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Clima Global

ONU: aquecimento vai passar de 1,5 °C, mas ainda pode ser contido

Relatório divulgado em Nairóbi vê 66% de chance de a média anual ultrapassar o limite do Acordo de Paris até 2027 e pede resposta em três fases: emergência, adaptação e resiliência.

António Guterres, secretário-geral da ONU, na COP30
António Guterres: “Devemos fazer com que o excesso seja o menor e mais breve possível”. — Foto: Xuthoria / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O aquecimento global vai ultrapassar o limite de 1,5 °C em relação à era pré-industrial nos próximos anos, mas ainda é possível conter o aumento e cumprir as metas do Acordo de Paris. É o que afirma relatório da Organização das Nações Unidas divulgado nesta quarta-feira (2), em Nairóbi. O documento aponta 66% de probabilidade de a média anual superar 1,5 °C entre 2023 e 2027. Para , editor do KTZ, a novidade não é o rompimento do limite, já esperado, mas a mudança de discurso: a ONU passa a tratar o excesso como fase a ser encurtada, e não como fracasso definitivo.

O recado de Guterres

“Devemos fazer com que o excesso seja o menor e mais breve possível, limitando o aumento das temperaturas e o tempo em que se mantêm acima dos 1,5 graus”, afirmou o secretário-geral António Guterres. Ele pediu para “redobrar os esforços, acelerar a eliminação gradual dos combustíveis fósseis e a revolução das energias renováveis”.

Três fases de ação

  • Resposta imediata: redução drástica de emissões.
  • Adaptação e contenção: reflorestamento, restauração de ecossistemas e captura direta de carbono.
  • Resiliência de longo prazo: preparação para eventos extremos, com prioridade aos mais vulneráveis.

O relatório alerta que, uma vez ultrapassado o limite, “os impactos vão se multiplicar a cada fração de grau”, com eventos climáticos extremos, destruição de ecossistemas e submersão de pequenos Estados insulares, e cobra ação mais rápida dos países com maior responsabilidade histórica pelas emissões.

observa que o documento chega na mesma semana em que a OMM prevê um El Niño muito forte até 2027, combinação que tende a produzir novos recordes de temperatura e a testar a capacidade de adaptação de países como o Brasil.

Fontes e referências

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