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Conflitos

Prédio que abriga empresas de defesa em Munique sofre ataque incendiário

A Rohde & Schwarz confirmou dispositivos incendiários perto de suas instalações; Berlim acusa a Rússia de recrutar "agentes de baixo escalão", e Merz fala em "profunda ruptura" com atribuição.

Capa do artigo Prédio que abriga empresas de defesa em Munique sofre ataque incendiário
— Foto: David.Monniaux / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Prédio que abriga empresas de defesa em Munique sofre ataque incendiário, e a polícia alemã prende dois búlgaros — um homem de 38 anos e uma mulher de 28 — num posto de gasolina: é o quarto incidente da semana numa Alemanha em alerta máximo contra sabotagens ligadas a Moscou, depois da tentativa de ataque com drone ao aeroporto de Leipzig, atribuída ao Kremlin, de tentativas de sabotagem em estações de energia investigadas como terrorismo e de uma explosão em estação de trem com feridos

A polícia da Alemanha informou na quinta-feira (3 de setembro) que prendeu dois cidadãos búlgaros suspeitos de lançar dispositivos incendiários contra um prédio em Munique que abriga várias empresas do setor de defesa. O incidente ocorre num momento em que o país, um dos principais apoiadores da Ucrânia contra a Rússia, está em alerta máximo para possíveis planos de sabotagem ligados a Moscou — é o quarto incidente escalatório entre os dois países nesta semana. As informações são do G1.

Os episódios anteriores: o governo alemão acusou o Kremlin por uma tentativa de ataque de drone ocorrida em agosto no aeroporto de Leipzig; a polícia investiga como terrorismo tentativas de sabotagem em estações de energia elétrica; e uma explosão em uma estação de trem deixou feridos. A Rohde & Schwarz, empresa de tecnologia que fornece equipamentos para as Forças Armadas da Alemanha e de outros países, confirmou à AFP que dispositivos incendiários foram encontrados perto de suas instalações em Munique, mas que sua sede "não foi afetada". Uma testemunha alertou as autoridades por volta da meia-noite de quarta-feira que objetos poderiam ter sido lançados de um carro, disse um porta-voz da polícia; "o complexo de edifícios abriga várias empresas de armamento, então presumimos que haja uma motivação política", afirmou, recusando-se a detalhar as empresas. As autoridades iniciaram busca e prenderam um homem de 38 anos e uma mulher de 28, ambos búlgaros, num posto de gasolina em Munique. O governo alemão acusou a Rússia de recrutar "agentes de baixo escalão" — pessoas que recebem pequenas quantias e têm pouco treinamento — para realizar tais ataques, e a União Europeia afirmou nesta semana que aumentará a pressão contra a Rússia pelo aumento dos incidentes em solo europeu. Neste sábado (5), em discurso a seu partido perto de Hannover, o chanceler Friedrich Merz disse, segundo a Reuters e o InfoMoney, que a tentativa de ataque com drone ao aeroporto demonstra que a Alemanha enfrenta uma "profunda ruptura", com consequências de longo alcance que só ficarão claras em retrospecto, e que a atribuição à Rússia foi "clara e juridicamente fundamentada" — uma advertência a Moscou para que não continue a promover uma guerra híbrida.

Guerra híbrida na Europa: como a Rússia terceiriza a sabotagem — e por que a Alemanha é o alvo

Desde 2023, agências de inteligência europeias documentam uma campanha russa de "guerra híbrida" contra os países que armam a Ucrânia: incêndios em depósitos de armas na Polônia e no Reino Unido, pacotes incendiários em centros de logística da DHL na Alemanha e na Lituânia, sabotagem de cabos submarinos no Báltico, drones sobre bases da Otan, ciberataques a ferrovias e hospitais, e assassinatos planejados de executivos da indústria de defesa — como o do CEO da Rheinmetall, revelado em 2024 —, executados não por oficiais do GRU, mas por "agentes descartáveis", como o governo alemão descreve: cidadãos de países do Leste Europeu, imigrantes, jovens recrutados pelo Telegram por algumas centenas de euros, sem treinamento, que jogam o dispositivo e são presos — como o casal búlgaro num posto de gasolina de Munique — sem que a cadeia de comando seja alcançada. A Alemanha é o alvo preferencial por ser o segundo maior fornecedor militar da Ucrânia, sede da Rheinmetall, da Rohde & Schwarz — fabricante de sistemas de comunicação e guerra eletrônica usados pela Bundeswehr e pela Otan — e de bases americanas, e por viver, sob Merz, o maior rearmamento desde a Guerra Fria, com o fundo de 100 bilhões de euros e o compromisso de 5% do PIB em defesa; a semana de setembro — drone contra o aeroporto de Leipzig, hub de carga militar, atribuído formalmente ao Kremlin; sabotagem de subestações investigada como terrorismo; explosão em estação de trem; e agora o ataque incendiário em Munique — é a escalada que o chanceler chamou de "profunda ruptura", termo que na retórica alemã marca o fim da era em que Berlim acreditava que comércio e diálogo domesticariam Moscou. A resposta europeia — "mais pressão", sanções, expulsão de diplomatas, e a discussão sobre invocar consultas do artigo 4 da Otan — esbarra na dificuldade de provar a cadeia de comando quando quem é preso é um búlgaro de 38 anos com um isqueiro; e a eleição regional que a Folha registrou nesta semana como "decisiva", com a extrema direita da AfD — pró-Rússia — crescendo, é o pano de fundo doméstico em que Merz precisa mostrar firmeza sem escalada. Para o Brasil, que compra e coproduz sistemas de defesa alemães e que assiste à guerra da Ucrânia como observador, a sabotagem terceirizada é o modelo de conflito do século: barato, negável e feito por quem nunca ouviu falar do GRU.

Para , editor do portal, o casal búlgaro preso num posto de gasolina é o rosto da guerra híbrida. "Não é espião de filme; é um homem de 38 anos e uma mulher de 28 recrutados por Telegram, com dispositivo incendiário no carro e algumas centenas de euros no bolso, jogados contra um prédio de empresas de armamento em Munique. A Rússia não precisa de comandos; precisa de gente descartável e de negação plausível. Quatro incidentes numa semana, drone contra aeroporto, subestação, estação de trem, prédio de defesa — e Merz falando em 'profunda ruptura', que na Alemanha é o mesmo que dizer que a paz acabou. O portal registra e observa que a Europa responde com 'mais pressão' há três anos, e a pressão não impediu o quarto ataque. Enquanto quem é preso é o búlgaro e não quem pagou, a guerra híbrida vai continuar barata para Moscou", avalia.

O ataque de Munique: dispositivos, testemunha, prisão

Por volta da meia-noite de quarta, uma testemunha viu objetos lançados de um carro contra o complexo que abriga empresas de defesa; dispositivos incendiários foram encontrados perto das instalações da Rohde & Schwarz, sem dano à sede; a polícia prendeu um búlgaro de 38 anos e uma búlgara de 28 num posto de gasolina e presume motivação política.

Rohde & Schwarz: a empresa

Fabricante alemã de sistemas de comunicação segura, guerra eletrônica e teste de sinais, fornecedora da Bundeswehr e de forças da Otan; sua sede em Munique fica no complexo atingido; a empresa confirmou os dispositivos e a ausência de danos, e não comentou a motivação.

A semana: drone em Leipzig, subestações, estação de trem

O governo atribuiu ao Kremlin a tentativa de ataque com drone ao aeroporto de Leipzig, em agosto; a polícia investiga como terrorismo sabotagens em estações de energia; uma explosão em estação ferroviária deixou feridos; o ataque de Munique é o quarto episódio — a sequência que Merz classificou como "profunda ruptura".

Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a fala de Merz marca uma virada. "'Profunda ruptura' é a expressão que os alemães usaram para a Zeitenwende de 2022, quando Scholz anunciou o rearmamento; Merz a usa agora para dizer que a Rússia está atacando território alemão, com atribuição 'juridicamente fundamentada' — linguagem de quem prepara resposta, não protesto. A pergunta é qual: a Otan tem o artigo 4 para consultas e o 5 para defesa coletiva, e sabotagem terceirizada foi desenhada para ficar abaixo dos dois. O portal registra a prisão dos búlgaros e a advertência do chanceler, e observa que a Europa está descobrindo o que a Ucrânia sabe desde 2014: a guerra não começa com invasão; começa com um isqueiro e um recrutado", observa.

"Agentes de baixo escalão": o método russo

Recrutamento por Telegram e redes de cidadãos do Leste Europeu, imigrantes e jovens, pagos com pequenas quantias para incendiar, fotografar ou lançar drones, sem contato com oficiais de inteligência; presos, não conhecem quem os pagou; o método dá negação plausível a Moscou e é descrito pelos serviços alemão, polonês e britânico como padrão desde 2023.

A Alemanha como alvo: Ucrânia e rearmamento

Segundo maior fornecedor militar de Kiev, sede de Rheinmetall e Rohde & Schwarz, com o maior programa de rearmamento desde a Guerra Fria sob Merz, a Alemanha concentra os incidentes; o hub de Leipzig, por onde passa carga militar, e a indústria de defesa de Munique são alvos lógicos de quem quer atrasar o apoio à Ucrânia.

A resposta europeia: pressão, sanções, Otan

A União Europeia promete "mais pressão" sobre a Rússia; expulsões de diplomatas e sanções a redes de recrutamento são discutidas; a Otan debate se a sabotagem sistemática justifica consultas do artigo 4; a dificuldade de provar a cadeia de comando limita a resposta — e é o objetivo do método.

Eleições regionais e a AfD: o contexto doméstico

A semana coincide com eleições estaduais decisivas, com a extrema direita pró-Rússia da AfD em alta; Merz precisa demonstrar firmeza sem alimentar o discurso de que o apoio à Ucrânia traz a guerra para casa — equilíbrio que a "profunda ruptura" tenta enunciar.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a notícia mostra a Europa em guerra sem declaração. "Quatro ataques numa semana no país mais rico da Europa, com o chanceler dizendo que a atribuição à Rússia é jurídica e clara — e a resposta é prender dois búlgaros e prometer pressão. É a guerra do século 21: negável, barata, terceirizada, e sem resposta proporcional possível. O portal registra Munique e Leipzig e lembra que o Brasil, neutro por convicção, compra sistemas da Rohde & Schwarz e vende comida à Rússia — e que a neutralidade fica mais difícil a cada isqueiro", analisa.

O ataque incendiário contra um prédio que abriga empresas de defesa em Munique, com a prisão de dois cidadãos búlgaros, foi noticiado pelo G1 em 3 de setembro de 2026 como o quarto incidente da semana em meio a acusações da Alemanha contra a Rússia por sabotagem; em 5 de setembro, o chanceler Friedrich Merz afirmou, segundo a Reuters e o InfoMoney, que o país enfrenta uma "profunda ruptura" e que a atribuição do ataque com drone ao aeroporto de Leipzig a Moscou é "clara e juridicamente fundamentada".

Fontes e referências

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