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Conflitos

Estados Unidos atacam três petroleiros iranianos, um deles ancorado junto à Ilha de Kharg

Escalada aprofunda a guerra iniciada em fevereiro, que perturba o abastecimento global; Trump disse em 31 de agosto que Kharg estava sendo 'reduzida a pedacinhos', e o Irã prometeu resposta.

Capa do artigo Estados Unidos atacam três petroleiros iranianos, um deles ancorado junto à Ilha de Kharg
— Foto: Norrin strange / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

Estados Unidos atacam três petroleiros iranianos, um deles ancorado junto à Ilha de Kharg, depois que a Guarda Revolucionária lançou mísseis balísticos contra dois navios da Marinha americana: "se vocês atacarem dois de nossos navios, imporemos um custo econômico ainda maior — destruindo três dos seus", diz o almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central; agência iraniana Tasnim fala em quatro mísseis contra um petroleiro no ancoradouro de Kharg, sem vítimas, e nenhum militar americano ficou ferido

As forças americanas atacaram três petroleiros iranianos neste sábado (5 de setembro), informou o Comando Central dos Estados Unidos, incluindo um na costa da Ilha de Kharg, próxima ao principal centro de exportação de petróleo do Irã. Os ataques foram realizados depois que a Guarda Revolucionária Islâmica lançou mísseis balísticos contra dois navios da Marinha americana, segundo o Comando Central. "Que a mensagem para o IRGC fique clara: se vocês atacarem dois de nossos navios, imporemos um custo econômico ainda maior — destruindo três dos seus", disse o almirante Brad Cooper, chefe do comando. As informações são do InfoMoney.

A Tasnim, agência semioficial iraniana, informou anteriormente que quatro mísseis americanos atingiram um petroleiro na área de ancoradouro de Kharg, citando fontes locais segundo as quais não houve vítimas e a tripulação estava sendo evacuada; nenhum membro da equipe americana ficou ferido, informou o Comando Central, e não houve comunicado oficial imediato das autoridades iranianas. A troca de ataques segue uma escalada na semana passada que ameaça aprofundar um conflito que se arrasta desde que os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irã em fevereiro, perturbando o abastecimento global de energia e gerando oposição da maioria dos americanos antes das eleições para o Congresso em novembro. O presidente Donald Trump afirmou em 31 de agosto, numa postagem de uma linha acompanhada por vídeo gerado por inteligência artificial, que a Ilha de Kharg estava sendo "reduzida a pedacinhos"; as autoridades iranianas prometeram resposta contundente caso a ilha seja atacada. O Irã é o terceiro maior produtor da Opep e exportava 90% de seu petróleo pela Ilha de Kharg antes da guerra, mas os fluxos foram interrompidos desde que o bloqueio americano às exportações iranianas começou, em meados de abril. Trump afirmou em 11 de junho que queria tomar a ilha, mas depois disse que uma operação militar no local estava fora de questão por enquanto, dias antes de Teerã e Washington assinarem um acordo provisório com o objetivo de encerrar a guerra; um ataque a Kharg pressionaria ainda mais a indústria petrolífera e a economia iraniana, já abaladas pelo bloqueio naval.

Kharg, o coração do petróleo iraniano — e o alvo que Trump não decide tomar

A Ilha de Kharg, um afloramento de 20 quilômetros quadrados a 25 quilômetros da costa iraniana no norte do Golfo Pérsico, é o terminal por onde saiu, por meio século, praticamente todo o petróleo exportado pelo Irã — 90% antes da guerra, cerca de 1,5 milhão de barris por dia, a maior parte para a China —, e é por isso o ponto mais sensível do conflito: bombardeada pelo Iraque nos anos 1980, protegida por baterias antiaéreas e pela Guarda Revolucionária, ficou paralisada desde que a Marinha americana impôs o bloqueio às exportações iranianas em abril, e Trump oscila desde junho entre a ameaça de tomá-la — o que exigiria uma operação anfíbia e a ocupação de território iraniano, passo que nem os falcões de Washington defendem abertamente — e a promessa de "reduzi-la a pedacinhos" por ar, como disse com um vídeo de IA no fim de agosto. O ataque de sábado a três petroleiros, um deles no ancoradouro da ilha, é a resposta calibrada: destruir navios, não a infraestrutura, com uma aritmética explícita — dois navios nossos atacados, três seus destruídos — que o almirante Cooper anunciou como regra; a Guarda Revolucionária, ao lançar mísseis balísticos contra navios de guerra americanos, mostrou que mantém capacidade de ataque seis meses depois de a campanha inicial ter matado seu comando, e a agência Tasnim, ao informar que não houve mortos e a tripulação foi evacuada, mostrou o interesse de Teerã em não escalar além do ponto. O contexto político pesa dos dois lados: nos Estados Unidos, a gasolina bate recorde de Dia do Trabalho, a maioria da população se opõe à guerra, e as eleições de novembro ameaçam a maioria republicana; no Irã, a economia sufocada pelo bloqueio e o governo fragmentado após a morte do líder supremo tornam qualquer negociação frágil — o acordo provisório de junho não se sustentou, e a semana viu o ataque a um casamento no sul do país, atribuído aos Estados Unidos, e a promessa de vingança do comandante da Guarda. Cada petroleiro afundado em Kharg é um barril a menos no mercado e um dólar a mais no diesel que o Brasil importa.

Para , editor do portal, a fórmula do almirante é o retrato da guerra que ninguém sabe terminar. "'Ataquem dois navios, destruímos três petroleiros' — é a lógica de troca de golpes de uma guerra sem objetivo final, seis meses depois de o presidente dizer que duraria seis semanas. Kharg é o coração do petróleo iraniano e Trump não decide se toma, bombardeia ou negocia; enquanto isso, afunda navio, o Irã lança míssil, e o Golfo segue fechado. O Brasil, que importa diesel e fertilizante que passam por ali, paga a conta no posto e na lavoura. O portal registra o ataque de sábado ao lado da gasolina recorde nos Estados Unidos e do 'fichinha' de Trump — porque é tudo a mesma guerra, e ela está longe de ser fichinha para quem abastece caminhão em Araras", avalia.

O ataque de sábado: três petroleiros, um em Kharg

Forças americanas atingiram três navios-tanque iranianos, um deles ancorado junto à ilha; a Tasnim relatou quatro mísseis contra o petroleiro de Kharg, tripulação evacuada, sem mortos; o Comando Central não detalhou os outros dois alvos nem o armamento usado, e afirmou que nenhum militar americano ficou ferido.

Os mísseis da Guarda Revolucionária

Mísseis balísticos lançados contra dois navios da Marinha americana — sem registro de dano — mostraram que o IRGC preserva capacidade ofensiva após seis meses de bombardeios e a morte de sua cúpula em fevereiro; o ataque, que Washington tratou como provocação, motivou a resposta proporcional anunciada por Cooper.

Brad Cooper e a "mensagem clara"

O almirante que comanda as forças americanas no Oriente Médio formulou a regra de retaliação econômica — navios de guerra atacados, petroleiros destruídos —, sinalizando que os Estados Unidos preferem atingir a receita do Irã a escalar contra alvos militares ou civis; é a doutrina do bloqueio, estendida ao mar.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o bloqueio de Kharg é a arma mais eficaz — e a mais perigosa. "Desde abril, o Irã não exporta petróleo; a economia sufoca, o regime se fragmenta, e a Guarda Revolucionária responde com míssil porque não tem mais nada a perder. Cada petroleiro afundado aperta o cerco e aumenta o desespero de quem está do outro lado — e desespero, numa guerra, é o que produz o próximo ataque a navio no Golfo. Trump fala em reduzir Kharg a pedacinhos com vídeo de IA; o Irã promete vingança por um casamento bombardeado. O portal registra que o acordo provisório de junho durou dias, e que ninguém apresentou outro. É o impasse que o mundo paga a US$ 90 o barril", observa.

Kharg: 90% das exportações, zero desde abril

Terminal de petróleo construído nos anos 1960, ampliado pelo Xá e bombardeado pelo Iraque, Kharg escoa a produção dos campos do sudoeste iraniano; com o bloqueio naval americano desde meados de abril, os petroleiros ancoram sem sair, e o Irã, terceiro produtor da Opep, perdeu sua principal receita — o que Teerã chama de guerra econômica.

Trump e a ilha: tomar, bombardear ou negociar

Em 11 de junho, o presidente disse querer tomar Kharg; dias depois, descartou operação militar e assinou acordo provisório com Teerã, que não se sustentou; em 31 de agosto, postou que a ilha estava sendo "reduzida a pedacinhos"; sábado, atacou petroleiros. A oscilação reflete a ausência de estratégia de saída que Vance admitiu nesta semana.

O acordo provisório de junho: por que falhou

Assinado dias após a ameaça a Kharg, previa suspensão de ataques e negociação sobre o urânio enriquecido; sem governo iraniano unificado para cumprir e com Israel contrário, ruiu em semanas, e a guerra retomou o padrão de ataques a navios em Ormuz e retaliações americanas — o ciclo que o sábado repete.

Efeito global: petróleo a US$ 90, gasolina recorde, diesel caro

Cada escalada em Kharg e em Ormuz eleva o prêmio de risco do barril; o petróleo voltou a superar US$ 90 nesta semana, a gasolina americana bate recorde no Dia do Trabalho, e o Brasil, importador de diesel e de fertilizante nitrogenado, sente no frete, na lavoura e na inflação — o que o Banco Central acompanha para a Selic.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o sábado no Golfo é a rotina de uma guerra que virou paisagem. "Míssil contra navio, míssil contra petroleiro, comunicado do almirante, nota da agência iraniana, petróleo sobe, vida segue — seis meses assim. O que era para ser seis semanas virou o pano de fundo permanente da economia mundial, e ninguém em Washington ou Teerã tem plano além do próximo golpe. O portal registra os três petroleiros e a frase de Cooper, e pergunta o que Vance não soube responder: quando acaba? A resposta, hoje, está com quem lança o próximo míssil", analisa.

O ataque das forças americanas a três petroleiros iranianos, um deles junto à Ilha de Kharg, em resposta ao lançamento de mísseis balísticos da Guarda Revolucionária contra dois navios da Marinha dos Estados Unidos, ocorreu em 5 de setembro de 2026 e foi noticiado pelo InfoMoney; a guerra entre os dois países começou em fevereiro, e o bloqueio americano às exportações de petróleo iraniano vigora desde meados de abril.

Fontes e referências

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