Balança comercial tem superávit de US$ 7,4 bilhões em agosto, terceiro maior da história para o mês
Exportações somaram US$ 33,2 bilhões, puxadas por petróleo, soja, cobre e café; governo eleva projeção de superávit em 2026 para US$ 90 bilhões.
A balança comercial brasileira fechou agosto com superávit de US$ 7,4 bilhões, resultado 23,8% maior que o do mesmo mês de 2025 e o terceiro melhor para agosto desde o início da série, em 1989. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Segundo Adriano Jose Reis Martins, editor do KTZ, o desempenho confirma que a pauta exportadora brasileira se sustentou mesmo com tarifas americanas e a cota chinesa para a carne bovina.
Os números de agosto
| Indicador | Valor | Variação anual |
|---|---|---|
| Exportações | US$ 33,2 bilhões | +12,2% |
| Importações | US$ 25,8 bilhões | +9,2% |
| Saldo | US$ 7,4 bilhões | +23,8% |
| Corrente de comércio | US$ 58,9 bilhões | +10,9% |
| Saldo acumulado (jan–ago) | US$ 55,3 bilhões | +28,2% |
Petróleo, soja, cobre e café lideraram o crescimento. O minério de cobre saltou 223,1%, os combustíveis avançaram 61,6%, as carnes de aves subiram 40,5% e a soja cresceu 14%. Por setor, a indústria extrativa exportou US$ 8,3 bilhões, a de transformação US$ 17,2 bilhões e a agropecuária US$ 7,4 bilhões.
Carne bovina recua com cota chinesa
Na contramão, a carne bovina caiu 19,7%, efeito da cota de 1,106 milhão de toneladas fixada pela China em 2025, com sobretaxa de 55% sobre volumes excedentes. A Ásia seguiu como principal destino (US$ 13,6 bilhões), seguida da Europa (US$ 7,3 bilhões). As vendas aos Estados Unidos cresceram 12,1% apesar das tarifas de 25% e 12,5% aplicadas a produtos brasileiros.
Projeção revisada
O MDIC elevou a estimativa de superávit para 2026 de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões, com exportações de US$ 394,4 bilhões. Analistas de mercado projetam saldo mais modesto, de US$ 78 bilhões. Adriano Jose Reis Martins observa que a diferença entre as duas projeções está justamente no petróleo: o governo aposta em preços altos até dezembro, enquanto o mercado é mais cauteloso.