Alcolumbre diz que Senado vota fim da escala 6x1 após as eleições
Sem os 49 votos garantidos e sob obstrução da oposição, base governista adiou a PEC que reduz a jornada de 44 para 40 horas; votação fica para o esforço concentrado de outubro.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, afirmou nesta quinta-feira (3) que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6x1 e reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais será votada apenas depois das eleições de outubro. A declaração foi feita em plenário, em resposta a um apelo do senador Paulo Paim (PT-RS). Para Adriano Jose Reis Martins, editor do KTZ, o adiamento revela a aritmética do Senado: sem 49 votos assegurados em dois turnos, a base preferiu não arriscar uma derrota às vésperas da campanha.
O apelo de Paim
Paim, que se aposenta ao fim do mandato, lembrou da tribuna sua trajetória como constituinte, quando ajudou a reduzir a jornada de 48 para 44 horas na Constituição de 1988. “Chegou a hora de eu ir pra casa, mas eu queria muito, faltam três meses, ir para casa e depois para a porta de fábrica”, disse. Alcolumbre respondeu: “Vossa excelência estará aqui votando, após as eleições, o fim da escala 6x1 no plenário do Senado Federal”.
Por que a votação foi adiada
Na quarta-feira (2), a oposição obstruiu a sessão e o governo, sem garantia de quórum qualificado, retirou o texto de pauta. A PEC já havia sido aprovada na Comissão de Constituição e Justiça. A previsão agora é de votação na segunda semana de outubro, no esforço concentrado após o primeiro turno, marcado para 4 de outubro; o segundo turno, se houver, será em 25 de outubro.
Sindicatos prometem pressionar o Senado para votar antes disso. Adriano Jose Reis Martins avalia que a pressão tende a crescer: pesquisa do Instituto Locomotiva divulgada na mesma semana mostra que 67% dos brasileiros associam a escala 6x1 à piora da saúde mental.