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Profecia é outra coisa

A política é o terreno onde se manifestam a ingenuidade mais infantil, a maldade mais cruel, o pragmatismo mais oportunista e as passionalidades mais extremadas. Toda abordagem política nas categorias do maniqueísmo (esse é do bem e aquele é do mal) é uma expressão de fanatismo. A neutralidade política não existe. Decidir não decidir é decidir deixar como está para ver como é que fica. Os profetas existem para demonstrar que a omissão e a neutralidade sustentam o poder inclusive e principalmente dos que não deveriam ocupá-lo ou nele se perpetuar. Nenhuma profecia é ideologicamente neutra. Sempre que um profeta adere a um movimento institucional político, perde sua autonomia, quer na capacidade de leitura e interpretação dos fatos, quer na isenção necessária para proferir sua profecia. As paixões políticas, notadamente as que se atrelam aos processos institucionais e partidários, facilmente  comprometem a lucidez do profeta. Ainda que seja ingenuidade acreditar que ideologias promovam mudanças sem a mediação concreta do acesso ao poder, profetas devem estar acima dos comprometimentos do palácio. Profetas não servem ao rei. Servem a Deus. E porque servem a Deus, sentam-se ao lado da justiça, que quase nunca é convidada para o banquete do rei. Profetizar é diferente de tomar partido. Compartilhe:

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