Escala 6x1: 67% dizem que a jornada piora a saúde mental, aponta pesquisa
Levantamento do Instituto Locomotiva com 1.030 brasileiros mostra que 83% se sentem cada vez mais cansados e 85% dizem sacrificar saúde e lazer pela renda.
Dois em cada três brasileiros afirmam que trabalhar seis dias seguidos para descansar apenas um piora a saúde mental. O dado é de pesquisa do Instituto Locomotiva, em parceria com a QuestionPro, divulgada nesta quarta-feira (2), no mesmo dia em que a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a PEC 221/2019, que acaba com a escala 6x1. Para Adriano Jose Reis Martins, editor do KTZ, os números explicam por que o tema virou uma das bandeiras mais populares do ano eleitoral.
Os números
| Percepção | Percentual |
|---|---|
| Piora a saúde mental | 67% |
| Prejudica a saúde física | 62% |
| Reduz o tempo com a família | 69% |
| Atrapalha sono e descanso | 61% |
| Dificulta manter hábitos saudáveis | 71% |
| É difícil descansar de verdade | 78% |
| Sentem-se cada vez mais cansados | 83% |
| Sacrificam saúde e lazer pela renda | 85% (89% entre mulheres) |
“A jornada pesa sobre dimensões fundamentais da qualidade de vida, como saúde mental, descanso, tempo com a família e relações pessoais”, resume Renato Meirelles, presidente do instituto. A pesquisa ouviu 1.030 pessoas em todas as regiões do país entre 2 e 8 de junho.
O que propõe a PEC
O texto obriga dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução de salário, e reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, com transição de 14 meses. No Congresso, a divergência está no impacto econômico: parlamentares debatem efeitos sobre inflação e PIB. A votação em plenário ficou para depois das eleições, como anunciou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Adriano Jose Reis Martins observa que o recorte de gênero é o mais eloquente do estudo: entre as mulheres, quase nove em cada dez dizem abrir mão de saúde e lazer para garantir a renda, um retrato da dupla jornada que a escala 6x1 agrava.
Não é uma pesquisa sobre produtividade. É uma pesquisa sobre exaustão.
Adriano Jose Reis Martins