Profecia é outra coisa

A política é o terreno onde se manifestam a ingenuidade mais infantil, a maldade mais cruel, o pragmatismo mais oportunista e as passionalidades mais extremadas.

Toda abordagem política nas categorias do maniqueísmo (esse é do bem e aquele é do mal) é uma expressão de fanatismo.

A neutralidade política não existe. Decidir não decidir é decidir deixar como está para ver como é que fica. Os profetas existem para demonstrar que a omissão e a neutralidade sustentam o poder inclusive e principalmente dos que não deveriam ocupá-lo ou nele se perpetuar. Nenhuma profecia é ideologicamente neutra.

Sempre que um profeta adere a um movimento institucional político, perde sua autonomia, quer na capacidade de leitura e interpretação dos fatos, quer na isenção necessária para proferir sua profecia. As paixões políticas, notadamente as que se atrelam aos processos institucionais e partidários, facilmente  comprometem a lucidez do profeta.

Ainda que seja ingenuidade acreditar que ideologias promovam mudanças sem a mediação concreta do acesso ao poder, profetas devem estar acima dos comprometimentos do palácio. Profetas não servem ao rei. Servem a Deus. E porque servem a Deus, sentam-se ao lado da justiça, que quase nunca é convidada para o banquete do rei.

Profetizar é diferente de tomar partido.

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6 Comentários

  • 06/11/2012 às 7:09

    Alguns “profetas” estão trocando seus alicerces ministeriais por cadeiras sociais, elevados ao conhecimento e popularidade da massa que o inclina como homem sábio e revolucionário, vislumbram a alma do povo e desdenham verdades…colocam-se com lobos envaidecidos e descontrolam o verdadeiro sentido de “profecia”.

  • 06/11/2012 às 10:01

    O mais interessante é que este tema é tão pouco conhecido entre os evangélicos que a maioria fala que política e religião não combinam, mas acabam votando sempre através do “voto de cajado”.

  • luiz augusto mauricio
    19/11/2012 às 14:22

    belíssima interpretação das posturas diametralmente opostas.

  • Pr Nicomedes Nunes de Souza
    24/11/2012 às 17:49

    Quando o profeta toma partido, elimina a autoridade para falar em nome do Deus que diz que serve!A maioria daqueles que se dizem “profetas”, sentaram-se a mesa do rei e estão comendo das suas iguarias!

  • Sandra Eliazar
    09/12/2012 às 16:06

    Caro Pr. Ed René, de onde os crentes, mesmo os mais experientes tiraram essa ideia de “Eu profetizo que isto, que aquilo, etc”? Tenho amigas missionárias, viajadas, etc, que sustentam este jargão: “Eu profetizo que…”.
    Meu Deus, quanta ignorância e ingenuidade!

    Sandra

  • mario
    16/05/2013 às 10:55

    A própria escritura sagrada adverte sobre as falsas profecias.
    Nos dias de hoje muitas profecias e revelações não estão cumprindo e entrando ate em contradições com outras palavras de outros profetas; se a escritura disse que Deus não e de confusão; então cuidado vigia; não creais em todo esprito,mas não desprezeis as profecias, examine tudo retende o bem.
    1°João 4:1 e 1°Tessalonicenses 5:20,21 e Jeremias 23:16,17.

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