ONU prevê El Niño “muito forte” com duração até fevereiro de 2027
Organização Meteorológica Mundial vê probabilidade próxima de 100% de o fenômeno persistir; superfície do Pacífico já está até 2,6 °C acima da média e cientistas projetam 2027 como o ano mais quente da história.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou nesta quinta-feira (3), em Genebra, que o El Niño está “firmemente estabelecido” e vai se intensificar nos próximos meses até atingir intensidade “muito forte”, com probabilidade “excepcionalmente elevada, de quase 100%”, de persistir até fevereiro de 2027. Para Adriano Jose Reis Martins, editor do KTZ, é o tipo de aviso que o Brasil deveria ler como calendário: seca no Norte, chuva em excesso no Sul e calor acima do normal pelos próximos seis meses.
Os dados
- Temperatura da superfície do mar 1,5 °C acima do normal, em média, entre maio e julho.
- Em julho, 2 °C acima do normal; entre o fim de julho e meados de agosto, de 2,2 °C a 2,6 °C.
- Abaixo da superfície, mais de 0,8 °C acima da média em julho e início de agosto.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que “o planeta está entrando em águas desconhecidas, e essas águas estão aquecendo”, e falou em “uma corrida contra o tempo entre os riscos crescentes e a nossa determinação em agir”.
O que esperar
O El Niño se repete a cada dois a sete anos. Historicamente causou ou intensificou secas na Amazônia, na América Central, na Indonésia e na Austrália, interrompeu monções na Índia e trouxe chuvas torrenciais à África Oriental. Cientistas preveem que 2027 será o ano mais quente já registrado, superando 2024, porque o calor armazenado no oceano será liberado para a atmosfera.
Adriano Jose Reis Martins lembra que o último El Niño forte, em 2023 e 2024, produziu a pior seca da história da Amazônia e as enchentes do Rio Grande do Sul, e que os planos de contingência precisam ser acionados agora, não quando o fenômeno atingir o pico.