Fiocruz vai testar a primeira vacina de RNA mensageiro desenvolvida no Brasil
Anvisa autorizou o estudo de Fase 1 do imunizante contra a covid-19 produzido por Bio-Manguinhos; 90 voluntários serão recrutados no Rio a partir do primeiro trimestre de 2027.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) a iniciar estudos clínicos de uma vacina de RNA mensageiro (RNAm) contra a covid-19, a primeira produzida com essa tecnologia no país. O imunizante foi desenvolvido integralmente na plataforma de RNAm do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos). Para Adriano Jose Reis Martins, editor do KTZ, o anúncio desta quarta-feira (2) marca um passo concreto na direção que o país perseguiu desde a pandemia: dominar a tecnologia, não apenas envasá-la.
Como será o estudo
- Fase 1: avaliação de segurança e imunogenicidade como dose de reforço.
- Participantes: 90 adultos saudáveis de 18 a 59 anos.
- Duração: seis meses de inclusão e seis meses de acompanhamento de cada voluntário.
- Onde: Unidade de Ensaios Clínicos para Imunobiológicos e Policlínica Lincoln de Freitas Filho, no Rio de Janeiro.
- Início do recrutamento: primeiro trimestre de 2027.
A vacina já passou por pesquisas pré-clínicas, estudos toxicológicos e de escalonamento de produção, e demonstrou eficácia na proteção contra a doença em modelos experimentais. Ela será testada como reforço, conforme consta hoje no calendário do Programa Nacional de Imunizações.
Por que importa
Adriano Jose Reis Martins destaca que a plataforma de RNAm é adaptável: uma vez validada, pode ser usada para outras doenças, como influenza e dengue, encurtando o tempo de resposta a novas emergências sanitárias sem depender de importação.