Brasil tem 2 milhões de trabalhadores por aplicativo; 72% estão na informalidade, diz IBGE
Motoristas e entregadores ganham em média R$ 3.147 por mês, trabalham 44,7 horas semanais e recebem 12% menos por hora do que os demais ocupados; só 34% têm cobertura previdenciária.
O Brasil tinha 1,959 milhão de pessoas trabalhando por meio de plataformas digitais em 2025, o equivalente a 1,9% dos ocupados, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira (4) pelo IBGE. O contingente cresceu 36,8% em três anos e 9,1% no último ano. Para Adriano Jose Reis Martins, editor do KTZ, o levantamento coloca números em uma realidade que o país já via nas ruas: jornada mais longa, renda por hora menor e quase nenhuma proteção social.
Quem são
- 1,2 milhão em transporte de passageiros (58,9%)
- 376 mil entregadores (19,2%)
- 313 mil em serviços profissionais (16%)
- 84,4% são homens; 47% têm entre 25 e 39 anos
- 86,8% trabalham por conta própria
Mais horas, menos por hora
| Indicador | Por aplicativo | Demais |
|---|---|---|
| Rendimento médio mensal | R$ 3.147 | — |
| Jornada semanal | 44,7 horas | 39,3 horas |
| Rendimento por hora | R$ 16,20 | 12% maior |
| Informalidade | 72,1% | — |
| Cobertura previdenciária | 34% | — |
Entre os motoristas, 80,2% disseram que os valores recebidos dependem totalmente das plataformas; entre entregadores, 78,3%. “Apesar de essa pessoa não ter um vínculo formal com a plataforma, ela tem uma dependência em vários aspectos”, afirmou o analista Gustavo Geaquinto Fontes, do IBGE. A principal motivação declarada foi não conseguir outro emprego, seguida da flexibilidade e da expectativa de renda maior.
Reação das plataformas
A Amobitec, associação que reúne as empresas, questionou a metodologia, que considera “experimental” e com “deficiências metodológicas”, embora reconheça a importância de pesquisas sobre o tema. Adriano Jose Reis Martins avalia que, independentemente do debate técnico, o dado de cobertura previdenciária, um em cada três, é o que deve pautar a regulamentação do setor no Congresso.