu nascimento e de sua morte.
Deus também programou onde você nasceria e onde viveria para o propósito dele. O propósito de Deus levou em conta o erro humano e até mesmo o pecado.
[Rick Warren. Uma vida com propósitos. São Paulo: Editora Vida]
Nesse segundo estágio da minha chegada à compreensão de como Deus opera em nossas dificuldades e por meio delas, passei a notar que algumas coisas realmente más também são realmente boas, e que, como tais, esses males são de fato ordenados por Deus.
O que significa dizer que Deus ordena alguma coisa? Significa que ele desejou eternamente que aquilo se realizasse.
Vistas no seu todo, as Escrituras realmente asseveram, presumem ou implicam que Deus ordena todas as coisas, incluindo o mal natural e o mal moral.
O ensinamento bíblico é que Deus ordenou, desejou ou planejou todas as coisas que acontecem em nosso mundo desde antes da Criação. Deus é o agente primário – a causa primária, a última explicação – de tudo o que acontece.
Não nego nem por um momento quão difícil pode ser evitar responsabilizar Deus pelos males do mundo simplesmente porque ele ordena todas as coisas. De que maneira um Deus bondoso poderia ordenar o Holocausto? Como ele pode ordenar o abuso sexual até mesmo de uma única criança? Como ele poderia ordenar a morte lenta e dolorosa de alguém que amo? Contudo, como acontece com todas as outras doutrinas cristãs, o teste da verdade dessa doutrina ao é que a consideremos plausível ou atraente, mas que a encontremos nas Escrituras.
[Mark R. Talbot. Liberdade verdadeira: a liberdade que as Escrituras registram como digna de se possuir. In John Piper, Justin Taylor, Paul Helseth [editores]. Teísmo aberto: uma teologia além dos limites bíblicos. São Paulo: Editora Vida, 2006]
Considero as duas citações auto-explicativas. Seguindo a tradição calvinista (em minha opinião, exagerada e deturpada), os dois autores obedecem a uma lógica simples: Deus está no controle do mundo e da história, nada acontece em desacordo com sua vontade soberana, e portanto nenhum mal é gratuito quando visto da perspectiva dos seus propósitos e decretos eternos.
Aqueles que defendem esse ponto de vista acreditam que tudo quanto acontece tem uma razão para acontecer, e na verdade era inevitável que acontecesse, pois o mundo e a história são o desenrolar de uma vontade perfeita de Deus estabelecida desde antes da fundação do mundo. Acreditam que o mundo faz sentido, pois Deus é quem soberanamente lhe ordena, visando a um fim justo e bom. Como disse Talbot: Deus é o agente primário – a causa primária, a última explicação – de tudo o que acontece. O propósito eterno de Deus confere sentido ao mundo.
2. DEUS NÃO EXISTE E O MUNDO FAZ SENTIDO
Os que defendem essa segunda possibilidade se valem dos postulados da modernidade, a saber: a bondade intrínseca do homem, a supremacia da razão, a hegemonia da ciência e a promessa positivista da ordem e progresso. Deus não existe, afirmam, mas o homem é suficiente para decodificar os mistérios do funcionamento e ordenamento do universo, de modo que tudo pode ser administrado e manipulado para funcionar como deve. Isso vale para uma geladeira, um automóvel, o movimento das marés, as fases lunares, as estações climáticas e os ciclos da terra, e até mesmo pessoas e relacionamentos.
O mito moderno esvazia o mundo da presença divina e exalta a potência humana. Toda a esperança recai sobre os ombros das ciências e das ideologias. Como se Freud, Marx e Einstein, e alguns poucos outros, fossem elevados à categoria de divindades que salvariam a humanidade e o planeta de suas mazelas. Nada mais falso. O mundo faz sentido porque a racionalidade humana e o desenvolvimento científico, tecnológico e político–ideológico colocam tudo em seu devido lugar.
3. DEUS NÃO EXISTE E O MUNDO NÃO FAZ SENTIDO
A palavra usada para descrever a compreensão da completa ausência de sentido do mundo é niilismo. Afirma que o universo é indiferente a qualquer princípio moral. Os maus que conseguirem escapar dos tribunais humanos não sofrerão qualquer castigo por sua maldade, nem neste mundo nem em outro mundo, pois não existe um Deus ou qualquer lei metafísica que estabeleça critério de justiça para o mundo: não existe danação eterna no inferno nem reencarnação com peso cármico neativo. Aqui se faz e aqui se paga, e quem escapar de pagar aqui deu sorte, muita sorte.
Nas palavras de Shakespeare, Macbeth, “a vida é breve como uma vela, cuja esperança está sempre no amanhã, mas na verdade não passa de um conto narrado por um idiota, que ao final das contas não significa nada”. Tudo quanto temos é essa vida e nada mais. O mundo não faz o menor sentido, a vida é uma piada de mal gosto.
O resultado dessa postura é o que a filosofia chama de hedonismo – o prazer como critério ético, e que a Bíblia resume na expressão dos cínicos: “comamos e bebamos, que amanhã morreremos”. Uma vez que tudo quanto temos está aqui, o melhor a fazer é aproveitar ao máximo cada possibilidade de prazer e satisfação.
Além apegoa ao prazer, ainda que efêmero, resta o desespero diante da indiferença do mundo e da vida. Como disse o filósofo Albert Camus, o homem vive a tensão permanente entre seu desejo de durar e seu destino de morte, “lançado sobre uma terra cujo esplendor e cuja luz lhe falam sem trégua de um Deus que não existe”. Daí sua observação de que “só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio”. Camus vai concluir que a sina humana é conviver em perene estranhamento com o absurdo da vida: “o absurdo só tem sentido na medida em que não consentimos nele”. Nem o suicídio real, nem o suicídio filosófico redimem a vida humana. O primeiro porque não resolve o absurdo, e o segundo porque se reconcilia com ele, o que é impossível.
Em suma, a afirmação Deus não existe e o mundo não faz sentido diz que não deve esperar qualquer lógica ou critério de justiça no desenrolar da vida.
4. DEUS EXISTE E O MUNDO NÃO FAZ SENTIDO
Das quatro possibilidades, penso que a primeira: Deus existe e o mundo faz sentido, apresenta um Deus muito parecido com o diabo, disposto a sacrificar a vida humana, ou mesmo centenas e milhares de vidas humanas, apenas para fazer uma demonstração cósmica de que está com a razão, satisfazer seus caprichos egocêntricos e afirmar seu controle sobre tudo e todos. É um Deus pequeno, com problemas sérios de auto-imagem, que desconhece as categorias dos relacionamentos de amor, que exigem sempre a contra-partida da liberdade. Um Deus que não pode ser contrariado e precisa desesperadamente do divã. Mas, sendo Deus, nem Freud explica. Não bastasse tudo isso, creio que o “Deus causa primária, explicação última de tudo quanto acontece” não é encontrado nas páginas da Bíblia Sagrada e não tem qualquer ponto de conexão com o Abba de Jesus de Nazaré.
A segunda possibilidade de resposta ao dilema das tragédias sociais e naturais: Deus não existe e o mundo faz sentido, implica uma substituição de divindades: sai o Deus da tradição judaico-cristã e entra em cena a racionalidade humana. Cumprem-se a profecia de Chesterton e a observação de Luiz Felipe Pondé: “quando se deixa de acreditar em Deus, passa-se a acreditar em qualquer besteira: na Natureza, na História, na Ciência, na Dinamarca, em Si Mesmo”.
A terceira possibilidade: Deus não existe e o mundo não faz sentido, não me satisfaz, pois, embora traga comigo e nos porões da minha alma o senso de desamparo e um a profunda simpatia pela tradição filosófica do trágico, sou um seguidor de Jesus de Nazaré, aquele mesmo que sofreu o mais horrendo absurdo, desde a injustiça mais escandalosa passando pelo mais cruel abandono divino, e não se perdeu nas trevas do vazio de sentido, refugiado que estava na consciência do amor do seu Abba celestial.
Tenho apenas uma última alternativa de opção na matriz das quatro possibiliaddes: Deus existe e o mundo não faz sentido. Assim creio, e não estou sozinho. Pelo menos desde o Eclesiastes, o Qoelét (o pregador, aquele que fala na assembléia), ando em boa companhia.
A tradição de intérpretes e historiadores bíblicos considera a possibilidade de que o livro do Eclesiastes tenha sido escrito por Salomão, já em sua velhice. Na juventude, escreve o Cântico dos Cânticos, para exaltar o amor romântico e o prazer conjugal. Na meia idade, ocupado em empreender e fazer a vida funcionar, escreve os Provérbios, com sua ênfase em sabedoria pragmática. Mas no fim da vida, expressa toda a experiência de um homem que se aplicou a buscar “saber o que valesse a pena, debaixo do céu, nos poucos dias da vida humana” [2.3] e simplifica sua conclusão célebre expressão do Eclesiastes: Vaidade de vaidades, tudo é vaidade!, ou então: Que grande inutilidade! Que grande inutilidade!, diz o Mestre. Nada faz sentido! Tudo sem sentido! Sem sentido!, diz o mestre. Nada faz sentido! Nada faz sentido! [1.2; 12.8].
Não foi sem razão que o Qoelét afirmou o non sense do mundo e da vida. Ao longo dos seus dias teve a coragem rodriguiana de olhar para a vida como a vida é, sem rodeios e subterfúgios. Seu livro inclui uma lista de fatos absurdos:
Então pensei comigo mesmo: O que acontece ao tolo também me acontecerá. Que proveito eu tive em ser sábio? Então eu disse no meu íntimo: Isso não faz o menor sentido! [2.15]
Nesta vida sem sentido eu já vi de tudo: um justo que morreu apesar da sua justiça, e um ímpio que teve vida longa apesar da sua impiedade. [7.15]
Refleti nisso tudo e cheguei à conclusão de que os justos e os sábios, e aquilo que eles fazem, estão nas mãos de Deus. O que os espera, se amor ou ódio, ninguém sabe. Todos partilham um destino comum: o justo e o ímpio, o bom e o mau, o puro e o impuro, o que oferece sacrifícios e o que não oferece. O que acontece com o homem bom, acontece com o pecador; o que acontece com quem faz juramentos, acontece com quem teme fazê-los. [9.1,2]
Diante deste quadro em que a tragédia e o infortunio estão distribuídos sem levar em conta os méritos e deméritos de suas vítimas, Salomão se dá conta que habita um mundo onde os sábios, os justos e os piedosos não têm quaisquer garantias em termos de proteções especiais contra o sofrimento. O Qoelét percebe que os fatos e fenômenos do mundo convivem com uma boa dose de aleatoriedade e contingência.
A aleatoriedade indica a ausência de padrões determinísticos nos eventos e acontecimentos. Isso significa que na vida mesmo a lei da semeadura e da ceifa (Gênesis 8.22) obedece muito mais às probabilidades do que às certezas: é mais provável que uma pessoa que zela pela prudência e se conduz com sabedoria tenha melhores resultados em sua caminhada, mas isso não é uma certeza absoluta: um justo que morreu apesar da sua justiça, e um ímpio que teve vida longa apesar da sua impiedade. Já a contingência se aplica àquilo que não é necessário, que não se refere à essência ou natureza das coisas. Por exemplo, caso o tronco seja cortado, é natural e necessário que árvore caia ao chão e, dependendo da inclinação do corte, sabemos se cairá para a esquerda ou direita. Mas, conforme observou Salomão, caso a árvore seja atingida por um raio, não saberemos para que lado cairá. O resultado da queda da árvore atingida pelo raio é contingente: Quando as nuvens estão cheias de água, derramam chuva sobre a terra. Quer uma árvore caia para o sul quer para o norte, no lugar em que cair ficará [11.3]. A contingência diz que a árvore pode cair para qualquer lado, pois a queda da árvore não obedece qualquer padrão determinístico, isto é, o resultado é contingente e aleatório.
Alguém poderia objetar que existe sim um propósito por trás dos eventos e acontecimentos, que aos nossos olhos são aleatórios e contingentes, mas aos olhos de Deus são determinados por uma necessidade justificada pelo seu propósito eterno. É verdade, é possível que a mão de Deus faça a árvore cair para o norte ou sul, e que isso atenda a um desejo ou vontade de Deus definidos desde antes da fundação do mundo, pois não podemos nem devemos ficar dizendo que Deus pode isso e não pode aquilo. Mas a verdade é que aos nossos olhos, sempre será impossível saber se o resultado foi aleatório, contingente ou ordenado por Deus.
A realidade está bem distante e é muito profunda; quem pode descobri-la? [7.24]
Ninguém é capaz de entender o que se faz debaixo do sol. Por mais que se esforce para descobrir o sentido das coisas, o homem não o encontrará. O sábio pode até afirmar que entende, mas, na realidade não o consegue encontrar. [8.16]
Interpretar fatos históricos (como a Tsunami do Japão) e eventos do cotidiano (como um estúpido acidente de automóvel com vítimas fatais) para tentar fazer encaixar a realidade da vida em nossa lógica que busca preservar o senso de um Deus bom e justo e o sentido de um mundo hostil é uma tarefa impossível. É isso o que a Bíblia ensina:
Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o SENHOR. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos. [Isaías 55.8,9]
O profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Porque quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro?
[Romanos 11.33,34]
NÃO CONFUNDA AS COISAS
O consenso histórico da teologia sistemática está organizado didaticamente descrevendo Deus como onipotente (todo poder), onisciente (todo saber), e onipresente (todo estar). Não há muito o que discutir a respeito, pois qualquer coisa que se diga a respeito de Deus tende ao absoluto, e qualquer que seja o significado disso, Deus é mesmo oni-tudo.
Isso quer dizer, e assim creio, que Deus jamais é surpreendido por algum fato, fenômeno ou evento. Não quero entrar na discussão filosófica a respeito de “o futuro não existe para ser conhecido” nem da proposição de Santo Agostinho que diz que Deus vive no “eterno agora”. Basta que eu diga que acredito que Deus conhece passado, presente e futuro, pois a Bíblia oferece inúmeros exemplos de tal conhecimento: as profecias não apenas apontam o que Deus pretendia fazer no futuro, mas indicam que Deus sabia onde a história estaria no futuro para que pretendesse fazer alguma coisa. Concordo com Ariovaldo Ramos:
Deus não precisa ab-rogar sua sabedoria sobre o futuro para viver intensamente a história, pois Cristo sabia que Lázaro ressuscitaria e, mesmo assim, chorou [...] se Deus nada sabe, como pode decretar, uma vez que os fatos não caem de pára-quedas sobre a história, senão como corolário de um sem número de movimentos? Para decretar algo na história é preciso saber onde a história estará em determinado momento, uma vez que decretar é impor uma das variantes possíveis.
Acredito também que Deus não abriu mão de sua soberania e da prerrogativa de agir e interferir no mundo e na história, e justamente por isso, acho absurda a ideia de que o universo e a trama da vida humana estão entregues ao acaso e às contingências. O mundo e a história não estão à deriva.
Mas igualmente considero absolutamente sem sentido e sem fundamentação bíblica a afirmação de que Deus é a causa primeira e explicação última de tudo quanto acontece, ou que tudo quanto acontece atende a um propósito específico de Deus, definido antes da fundação do mundo, e portanto não apenas era inevitável que acontecesse como também aconteceu mediante uma intervenção direta de Deus.
O que acredito é que não é possível à razão humana discernir o que acontece por trás dessa cortina “soberania de Deus / propósito eterno de Deus / contingência do mundo”: a realidade é muito profunda e distante; os pensamentos de Deus são muito elevados e distantes dos nossos pensamentos; os caminhos de Deus são insondáveis e inescrutáveis”.
A questão é que apesar de ser verdadeira a afirmação de que, por definição, Deus é oni-tudo: onipotente, onisciente e onipresente, na prática isso quer dizer muito pouca coisa. Vivemos em um ponto cego a respeito do que Deus faz ou deixa de fazer, e também a respeito das reais causas dos fenômenos do mundo e fatos da vida e da história. No máximo, conseguimos ver a mão de Deus quando olhamos para o passado, e muito remoto, mas jamais no tempo presente, enquanto as coisas se desenrolam e a vida segue seu curso.
VIVENDO ENTRE A SOBERANIA DE DEUS E A CONTINGÊNCIA DO MUNDO
Como viver em um mundo onde a providência e a soberania de Deus se misturam com as aleatoriedades e as contingências? Ofereço duas respostas. A primeira, na verdade, é do Eclesiastes: viva no temor do Senhor.
Em meio a tantos sonhos, absurdos e conversas inúteis, tenha temor de Deus. [5.7]
Agora que já se ouviu tudo, aqui está a conclusão: Tema a Deus e guarde os seus mandamentos, pois isso é o essencial para o homem. Pois Deus trará a julgamento tudo o que foi feito, inclusive tudo o que está escondido, seja bom, seja mal. [12.13,14]
Das muitas possibilidades de interpretação do temor do Senhor, opto pelas mais simples: reverência, zelo, cuidado para com as realidades sagradas, isto é, explicitamente relacionadas a Deus e ao divino. O temor do Senhor é uma postura de quem leva a vida a sério, pois a recebe como graça divina. É uma espécie de senso de responsabilidade presente na consciência de quem sabe estar diante de Deus, e que, portanto, deve responder com maravilhamento e gratidão por todos e cada um dos seus atos. Encaro a recomendação de andar no temor do Senhor como uma sugestãlo para que eu pare de me ocupar e preocupar com o que está por trás da cortina “soberania de Deus / propósito eterno de Deus / contingência do mundo”, isto é, aquilo que eu não sei e que está distante ou mesmo impossível à minha razão, e passe a me ocupar mais com aquilo que eu sei e por isso mesmo deve determinar minhas crenças, valores e estilo de vida.
Por exemplo, não sei o que se esconde por trás de uma tragédia como a que vitimou centenas e milhares de pessoas nas regiões afetadas pelas chuvas neste verão no Brasil, mas sei que devo pedir a Deus em favor de todas as pessoas que sofrem e devo também me comprometer com as ações de compaixão e solidariedade. Andar no temor do Senhor não arriscar interpretar os fatos e emitir juízos a respeito do sofrimento humano, ao mesmo tempo em que me ofereço para atenuar as dores do maior número possível de pessoas. A resposta bíblica ao sofrimento não é mágica, nem tampouco filosófica e ou teológica, mas prática e ética. Enquanto os gregos discutiam a essência do ser, os hebreus debatiam a justiça e o cuidado dos órfãos e das viúvas.
O jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e romper todo jugo? Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado, vestir o nu que você encontrou, e não recusar ajuda ao próximo? [Isaías 58.6,7]
A religião que Deus, o nosso Pai aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo. [Tiago 1.27]
A segunda sugestão de resposta para qeum deseja viver de maneira saudável num mundo onde a providência e a soberania de Deus se misturam com as aleatoriedades e as contingências é olhar para os fatos e fenômenos da existência através das lentes do caráter de Deus, e não dos seus insondáveis propósitos.
A Bíblia diz e Jesus assim revela que Deus é amor. Nas palavras de François Varillon, Deus não é um “poder que ama”, mas sim “um amor todo-poderoso”. Nas palavras de Ariovaldo Ramos, quando entendemos que Deus é um amor todo poderosos, passamos a crer e compreender que Deus abre mão de fazer tudo o que pode e escolhe fazer tudo o que deve. Mais precisamente, Deus escolhe fazer tudo o que o amor deve fazer.
Paulo, apóstolo, ensina que Deus não cativa pelo poder, mas pelo amor: “o amor de Cristo nos constrange a viver para ele” [2Coríntios 5.14]. A maneira como Deus escolheu ter consigo as suas criaturas, especialmente as que chama filhos e filhas, não é impondo sobre elas seu todo-poder, e muito menos decretando todos os eventos e fatos de suas vidas à luz de um propósito imutável e irrevogável estabelecido desde antes da fundação do mundo à título de expressão de sua autoridade e soberania. Deus nos chama a todos para uma relação de amor, o que exige necessariamente que abra mão de todo o controle. Como bem disse o teólogo Jung Mo Sung, o Deus da Bíblia não é o Deus da ordem e do controle, pois o amor instala, ou, no mínimo, abre espaço e a possibilidade do caos. Onde há liberdade, não existe necessariamente ordem. Mas somente onde há liberdade pode existir o amor.
A relação amor e liberdade explica aquele que é talvez o maior dos escândalos a respeito do Deus da Bíblia e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo: ele pode ser contrariado; assume que nem tudo no universo, no mundo e na história acontece conforme sua vontade, e justamente por isso, e somente por isso é que sofre. Sofre por nossa causa, sofre consoco e sofre por nós, em nosso lugar. Essa é a razão das lágrimas de Jesus às portas de Jerusalém: Deus é amor.
Jerusalém, Jerusalém, você, que mata os profetas e apedrejas os que lhe são enviados! Quantas vezes eu quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das suas asas, mas vocês não quiseram! [Lucas 13.34]
Quando se aproximou e viu a cidade (de jerusalém), Jesus chorou sobre ela, e disse: Se você compreendesse neste dia, sim, você também, o que traz a paz! Mas agora isso está oculto aos seus olhos. [Lucas 19.41,42]
O DEUS PODEROSAMENTE FRACO
O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo é um Deus que não parece Deus. É um Deus que o teólogo francês Etienne Babut chama de poderosamente fraco”, pois se revela ao mundo por meio de um projeto propositadamente alheio à dominação e sobretudo à onipotência. Sua proposta contesta com determinação as relações de força e poder na organização da vida: Deus é amor. O poder de Deus é um subproduto do Seu amor, pois é o Seu amor que cria aquilo que poder nenhum consegue criar: uma família. O poder produz reinos de escravos. Somente o amor produz um Reino de filhos.












39 Comentários
Pastor, parabéns pelo Texto… mto bom..
O grande problema é que quase não dá para perceber sua definição (posicionamento) acerca de Deus, ou seja, “olha Deus está no controle sim, embora nãos saibamos como isso funciona. E ao mesmo tempo, ah Deus é Amor e essa é a maior premissa acerca dele em relação a suas criaturas…”
Na ânsia de ter a melhor definição do ser de Deus, é que muitos caíram em descrétido!
Não chute o balde…
Deus abencoe
Ler um texto desse agora que estou iniciando meu curso de filosofia é uma grande dadiva. A uma certeza de que Deus existe em meu coração, mas a uma dúvida cruel do por que de tantas coisas. E confesso que esse texto não me dá respostas, mas me aponta um caminho. Gosto muito dos textos Do Rene e admiro muito a sinceridade para com Deus e sua palavra. Obrigado por esse rico e precioso tesouro.
Pr Ed René, diante de tudo que o irmão postou – e não foi pouco – no caso do acidente aéreo em que sobreviveu uma única garota de 14 anos (http://noticias.uol.com.br/ultnot/internacional/2009/06/30/ult1859u1165.jhtm), devemos agradecer a quem, às contingência aleatórias ou a Deus que “usa de misericórdia a quem quer”?
Até mais, Marcos.
Seu texto, meu querido, eh de uma profunda riqueza, com um olhar transparente e profundo sobre um tema tão questionado e discutido por várias pessoas… Fui mt edificada, e lerei mais uma vez, e como sempre faço com seus textos, compartilharei com vários pensadores do reino… God bless you!!!
Trocando em miúdos todo este esboço sobre 4 probabilidades de sentido/não-sentido da vida em relação com a divindade (lembrando que poderíamos abrir este leque para outras possiblidades, pois a discussão partiu de uma visão mono-teísta). Você, Ed, escolheu por uma das opções e admitiu que esta sua opção não possui explicação “lógica”, muito menos seu próprio ato de escolher ela (a não ser que ela seja uma forma inconsciente ou subjetiva de conforto pessoal, ou seja, ou não ter explicação de confortaria mais do que ter uma explicação como as demais.
Bom… significa que realmente é uma visão embebecida do trágico grego, q
Na verdade, até onde conheço, o Pr. Rick Warren é arminiano e não calvinista.
Tenho acompanhado a atual série de mensagens da Saddleback (“Década do Destino”) e o ensinado é que não há um destino pré-definido e sim que escolhemos nosso destino.
Sendo assim, os propósitos de Deus, grandemente enfatizados pelo Pr Rick, são Sua “boa, agradável e perfeita vontade”, à qual nem sempre é vivida por nós, devido às nossas más escolhas.
Mandou bem. Ótima reflexão para tranquilizar corações aflitos com o que vimos em 2011 (ainda estamos em março…).
Também, ajuda a fortalecer a idéia de que não dá para aceitar o “destino” pregado nos púlpitos do planeta.
Valeu.
Um bom texto.Acredito que nunca seremos capazes de dar respostas exatas sobre Deus, por isso mesmo gostei do texto, pois acredito que a proposta não foi de nos dar uma resposta “certa” mas sim de nos direcionar ao que realmente importa “Enquanto os gregos discutiam a essência do ser, os hebreus debatiam a justiça e o cuidado dos órfãos e das viúvas.” Há no mundo necessidades que independem de certos conceitos mas uma atitude de amor pode aliviar uma dor.
Glórias ao Senhor Jesus por esse texto maravilhoso que Ele produziu por meio da sua vida, Ed.
Gostei muito da parte acerca do temor de Deus como fundamento para não tentarmos descortinar o que a Bíblia reiteradamente nos diz que está acima da razão humana, e se concentra mais no caráter de Deus e na resposta prática e ética que seus filhos devem dar ao sofrimento humano.
Que o Espírito Santo continue sustentando sua vida e o capacitando para produzir frutos benignos ao Reino de Deus.
Um abraço!
Ed é uma pena que vc não estuda a teologia reformada com o mesmo afinco que vc estuda, teologia judaica, teismo aberto, filosofia.
Vejo que vc tem dificuldade de lidar com os paradoxos Amor e Ira de Deus.
Rm. 1.18 Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.
Deus é amor, mas quem criou o inferno?
Deus é amor, mas quem enviou o diluviu e matou mulheres gravidas e crianças?
Por que um Deus de amor manda pessoas para o inferno? a resposta é que Ele não manda pessoas ele manda pecadores culpados.
o salario do pecado é a morte, todos pecaram, logo todos merecem a morte…
Amor é um atributo isso quer dizer que o amor sempre existiu em Deus e sempre vai existir.
Se Deus destruisse toda a humanidade Ele seria justo e continuaria sendo amor.
O duro é que a maioria das pessoas gosta deste tipo de discuso que vc faz Ed porque o humanismo esta impreguinado nelas.
Eu não duvido que daqui em pouco tempo vc vai vir com a ideia de que todos serão salvos (universalismo)… e de que o inferno não existe.
Cuidado Ed, um conselho… Estude a teologia reformada, vc mesmo disse que não existe nada novo… são dois mil anos de teologia que vc esta jogando no lixo despresando os pais da igreja, os reformadores e os puritanos. Todos eles estavam errados e vc está certo?
O maior questionamento do ser humano é:
Se Deus existe, porque há tanto sofrimento?
Vou dizer algo: Quem disse que essas duas coisas estão relacionadas?
Em I Co 13 Paulo diz que o amor é sofredor, tudo suporta.. e em I Jo diz que Deus é o próprio amor, ou seja, Deus é sofredor, tudo suporta, a sua natureza é essa… tanto que deu o seu filho, sofreu em nosso lugar.
Outro ponto:
Nós, no nosso corpo físico sentimos dor para que algo pior não aconteceça conosco. Por exemplo, quando nos aproximamos do fogo, sentimos quente, e se tentarmos por a mão, nos queimamos e sentimos muita dor, isso é BOM porque se não sentissemos dor, queimariamos até a morte.
Sentimos dor, quando nosso organismo está afetado por um virus. Para que? Para que possamos ser medicados e estarmos atentos que algo no nosso corpo está errado, e para tomarmos as precauções cabíveis, se não morreriamos.
Ou seja…
Tudo isso o que está acontecendo no mundo é necessário como um aviso que algo está errado, e uma atitude precisa ser feita, dor é bom… e isso como ser humanos nós não entendemos…. se não houvesse dor, morremos, e é isso o que vai acontecer conosco se não tomarmos precauções nas nossas nações.
Precisamos enxergar o Deus verdadeiro e não o que se maqueia por aí…
*** A criação geme pela manifestação dos filhos de Deus***
*** Deus procura por verdadeiros adoradores que o adorem em ESPIRITO e em VERDADE***
Ed, Excelente e desolador texto. A incapacidade humana de definir padrões racionais no comportamento de D-eus é evidente.O Caos determinístico da teoria do caos já definiu bem isso: Há eventos determinados por leis bem definidas(D-eus),mas apresentam uma grande sensibilidade a perturbações e erros,levando a fatos aleatórios,ou,consequências aleatórias da interação de eventos. Não acho o discurso humanista,pelo contrário, pois o mesmo reconhece nossa limitação acerca da sapiência de DEus-pai.Isso não é teísmo aberto,nem um anti-teologia reformada,é uma concepção nada trivial e formalizada do que é a vida e seu sentido divino-existencial.A sapiência do Filho não o tomou a capacidade de chorar por um evento conhecido,aleatorizou-se o que seria racional. Queria que o pr. respondesse a pergunta: O Ser humano maximizador de satisfações não usa D-eus para seu propósito? Assim,há onisciência nisso? na manipulação desse “propósito sagrado” em torno de meu Chronos?
Deus abençoe,
Thales Garcia (Mestrando economia)
Se vcs querem ver uma 2ª opinião que tenha uma forte argumentação contra ao que Ed escreveu vejam este artigo, isto vale pra vc também Ed. Nada pessoal…
http://www.cheung.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2:o-problema-do-mal&catid=1:artigos&Itemid=3
Olá Fernando, é complicado reconhecer que não tenho resposta pra muita coisa. Deus é Deus e nós, criaturas dele. Com isto, persiste a sensação de “vácuo”. Só há um Absoluto. Escuto, leio e oro pedindo sabedoria para alimentar minha mente, alma e o meu coração apenas com o que me aproxime de Deus e me faça cada dia mais parecida com Jesus e sei que sou ouvida. O filho de Deus surpreendeu a todos com suas atitudes e foi confundido pelos “experts” como alguém que veio contrariar a lei. Penso que devemos cuidar para não sermos os próximos a fazer isto.
Em amor,
Claudia.
Ed, Excelente e desolador texto. A incapacidade humana de definir padrões racionais no comportamento de D-eus é evidente.O Caos determinístico da teoria do caos já definiu bem isso: Há eventos determinados por leis bem definidas(D-eus),mas apresentam uma grande sensibilidade a perturbações e erros,levando a fatos aleatórios,ou,consequências aleatórias da interação de eventos. Não acho o discurso humanista,pelo contrário, pois o mesmo reconhece nossa limitação acerca da sapiência de DEus-pai.Isso não é teísmo aberto,nem um anti-teologia reformada,é uma concepção nada trivial e formalizada do que é a vida e seu sentido divino-existencial.A sapiência do Filho não o tomou a capacidade de chorar por um evento conhecido,aleatorizou-se o que seria racional. Queria que o pr. respondesse a pergunta: O Ser humano maximizador de satisfações não usa D-eus para seu propósito? Assim,há onisciência nisso? na manipulação desse “propósito sagrado” em torno de meu Chronos?
Deus abençoe,
Thales Garcia (Mestrando economia)
Eu entendo que estas tragédias.. são benignas.. pois colocam todos em um mesmo patamar.. aquele visinho q nunca conversou.. hj você fala
De certa forma onde há tragédia ocorre o amor..
ocorre a solidariedade, quebra barreiras sociais e fortalece a alma e a fé das pessoas
li em algum lugar que pessoas com fé tem mais chances de sobreviverem a grandes tragédias
A provação humana pode liberar seu maior mal.. mas qndo vc repara o que acontece nesses casos se ve que o que ocorre é uma corrente do bem..
Digo por mim que encontrei a minha fé qndo perdi meus 2 melhores amigos..
BOA NOITE A TODOS
RESPEITO A OPINIÃO DE TODOS, OBVIAMENTE, APENAS COMO OPINIÃO. O UNICO QUE TEM OU TERIA AUTORIDADE PARA MANIFESTAR A CERCA DO ASSUNTO, É JESUS. POR ISSO, ACHO QUE OS VERDADEIROS SEGUIDORES DE CRISTO, DEVIAM FOCAR SUAS VIDAS MAIS NA PRATICA DOS SEUS ENSINAMENTOS, COMO SERVIR AO PRÓXIMO.
RENATO
Parabéns Pr. Ed. belo texto. Bem fundamentado e coerente. Sou tendencioso a compartilhar de sua conclusão, talvez com algumas ressalvas, as quais, entendo não ser oportuno destacar neste espaço. Entretanto, uma reflexão sinto que posso consignar. De fato, como disse, acato, por ora, a falta de sentido do mundo, que, por vezes, termina por dar ensejo às tragédias e infortúnios que assolam a humanidade. Diante de tais casos fortuítos, podemos afirmar: “Não há determinismo divino nestas coisas”. Entretanto, se aceitarmos este posicionamento, virá, fatalmente, o questionamento: “Então, há determinismo nas “bem aventuranças” que sobrevêem à humanidade?”. Até que ponto que podemos considerar que as coisas boas que nos acontecem foi Deus quem diligenciou? Se oramos antes de sair de casasa pela manhã à procura de um emprego e arrumamos o emprego desejado, como podemos ter certeza que foi Deus quem nos concedeu essa graça? Evidentemente, nossa fé dirá isso {estamos falando de dogmas, logo, assim considerado, talvez sequer caiba tal discussão – digo isso já afirmando que não teria problema nenhum em afirmar que foi Deus quem me abençoou). Entretanto, a discussão é um pouco mais vertical. Questiono se antes de afirmar isso apenas com base na fé [que já poderia ser considerado suficiente], até que ponto posso afirmar isso como se fosse verdade? Posso ter uma convicção, além da fé, que respalde esse posicionamento? Porque, analisando-se os “dois lados da moeda”, podemos considerar que Deus é “responsável” por um e não pelo outro?
Imagino que para tais questionamentos não caberia respostas do tipo: “pq Deus é bom e pto.”. Mas… se essa for a resposta… não teria nenhum desconforto em aceitá-la… rs… Deus abençoe a todos e que possa iluminar a cada um da forma que entender pertinente.
Sds… Leonardo.
Oi Ed, acabei de ler o artigo “O problema do mal”, do teólogo Vincent Cheung, que foi sugerido em um comentário contrário ao seu artigo lá no blog. Depois o ler o texto, acabei ficando com algumas dúvidas sobre o assunto.
Se vc tiver a oportunidade de ler, poderia em algum momento postar no blog sua percepção das teses trazidas nesse artigo pelo Sr Cheung, em comparação com o seu artigo acima referenciado?
Um abraço!
Pra mim, basta um Chico e o seu Oráculo bestial. Saúde a todos o Kivitz de março.
Basta Um Dia
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque
Pra mim
Basta um dia
Não mais que um dia
Um meio dia
Me dá
Só um dia
E eu faço desatar
A minha fantasia
Só um
Belo dia
Pois se jura, se esconjura
Se ama e se tortura
Se tritura, se atura e se cura
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia
Só um
Santo dia
Pois se beija, se maltrata
Se como e se mata
Se arremata, se acata e se trata
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia, viu
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia…
Amplexos!
Neri
Ora pastor Ed, se sabemos ou não, se Deus está no controle….sabemos sim que o mundo está a cada dia se afastando de Deus,percebo que alguns sinais são bem claro (do afastamento das pessoas de Deus), ora tudo que se refere a Deus nos dias de hoje (há excessões) temos jargões e títulos, como:ser Evangélico é grife, musica gospel é sinônimo de dinheiro e lucro financeiro, ser pastor televisivo é ter status social carrões e aviões, se o próprio povo que se diz de Deus andam nesse pé, o que diria o restante do mundo mundo todo.Outra verdade é que sempre queremos buscar um culpado dos acontecimentos.E digo mais algumas pessoas culpam até mesmo Deus.Tá na hora do povo de Deus acordar, tirar a trave dos próprios olhos e começar a viver um evangelho verdadeiro, não se preocupando com o dia do amanhã (que pertence a Deus),pois sabemos que na própria palavra já diz qual o destino do mundo, e qual o rumo que o mundo vai tomar.Nós como cristãos temos que começar a viver a vida de Cristo e tirar de nossas vidas nos dias de hoje o: imediatismo, o consumo desesperado (eu tenho que ter isso, aquilo e tudo mais) o mundo nos dias de hoje nos ensina isso, consumir,consumir e consumir.Quando Cristo nos ensina, a nos desprender, desprender das coisas do mundo.E como a palavra diz, o mundo jaz do maligno, mas nós também sabemos qual o fim dele, e esperamos que os cristãos verdadeiros não estejam nesse meio…..Bom a verdade é que Deus está no controle de tudo (Shalom Elohim)
Excelente. Na minha opinião a única probabilidade que não faz (e nunca fez) sentido algum é o calvinismo determinístico.
Caro Pastor Ed,
Excelente reflexão para este início de 2011. No entanto, acredito que alguns leram este texto muito rapidamente ou, até mesmo, sem dar a devida atenção. Se Deus está no controle? Sim, é claro que está! Porém este assunto é para um outro texto, uma outra reflexão, pois neste é tratado da existência de Deus e de um mundo sem sentido aos olhos limitados do homem que desde sempre busca suas próprias respostas.
Um grande abraço.
Deus é conhecedor do bem é do mal,
existem estas duas forças, é sabido, e Ele na sua sabedoria sabe como usa-las, e sabe o proveito de cada uma delas, e as domina, claro, entretanto , sabe as características de cada uma , o mal é autodestrutivo, o bem se propaga… Deus mostra estas características, e o mundo se encarrega em demonstra-la pois caminhamos para nossa própria destruiçao, nos finalmentes, após tudo isso, viveremos em glória com Ele (seguindo o Seu plano de salvação em Jesus) cientes da existência dessas duas forças e as suas características, este mundo é tb um aprendizado, não seremos robos após esta vida mas saberemos muito bem nos afastar dessa força (mal) que existe e continuará a existir embora sempre subjugada.
Corrijam-me se estiver errado.
Abçs
Se vcs querem ver uma 2ª opinião que tenha uma forte argumentação contra ao que Ed escreveu vejam este artigo, isto vale pra vc também Ed. Nada pessoal…
http://www.cheung.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2:o-problema-do-mal&catid=1:artigos&Itemid=3
Caro Ed,
você se recorda da poeira que foi levantada pelo texto de Gondim em decorrência do tsunami de 2004, tão firmemente contestada por Pasquini? Ao ler seu texto, senti o mesmo cheiro: teísmo aberto.
Todavia, seu texto foi bem melhor escrito e por isso também, eu diria que mais perigoso.
Em primeiro lugar você não parece compreender fielmente o argumento de Eclesiastes, bem como a maioria de seus leitores. Por usar Eclesiastes equivocadamente, seus argumentos não são genuinamente bíblicos. Imagino que muitos de seus leitores não se deram conta disso.
Em segundo lugar, fica claro que alguém que diz: “A questão é que apesar de ser verdadeira a afirmação de que, por definição, Deus é oni-tudo: onipotente, onisciente e onipresente, na prática isso quer dizer muito pouca coisa” caminha muito melhor no humanismo do que nas Escrituras. Isso não é unicamente minha percepção.
Minha oração é que para você exerça positivamente sua influência no meio cristão para levar crentes à genuína santidade e incrédulos ao genuíno Evangelho.
Concordo com o T. Zambelli acima. Eclesiastes não é a resposta final de que nada faz sentido nessa vida. Mas é a resultado das observações de “Qohelet” do que acontece nessa vida sob a ótica humana. Para cada implicação da sabedoria (aqui dita pragmática) de Provérbios, há uma exceção – de mesma autoridade e peso. Sabedoria é a habilidade de viver a vida no mundo criado por Deus debaixo da ordem de Deus. Eclesiastes mostra que os justos sofrem, coisas não fazem sentido para os homens… mas não declara que elas não têm sentido para Deus! Jó também é um livro de sabedoria que precisa ser incluído nessa discussão acima – que se mostra incompleta.
Não há esperança para os que acreditam que Deus nos deixa ao acaso…
Texto bem escrito, como sempre.
Meu problema com ele começa ao afirmar que a ótica calvinista apresenta que Deus existe e o mundo faz sentido, mas não indaga pra quem é que faz sentido? Para Deus? Ou para os homens? O calvinismo, conforme citado nos textos acima, nunca diz que o mundo faz sentido para os homens. Afinal, “quem dentre nós conheceu a mente de Senhor? Quem é que sabe o suficiente para ser seu conselheiro?”
O grande erro dos teólogos do passado e do presente é querer entender Deus à parte da revelação e não deixar Deus ser Deus.
O paradoxo do Deus que se revela por meio das Escrituras e em Jesus de Nazaré é que Ele é tanto Poder quanto Amor. E nós somos chamados para uma relação com ele que é tanto de doulos (escravos) quanto filhos e amigos. Qualquer leitura das Escrituras que negligencie isto está fadada ao erro.
A resposta pastoral à calamidade não deveria, nunca, negar a Soberania de Deus, mas sim curvar-se diante dela como fez Jó e fazer o melhor possível para consolar e auxiliar de modos práticos as suas vítimas. Este tipo de fé está em falta hoje em dia.
É o que penso. Mas admito que nem todos pensam como eu.
Abs,
Eu me sinto profundamente triste, ao ver um Pastor e Mestre tão perdido entre a palavra de Deus e a filosofia. A mensagem do evangelho é simples como jesus o foi. e esta vem sendo omitida por vãs filosofias e pensadores.Prefiro ficar com a Palavra de Deus do que em boa companhia. O inferno certamente está cheio deles. (Apesar, de que não sei se também acredita que não exista).
MARANATA!
Muito bom texto, embora um tanto indeciso,mas com um teor teológico de muito aprofundamento, parabéns gostei muito eu e meu amigo Dirley.
Sou discípulo de Jesus, em primeiro lugar. dei aula de educação religiosa, educação artística, sociologia, filosofia, história e geografia, redação, português e por aí adiante. Li de Garcia Morente a Marx, de Sócrates a Nietzsche, além das escrituras, a vontade revelada de Deus. Nao há divergência entre crer e pensar. Não há fissuras ou divorciamento entre fé e razão, entre intelecto e o ensino manifestado na verdade revelada de Deus. Ser crente não significa ser burro e crer na Divindade com categorias racionais não quer dizer que a fé esteja sendo negada. quem faz com que as coisas pareçam divorciadas é o estrangulamento da fé simples pelo humanismo exacerbado e suas implicações no cotidiano existencial.
Ed descreve e fala sobre o que ele pensa, na ânsia de aproximar o que faz sentido na palavra revelada e na palavra dele como pensador cristão e defensor da fé.
Fez um comentário bastante equilibrado, pois em nenhum momento pareceu hipercalvinista ao transformar o homem num boneco, nem arminianista, que diz ter o homem poder pra querer e manipular Deus ao seu bel-prazer. Ed joga luz sobre questões obscuras, não atribui a Deus um caráter sádico, muito menos assevera que Deus se aliena e se isola do processo histórico.
Entendo que a verdade de Deus não deve ser helenizada, mas vivida com amor extremo, segundo Tessalonicenses, quando Paulo diz que devemos trabalhar para ter com que acudir o necessitado. o que passar disso é especulação sem graça e erudicionismo enfadonho e em nada nos edifica.
Deus é soberano, Deus é amor, Deus é soberanamente justo e bom.
É imperativo que vivmos o Evangelho de Jesus e não queiramos cirurgiar Deus, muito menos colocá-lo num tubo de ensaio ou na finitude de nossa mente. Deus está além de nossos pensamentos, seus caminhos são mais altos que os nossos.
Walber Aguiar. Poeta, professor de filosofia, historiador e membro da Academia Roraimense de Letras.
Pr. Ed, tudo (incluindo o mundo) faz sentido porque é conforme as Escrituras. O Senhor Jesus Cristo afirmou em Mateus 24:6-8 que este tipo de acontecimento ocorreria: “6 Vocês ouvirão falar de guerras e rumores de guerras, mas não tenham medo. É necessário que tais coisas aconteçam, mas ainda não é o fim. 7 Nação se levantará contra nação, e reino contra reino. Haverá fomes e terremotos em vários lugares. 8 Tudo isso será o início das dores.”
Basta que NOS VOLTEMOS PARA AS ESCRITURAS, que veremos que tudo o que ocorre no mundo faz sentido.
Quase me esqueci. À parte do comentário anterior, concordo com o Sandro Baggio. “O grande erro dos teólogos do passado e do presente é querer entender Deus à parte da revelação e não deixar Deus ser Deus.”
Ed, seu texto é interessante e acredito que você não deve perder tempo com defensores de dogmas, etc.
As respostas sobre Deus serão sempre plausíveis e nunca definitivas… Pois somos apenas intérpretes. Inclusive quando lemos a Bíblia.
As imagens que criamos de Deus tem relação com nosso caráter e com nossas perspectivas de vida. Elas não definem Deus.
Abs
Proponho uma outra matriz:
O Ed é salvo mas esta confuso
O Ed não é salvo e esta confuso
O Ed é salvo e não esta confuso
O Ed não e salvo e não esta confuso
Eu espero que o Ed seja salvo e esteja somente confuso…
O grande Ed René Kivitz, como a maioria dos pregadores e pensadores evangélicos famosos do Brasil(cada um de seu jeito),mostra que é fruto do seu tempo…
Confunde transmitir a pura mensagem de uma maneira contextualizada para sua época, com a alteração da mensagem para a tornar mais “degustável”. Viva o antropocentrismo na pregação evangélica brasileira! O antropocentrismo dos bem-intencionados,sinceros e eruditos como o Ed, e dos mal-intencionados das igrejas neopentecostais caça-níqueis…Cada um de seu jeito…
Pr Ed, gostei muito do seu texto e de suas explicações.Li e reli várias e várias vezes para melhor entendê-lo. Acho, ainda nao tenho certeza,que estou começando a entender um pouquinho da Soberania de Deus e da liberdade que Ele nos dá ao nos constranger com o Seu amor. E por sofrer com as nossas más escolhas. Li tbém recentemente, em um livro do A.Tozer, a respeito dessa soberania e liberdade. Tozer diz que é possível reconciliar essas duas posiçoes (soberania & liberdade q Deus dá ao homem).Para tanto, Tozer dá uma ilustração bem simples e que eu gostaria de saber da sua opiniao, se é mais ou menos isso mesmo: “Um transatlântico deixa NY rumo a Liverpool. Seu destino foi determinado pelas autoridades competentes. Nada pode alterá-lo.Esta é,ao menos, uma rápida descrição de soberania.
A bordo do navio estão vários passageiros. Estes não estão nas poltronas, nem suas atividades são,por lei, determinadas por eles. Eles têm total liberdade para ir onde quiserem. Comem,dormem,divertem-se, descansam no convés,lêem,conversam,fazem o q bem entendem;no entanto,o tempo todo estao sendo levados pelo grande navio ao porto determinado.(…) O imponente transatlântico do soberano plano de Deus mantém seu curso firme sobre o mar da História”. (A.W.Tozer- Verdadeiras Profecias).
Uma obs: aqui me lembrei do q o pr.Ariovaldo Ramos disse “q Deus, q não é determinista,sustenta a história da salvação e interfere na história geral todas às vezes q a hist.geral, de alguma maneira, de alguma forma, puder por em risco a história da salvação”(Missão na Íntegra- 26/03/11).
Por favor, se possível, gostaria de saber se é mais ou menos por aí…
um abraço, Deus abençoe a sua vida e de sua família.
Ivone.
Pastor Ed,
Frequento a IBAB há mais de um ano e tenho gostado muito de tudo que tenho ouvido e acompanhado.
Este texto me deixa seriamente confusa quanto a soberania de Deus, ainda em tempo se você puder ler o texto http://apenas1.wordpress.com/2012/01/22/teologias-do-inferno/#comments e me dizer o que pensa a respeito em contrapartida ao que escreves seria muito importante pra mim.
Deus o abençoe
Se deus existe qualquer uma das opções é possível, tudo depende de que tipo de deus existe. Conciliar deus com a bíblia é igualmente difícil e fácil, tudo depende de como deseja interpretar a bíblia.
Não entendi alguns posicionamentos no texto porque me pareceram, tal qual a biblia, por demais obscuros. Creio que o esforço em filosofar no texto, porém sem atacar as reais dificuldades, tenha provocado tal obscurantismo, porém num meio tão podre como o meio evangélico, é muito bom ler um texto em que se vê um verdadeiro esforço para ser mais do que simplesmente um consolo.
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