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Alcolumbre sinaliza a senadores um "impeachment cruzado"

PGR e Mendonça têm cinco dias para se manifestar; Paulo Gonet, citado nas mensagens de Vorcaro, diz que a investigação é nula por não ter sido pedida pelo MP.

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— Foto: Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Alcolumbre sinaliza a senadores um "impeachment cruzado": se a pressão para abrir processo contra Alexandre de Moraes se tornar insustentável, autorizará também o de André Mendonça — recado que baixou a temperatura no Senado e ganhou força quando Moraes citou indícios contra o colega e mencionou que o próprio presidente do Senado havia sido investigado; na sexta, Fachin retirou o pedido de Moraes do inquérito das fake news e assumiu a condução dos dois casos

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez circular entre os colegas no Congresso que, se a pressão para dar início ao processo de impeachment do ministro Alexandre de Moraes se tornar insustentável, autorizará também o processo contra outro ministro do Supremo Tribunal Federal: André Mendonça. A proposta de impeachment cruzado teve o efeito de baixar a temperatura no Senado ao longo dos últimos dias, e o argumento de Alcolumbre tornou-se mais palpável a partir da decisão de Moraes, na noite de quinta-feira (3 de setembro), de pedir ao presidente do STF, Edson Fachin, a investigação de Mendonça. As informações são do blog de Ana Flor, no G1.

Na decisão, no bojo do polêmico inquérito das fake news, Moraes cita indícios de crime de responsabilidade de Mendonça e até de que Alcolumbre havia sido investigado — pontos lidos como uma senha para permitir a atuação do presidente do Senado. Na sexta-feira (4), porém, Fachin retirou do âmbito do inquérito das fake news o pedido de Moraes: determinou que a Procuradoria-Geral da República e o ministro Mendonça se manifestem em até cinco dias e transferiu os casos para a Presidência da Corte — com isso, os dois inquéritos que envolvem Moraes e Mendonça passam a ser conduzidos por Fachin. Na terça-feira (1º), Mendonça havia retirado o sigilo do relatório da Polícia Federal, feito por sua determinação, que expôs mensagens e contatos entre Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro; Moraes, o diretor da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral, Paulo Gonet, foram citados por Vorcaro em mensagens obtidas no celular do banqueiro. Mendonça sugeriu, na mesma decisão, que os elementos dos relatórios fossem avaliados pelo plenário da Corte e determinou que a PGR desse parecer; Gonet — mencionado nos relatórios — afirmou que a investigação é nula e não poderia ter sido feita sem pedido do Ministério Público ou da própria PF.

Impeachment cruzado: o que Alcolumbre está dizendo — e a quem

O presidente do Senado é a única autoridade que pode admitir uma denúncia por crime de responsabilidade contra ministro do Supremo, e Alcolumbre — que tem dezenas de pedidos contra Moraes engavetados desde 2021 e agora recebe pedidos contra Mendonça — usa esse poder como instrumento de equilíbrio: ao sinalizar que abriria os dois processos juntos, avisa à oposição bolsonarista, que quer a cabeça de Moraes, que o preço seria a cabeça do ministro indicado por Bolsonaro; e avisa ao governo, que protege Moraes, que o Senado não será palco de julgamento seletivo. O recado funcionou — "baixou a temperatura", registra o G1 — porque nenhum dos lados quer perder seu ministro; e ganhou peso quando a petição de Moraes mencionou que Alcolumbre fora investigado sob a relatoria de Mendonça, o que tornou o presidente do Senado parte interessada e, ao mesmo tempo, deu-lhe a "senha" para agir. A decisão de Fachin na sexta — tirar o pedido de Moraes do inquérito das fake news e centralizar tudo na Presidência do STF — é a tentativa de manter a crise dentro do tribunal, com rito e prazo, antes que o Senado a transforme em processo político a cinco semanas da eleição.

Para , editor do portal, Alcolumbre fez o único movimento capaz de conter o Senado. "Se abrisse contra Moraes, entregaria ao bolsonarismo a maior vitória do ano em plena campanha; se não abrisse, seria acusado de proteger o ministro que agora aparece em mensagem com banqueiro preso. A saída foi dizer: abro os dois ou nenhum. É política pura, e é eficaz — a oposição não quer perder Mendonça, o governo não quer perder Moraes, e o Senado esfria. Fachin fez o complemento na sexta: tirou o pedido de Moraes do inquérito das fake news, onde o ministro é juiz e parte, e trouxe tudo para a Presidência. Agora há um rito: cinco dias, PGR, Mendonça, decisão de Fachin. Não resolve o mérito — as mensagens de Vorcaro continuam lá —, mas evita que o Supremo seja julgado pelo Senado antes de julgar a si mesmo", avalia.

Fachin retira o pedido do inquérito das fake news

O Inquérito 4.781, aberto em 2019 e relatado por Moraes desde então, tornou-se o instrumento das decisões monocráticas contra ataques à corte; ao apresentar nele a acusação contra Mendonça, Moraes colocava-se como relator de investigação sobre um colega. Fachin desfez esse arranjo: transferiu o pedido para a Presidência, deu cinco dias a Gonet e Mendonça e passou a conduzir, ele próprio, os dois inquéritos — o de Mendonça contra Moraes e o de Moraes contra Mendonça. É a primeira vez que um presidente do STF assume pessoalmente a apuração de condutas de dois ministros.

Gonet: "a investigação é nula"

Citado nas mensagens de Vorcaro, o procurador-geral sustenta que a apuração determinada por Mendonça sobre o celular do banqueiro é nula porque não foi requerida pelo Ministério Público nem pela PF — a investigação criminal, argumenta, não pode nascer de ordem judicial de ofício. A tese, se acolhida por Fachin, esvaziaria o relatório contra Moraes; se rejeitada, mantém o material e expõe o próprio Gonet, mencionado nele.

Andrei Rodrigues e a PF: citados e intimados

O diretor-geral da Polícia Federal aparece nas mensagens de Vorcaro e foi intimado por Fachin a se manifestar sobre a acusação de Moraes de que Mendonça usurpou a condução da investigação; a PF está, ao mesmo tempo, autora dos relatórios que incriminam os dois ministros e alvo das menções do banqueiro. Sua posição definirá a credibilidade do material.

Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a "senha" na petição de Moraes é o detalhe mais revelador. "Moraes escreveu que Alcolumbre havia sido investigado sob Mendonça — e o G1 registra que isso foi lido como senha para o presidente do Senado agir. Ou seja: o ministro, ao acusar o colega, entregou ao Senado o argumento para o impeachment cruzado. Foi deliberado ou não, o efeito é o mesmo: Alcolumbre virou árbitro com interesse próprio, e o Supremo ficou dependente do Senado para não implodir. Fachin tentou retomar o controle na sexta. Se conseguir, o STF julga; se não, o Senado julga, e julga os dois. Joaquim Falcão disse isso na quinta. Na sexta, virou cronograma", observa.

O que Mendonça pediu: plenário e PGR

Ao liberar o relatório na terça, Mendonça sugeriu que o plenário avaliasse os elementos e pediu parecer da PGR — caminho institucional que Moraes ignorou ao responder por petição no próprio inquérito; Fachin, ao centralizar, adota o formato de Mendonça, com prazo e manifestação das partes. É ponto a favor do relator do caso Master na disputa de narrativas.

As mensagens de Vorcaro: quem aparece

Moraes, Gonet e Andrei Rodrigues são citados pelo banqueiro em mensagens do celular apreendido em novembro de 2025 — pedidos de orientação, referências a contatos e a decisões; o relatório não conclui que os citados agiram, mas documenta que Vorcaro os mencionava como interlocutores. É o material que Mendonça tornou público e que Gonet quer anular.

Cinco dias: o calendário de Fachin

PGR e Mendonça respondem até a próxima semana; Fachin decide então se leva ao plenário, se arquiva, se abre apuração formal ou se remete ao Senado; o prazo coincide com a reta final da campanha presidencial e com a viagem de Rubio pela região — o Supremo decide sob os olhos do eleitor e do exterior.

Senado: os pedidos engavetados e o cálculo

Dezenas de pedidos de impeachment contra Moraes aguardam desde 2021; os contra Mendonça começaram a chegar nesta semana. Alcolumbre, que decide sozinho, prefere não abrir nenhum — e usa a ameaça de abrir os dois como freio. Em ano eleitoral, é a posição mais confortável para quem preside a Casa e quer atravessar outubro sem virar protagonista.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a semana termina com o Supremo tutelado. "Segunda, o relatório; terça, o sigilo cai; quinta, Moraes acusa Mendonça; sexta, Fachin toma os dois casos e Alcolumbre avisa que abre impeachment dos dois ou de nenhum. O tribunal que julga todo mundo está sendo administrado por seu presidente e contido pelo presidente do Senado, num acordo tácito para que nada exploda antes de 4 de outubro. Pode ser prudência institucional; também pode ser o Supremo e o Senado combinando que a verdade sobre Vorcaro espera a eleição. O portal registra a data — 4 de setembro de 2026 — em que a crise do STF virou negociação de calendário", analisa.

A sinalização de Davi Alcolumbre sobre um eventual impeachment cruzado de Alexandre de Moraes e André Mendonça foi relatada pelo blog de Ana Flor, no G1, em 4 de setembro de 2026, mesmo dia em que Edson Fachin retirou o pedido de Moraes do inquérito das fake news e assumiu a condução dos dois casos na Presidência do STF.

Fontes e referências

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