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João Amoêdo vê Augusto Cury em alta, critica o "corporativismo" do Supremo no caso Moraes

Fundador do Novo diz que Moraes deveria ter se afastado, vê Cury como primeiro da terceira via com dois dígitos e alerta para anistia num governo Flávio.

Capa do artigo João Amoêdo vê Augusto Cury em alta, critica o "corporativismo" do Supremo no caso Moraes
— Foto: Canal do Otário / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

João Amoêdo vê Augusto Cury em alta, critica o "corporativismo" do Supremo no caso Moraes — "virou mais importante defender o colega do que defender a instituição" — e ainda não define voto: fundador do Novo diz que o eleitor vai às urnas em outubro "movido menos pela escolha do que pela rejeição", admite querer conhecer melhor o candidato do Avante, primeiro da terceira via a alcançar dois dígitos, e alerta para o risco de um governo Flávio Bolsonaro que promete anistiar o pai

João Amoêdo não vai disputar cargo nenhum nesta eleição, mas continua sendo um dos nomes mais cortejados do campo liberal brasileiro. Fundador e ex-presidente do Partido Novo, do qual se desfiliou em 2022, o empresário e engenheiro carioca — hoje dedicado a cuidar dos próprios investimentos — acompanha a corrida de 2026 com um diagnóstico severo: o de que o eleitor voltará às urnas em outubro movido menos pela escolha do que pela rejeição. Em entrevista à BBC News Brasil, Amoêdo avalia que essa lógica da repulsa ajuda a explicar o fenômeno recente da campanha, o crescimento do escritor Augusto Cury, candidato do Avante, o primeiro da terceira via a alcançar dois dígitos nas pesquisas. As informações são da BBC News Brasil.

Amoêdo diz que ainda não decidiu se apoiará alguém no primeiro turno, mas admite querer conhecer melhor Cury — sinal de que um eventual apoio não está descartado. O empresário reserva as palavras mais duras para a crise no Supremo Tribunal Federal a partir das revelações sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o Banco Master, de Daniel Vorcaro: para ele, o tribunal deveria ter afastado Moraes, e o silêncio da corte é sinal de um "corporativismo" que corrói a instituição. "Uma promiscuidade muito grande entre o setor público e o setor privado. E a questão do Alexandre de Moraes é impressionante. Eu não entendo o posicionamento dele de não ter se afastado lá atrás, e entendo menos ainda o enorme corporativismo do Supremo Tribunal Federal, de alguns membros, em que virou mais importante defender o colega do que defender a instituição", afirma. "Alexandre de Moraes deveria ter solicitado o seu afastamento desde o momento em que foi divulgado o contrato milionário da sua esposa com o banco Master." Ele também alerta para o risco de um eventual governo de Flávio Bolsonaro, que promete anistiar o pai, e para um país que, refém dos juros altos e da baixa ambição, assiste a outras nações "deslancharem".

Quem é Amoêdo — e por que sua voz pesa no campo liberal

Engenheiro, ex-executivo de bancos — Unibanco, Itaú BBA —, João Amoêdo fundou o Partido Novo em 2011 com a proposta de um liberalismo sem carreira política, financiado por doações e avesso ao fundo partidário; foi candidato a presidente em 2018, com 2,5% dos votos e discurso de Estado mínimo, e presidiu o partido até romper com ele em 2022, quando o Novo se aproximou de Jair Bolsonaro e Amoêdo declarou voto em Lula no segundo turno, por considerar o então presidente uma ameaça à democracia — gesto que o tornou persona non grata na direita e referência de um liberalismo que não se confunde com o bolsonarismo. Fora de partido desde então, é cortejado por candidatos de centro e de direita moderada a cada eleição e usa a influência como formador de opinião entre empresários, economistas e eleitores de renda alta que rejeitam tanto o PT quanto o clã Bolsonaro; sua avaliação de que a eleição de 2026 será decidida pela rejeição, e não pela escolha, e sua abertura a Augusto Cury — o psiquiatra e escritor de best-sellers que surpreendeu ao chegar a dois dígitos pelo Avante — são leitura do que esse eleitor sente. Sobre o Supremo, Amoêdo fala como quem defendeu a corte contra Bolsonaro e agora a vê falhar por dentro: "corporativismo" é a palavra que escolhe.

Para , editor do portal, a entrevista revela o eleitor que ninguém tem. "Amoêdo é o liberal que votou em Lula em 2022 para barrar Bolsonaro e agora diz que Lula é juro alto e baixa ambição, que Flávio é anistia ao pai, e que o Supremo que ele defendeu virou clube que protege Moraes. Não é bolsonarista, não é petista, não é candidato — é o retrato do eleitor de centro que decide eleição e que, em 2026, está sem lugar. Por isso Cury cresce: é o nome em que esse eleitor projeta a rejeição a todos os outros. Amoêdo diz que quer conhecê-lo melhor; é o mesmo que dizer que ainda não acredita. O que ele diz sobre Moraes — deveria ter se afastado quando o contrato da mulher apareceu — é o que Joaquim Falcão disse na quinta. Dois liberais, uma conclusão: o Supremo está se protegendo. O portal registra", avalia.

Augusto Cury: o fenômeno da terceira via

Psiquiatra e autor de mais de 30 livros de autoajuda com dezenas de milhões de exemplares vendidos, Cury entrou na disputa pelo Avante como nome de fora da política e, segundo o agregador de pesquisas da BBC, tornou-se o primeiro candidato da terceira via a ultrapassar 10% — com Lula e Flávio Bolsonaro empatados no segundo turno; seu discurso de "saúde emocional" da nação e de rejeição à polarização atrai o eleitor que Amoêdo descreve. Falta demonstrar programa e equipe.

"Movido pela rejeição": o diagnóstico da eleição

Amoêdo avalia que o voto de outubro será, em grande parte, contra — contra Lula, contra Bolsonaro, contra o sistema — e que isso beneficia quem não carrega rejeição prévia; é a leitura que explica Cury e que preocupa as duas campanhas líderes, dependentes de mobilizar rejeição ao adversário para vencer o segundo turno.

Moraes e o Supremo: a crítica ao "corporativismo"

Para Amoêdo, o ministro deveria ter pedido afastamento quando o contrato de R$ 131 milhões do escritório de sua mulher com o Master veio à tona, e a corte deveria tê-lo afastado quando ele não o fez; o silêncio dos colegas — até a explosão desta semana entre Moraes e Mendonça — é, na sua leitura, corporativismo que coloca o colega acima da instituição. É crítica de quem defendeu o STF em 2022.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o alerta sobre Flávio é o ponto que mais incomoda a direita. "Amoêdo diz, com todas as letras, que um governo Flávio Bolsonaro que promete anistiar o pai é risco — e diz isso depois de criticar Lula e o Supremo. É a posição mais difícil da política brasileira: rejeitar os dois polos ao mesmo tempo. A direita liberal que ele fundou no Novo se dividiu entre aderir ao bolsonarismo e ficar sem partido; ele ficou sem partido. Se ele apoiar Cury, dá ao psiquiatra o selo de seriedade que falta; se ficar em silêncio, mostra que nem a terceira via o convence. Em qualquer caso, a entrevista mostra que há um eleitor de centro-direita que Flávio não tem e Lula não terá — e que pode decidir o segundo turno pela abstenção ou pelo voto nulo", observa.

Flávio Bolsonaro e a anistia: o risco apontado

O candidato do PL, empatado com Lula, promete anistiar o pai, condenado por golpe de Estado; para Amoêdo, é sinal de governo que usaria o poder para reverter decisão judicial em benefício familiar — o tipo de "promiscuidade" que ele critica em todos os campos. É a linha vermelha que o separa do bolsonarismo desde 2022.

Juros altos e "baixa ambição": a crítica ao governo Lula

Selic a 14%, dívida crescente, arcabouço que comprime o discricionário e um país que "assiste a outras nações deslancharem" — Amoêdo repete o diagnóstico liberal de que o Brasil precisa de reforma administrativa, abertura e disciplina fiscal, e que o governo atual não as fará. É a agenda que ele tentaria vender a Cury, se decidir apoiá-lo.

O Novo sem Amoêdo: o partido que fundou

Desde a ruptura de 2022, o Novo alinhou-se à direita bolsonarista em votações e alianças, elegeu governador em Minas com Romeu Zema e perdeu a marca de "diferente" que Amoêdo pregava; o fundador não voltou nem criou outra legenda. Sua influência é pessoal — e cortejada por quem quer o eleitor liberal.

A terceira via em 2026: chance ou miragem

Eleições recentes viram candidatos de centro subirem em agosto e murcharem em outubro — Marina em 2014, Ciro e Simone Tebet em 2022 —; Cury, com dois dígitos a um mês do pleito e sem estrutura partidária forte, enfrenta o teste do tempo de televisão e das alianças. O apoio de nomes como Amoêdo é o que pode diferenciar 2026.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a entrevista é útil porque não pede voto. "Amoêdo não é candidato, não tem partido e não quer nada — por isso pode dizer que o Supremo está se protegendo, que Lula é juro alto, que Flávio é anistia e que Cury precisa ser conhecido. É o diagnóstico de um cidadão informado e sem lado, o que a política brasileira quase não produz. O portal não endossa; registra. E lembra que, se a eleição for decidida pela rejeição, como ele diz, o vencedor vai governar sem ter sido escolhido — e é isso que Amoêdo, com a experiência de 2018 e 2022, está avisando", analisa.

A entrevista de João Amoêdo à BBC News Brasil, com avaliações sobre o crescimento de Augusto Cury, a crise no Supremo Tribunal Federal e os riscos de um governo Flávio Bolsonaro, foi publicada em 5 de setembro de 2026; o fundador do Partido Novo, desfiliado desde 2022, afirma não ter definido seu voto para o primeiro turno.

Fontes e referências

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