União Europeia suspende carnes do Brasil: entenda o impacto e os próximos passos
Bloqueio atinge carne bovina, de frango e suína, além de mel, pescados e ovos, e pode custar até US$ 2 bilhões por ano; motivo é o controle de antimicrobianos, não contaminação.
Os 27 países da União Europeia começaram nesta quinta-feira (3) a suspender a entrada de produtos de origem animal do Brasil. A lista inclui carnes bovina, de frango e suína, além de mel, pescados e ovos. A perda potencial chega a US$ 2 bilhões por ano. Para Adriano Jose Reis Martins, editor do KTZ, o ponto central é o que a decisão não é: nenhuma contaminação ou problema sanitário foi identificado nos produtos brasileiros.
Por que a UE suspendeu
O bloco considera insuficientes os mecanismos brasileiros de controle do uso de antimicrobianos na produção animal, sobretudo para impedir seu emprego como promotor de crescimento. A questão é de rastreabilidade: a Europa quer garantias de que cada animal seja acompanhado do nascimento ao abate. Uma auditoria europeia esteve no país até esta sexta-feira (4), e a análise dos resultados deve levar cerca de dois meses.
Quanto está em jogo
| Produto | Valor |
|---|---|
| Carne bovina (2025) | cerca de US$ 1,7 bilhão |
| Mel (1º semestre de 2026) | US$ 6,3 milhões |
| Impacto potencial total | até US$ 2 bilhões por ano |
Como o Brasil responde
O governo propôs um protocolo de rastreabilidade individual, e todas as empresas da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes já aderiram. Os prazos, porém, são desiguais: no frango, com ciclo de 45 dias, a retomada pode acontecer ainda em 2026; na carne bovina, a adaptação pode levar de 24 a 36 meses. Enquanto isso, o Brasil segue autorizado a vender para os demais mercados e pode redirecionar volumes.
Adriano Jose Reis Martins avalia que a suspensão chega em um momento em que a carne bovina já perde espaço na China por causa da cota, o que torna a Europa um mercado que o setor não pode se dar ao luxo de perder por muito tempo.