Trump nomeia Adam Telle secretário interino do Exército dos EUA
Telle atuava no Gabinete de Obras Civis do Exército desde 2025 e foi chefe de gabinete do senador Bill Hagerty; assume em plena guerra contra o Irã.
Trump nomeia Adam Telle secretário interino do Exército dos Estados Unidos após a demissão de Dan Driscoll, que deixou o cargo depois de meses de atrito com Pete Hegseth, o chefe do Pentágono: crise já havia derrubado em abril o general Randy George, chefe do Estado-Maior e parceiro de Driscoll em projetos tecnológicos e numa viagem à Ucrânia, e provocou críticas de republicanos — "um grande patriota, respeitado por todos", escreveu o presidente sobre o novo secretário, veterano de 20 anos no Congresso
O presidente Donald Trump nomeou nesta quinta-feira (3 de setembro) Adam Telle como secretário interino do Exército dos Estados Unidos. Ele substitui Dan Driscoll, que pediu demissão na segunda-feira (31 de agosto) devido a atritos frequentes com Pete Hegseth, chefe do Pentágono — desentendimentos que ocorriam desde que Hegseth assumiu o cargo, em janeiro de 2025. As informações são do G1.
A crise causou a demissão do general Randy George em abril: chefe do Estado-Maior do Exército, ele era parceiro próximo de Driscoll em projetos tecnológicos e em uma viagem conjunta à Ucrânia. A Casa Branca elogiou Driscoll por sua atuação militar e nas negociações entre Rússia e Ucrânia; a saída de George, contudo, gerou críticas de parlamentares republicanos contra Hegseth. O ex-apresentador da Fox News, hoje secretário de Guerra, iniciou uma ampla reformulação na cúpula militar em 2026, em meio ao conflito aberto contra o Irã. "Adam Telle é um grande patriota, respeitado por todos", afirmou Trump em post na Truth Social. Telle atua no Gabinete de Obras Civis do Exército desde agosto de 2025, segundo o Legistorm, site que monitora legisladores e assessores; antes, passou 20 anos trabalhando principalmente no Congresso — inclusive como chefe de gabinete do senador republicano Bill Hagerty, do Tennessee, entre 2021 e 2025 —, trabalhou 18 meses na Casa Branca no primeiro mandato de Trump como assistente especial para assuntos legislativos e por mais de dez anos para o falecido senador Thad Cochran, do Mississippi. Ele vai supervisionar a maior força de combate do país num momento em que os Estados Unidos ainda estão envolvidos no conflito com o Irã e forças significativas do Exército estão estacionadas no Oriente Médio. Segundo o Wall Street Journal, Driscoll e George desenvolviam juntos projetos de renovação tecnológica e viajaram à Ucrânia antes da demissão do general — cuja remoção provocou críticas a Hegseth entre deputados e senadores do próprio partido.
Hegseth e a limpeza na cúpula: o Pentágono em guerra consigo mesmo
Desde que assumiu, Pete Hegseth — apresentador da Fox sem experiência de gestão, confirmado pelo Senado por um voto de desempate — conduziu a maior reformulação da cúpula militar americana em décadas: demitiu o chefe do Estado-Maior Conjunto, a comandante da Marinha, o chefe da Guarda Costeira e dezenas de generais e almirantes, muitos por razões ligadas à agenda contra "diversidade" e "woke", rebatizou o Departamento de Defesa como Departamento de Guerra e concentrou decisões num círculo de leais; a saída de Driscoll — que Trump elogiou publicamente e que era visto como um dos secretários mais competentes, com papel nas negociações sobre a Ucrânia — e a de George, em abril, são o capítulo do Exército dessa história, e a reação de republicanos no Congresso mostra que o custo político começa a aparecer. O contexto torna a mudança mais grave: os Estados Unidos estão em guerra com o Irã há seis meses, com 18 mortos, US$ 37,5 bilhões gastos e tropas do Exército no Golfo, e a força terrestre troca de secretário e de chefe do Estado-Maior no meio do conflito, entregando o comando civil a Adam Telle — assessor parlamentar de carreira, sem experiência militar ou de gestão de defesa, cuja qualificação principal é a lealdade a Trump e o trânsito no Senado. Driscoll e George haviam apostado na modernização tecnológica do Exército — drones, guerra eletrônica, lições da Ucrânia — e viajaram a Kiev para aprender com o front; sua saída coloca em dúvida a continuidade desses projetos sob um chefe do Pentágono que os via como rivais. Para aliados e adversários, o sinal é de instabilidade no comando da maior força militar do mundo em plena guerra.
Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a troca é mais uma peça de um padrão perigoso. "Hegseth demitiu o chefe do Estado-Maior do Exército em abril e agora o secretário civil pediu demissão — os dois que estavam modernizando a força com as lições da Ucrânia. No lugar, um assessor de senador, 'grande patriota', sem passar por guerra ou por gestão. Tudo isso com tropas no Golfo e uma guerra sem fim contra o Irã. Não é reforma; é purga, e os republicanos do Senado começaram a reclamar porque sabem que o Exército não funciona à base de lealdade. O portal registra a nomeação e lembra que Driscoll saiu elogiado pela Casa Branca — o que significa que quem venceu foi Hegseth, e que Trump deixou. A maior força militar do mundo está sendo gerida como programa de TV", avalia.
Dan Driscoll: quem saiu
Veterano do Exército, advogado e ex-executivo, Driscoll foi nomeado secretário em 2025 com apoio do vice J. D. Vance, de quem era amigo de faculdade; ganhou papel nas negociações sobre a Ucrânia e na modernização da força, entrou em atrito com Hegseth por autonomia e prioridades e pediu demissão em 31 de agosto, com elogios da Casa Branca.
Randy George: a demissão de abril
Chefe do Estado-Maior do Exército desde 2023, o general foi demitido por Hegseth em abril após divergências e depois da viagem à Ucrânia com Driscoll; sua saída, sem justificativa pública, gerou críticas de republicanos das comissões de Forças Armadas e foi lida como retaliação a um aliado do secretário.
Adam Telle: o novo secretário interino
Vinte anos no Congresso — chefe de gabinete de Bill Hagerty, uma década com Thad Cochran —, 18 meses na Casa Branca no primeiro governo Trump e, desde agosto de 2025, no Gabinete de Obras Civis do Exército, que gerencia o Corpo de Engenheiros; é nomeação de confiança e de trânsito legislativo, não de experiência militar. A confirmação definitiva depende do Senado.
Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o timing com a guerra é o que preocupa aliados. "Nenhum país troca o comando do Exército no meio de uma guerra por briga interna — exceto este, que já trocou o chefe do Estado-Maior Conjunto, o da Marinha e agora o do Exército em dezoito meses. Os iranianos, os russos e os chineses assistem. A Otan, que já desconfia, assiste. O Brasil, que compra equipamento e treina com o Exército americano, assiste. Hegseth quer um Pentágono de leais; o resultado é um Pentágono sem quem saiba fazer guerra — a que ele mesmo está travando. O portal registra e observa que os projetos de drones e guerra eletrônica que Driscoll e George trouxeram da Ucrânia são os que o Exército mais precisa contra o Irã, e são os que ficaram órfãos", observa.
Hegseth: a reformulação de 2026
O secretário de Guerra promoveu em 2026 nova rodada de mudanças na cúpula, com demissões e promoções de oficiais alinhados, cortes em programas de diversidade e centralização de decisões; a guerra com o Irã, iniciada em fevereiro, deu urgência e cobertura política às mudanças — e expôs as tensões com os secretários das forças.
Republicanos críticos: o custo no Congresso
Senadores e deputados republicanos das comissões de defesa criticaram a demissão de George e cobram explicações sobre a de Driscoll; a confirmação de Telle passa pelo Senado, e a oposição interna pode transformar a audiência em julgamento da gestão Hegseth — em ano de eleição legislativa.
Ucrânia: o elo perdido
Driscoll e George viajaram a Kiev para estudar o uso de drones e guerra eletrônica e trazer as lições ao Exército americano; Driscoll também participou de negociações entre Rússia e Ucrânia como emissário; sua saída retira do governo um dos poucos interlocutores com experiência direta do conflito.
O Exército na guerra contra o Irã
Com unidades no Golfo, no Iraque e na Jordânia, defesa antimíssil, logística e forças de reação, o Exército sustenta a operação contra o Irã que a Marinha e a Força Aérea lideram; o comando civil interino e a vacância no Estado-Maior chegam num momento em que o conflito não tem fim previsto.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a nomeação é um retrato do segundo governo Trump. "Lealdade acima de competência, purga acima de continuidade, e um apresentador de TV mandando em generais no meio de uma guerra. Adam Telle pode ser um bom gestor — não se sabe, porque nunca geriu nada dessa escala. O que se sabe é que os dois que modernizavam o Exército foram embora e que Hegseth ficou. O portal registra a nomeação, a guerra e o silêncio da Casa Branca sobre por que o secretário elogiado pediu para sair", analisa.
A nomeação de Adam Telle como secretário interino do Exército dos Estados Unidos, após a demissão de Dan Driscoll por atritos com o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, foi anunciada por Donald Trump em 3 de setembro de 2026 e noticiada pelo G1; o general Randy George, chefe do Estado-Maior do Exército, havia sido demitido em abril, e o país segue em guerra contra o Irã.