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Prisões de imigrantes nos Estados Unidos batem novo recorde em agosto

Em 2025, o ICE fez 328 mil detenções; em junho de 2026, mais de 43 mil; orçamento recorde e relatos de brutalidade acompanham a escalada.

Capa do artigo Prisões de imigrantes nos Estados Unidos batem novo recorde em agosto
— Foto: Photograph by Mike Peel (www.mikepeel.net). / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Prisões de imigrantes nos Estados Unidos batem novo recorde em agosto: ICE deteve 50.925 pessoas em um mês, o maior número desde o início da política de deportação de Trump e o segundo recorde consecutivo — ainda longe da meta de 1 milhão por ano; levantamento do New York Times mostra que a maioria dos detidos em julho não tinha antecedentes criminais, e o secretário Markwayne Mullin manda: "Se você está no país ilegalmente, VÁ EMBORA AGORA"

As prisões de imigrantes em situação irregular nos Estados Unidos bateram recorde em agosto: agentes do Serviço de Imigração e Alfândega, o ICE, detiveram 50.925 pessoas no mês, segundo dados do Departamento de Segurança Interna, o DHS. É o maior registro em um único mês desde que o governo de Donald Trump começou a implementar a política de caça e deportação de estrangeiros que vivem no país sem visto de residência ou de trabalho válidos ou sem cidadania — e o segundo mês consecutivo de recorde. Em junho, o número já ficara acima da média, com mais de 43 mil prisões. As informações são do G1.

"Isso é a prova de promessas feitas e cumpridas na prática. Sob a liderança do presidente Trump, o ICE trabalha incansavelmente, todos os dias, para deter e deportar imigrantes ilegais das comunidades americanas", disse o secretário do DHS, Markwayne Mullin. "Se você está no país ilegalmente, VÁ EMBORA AGORA." Apesar do recorde, o total está abaixo da meta anual de 1 milhão de detidos estabelecida por Trump no início do segundo mandato: em 2025, o ICE realizou 328 mil detenções, segundo dados da própria agência coletados pela imprensa americana. Levantamento do The New York Times indicou que a maioria dos detidos em julho violou leis civis de imigração e não tinha antecedentes criminais. O cerco tem se apertado nos últimos meses, como indicam relatos por todo o país e as estatísticas.

De 328 mil a 50 mil por mês: a escalada

O ritmo de 2025 — 328 mil prisões, cerca de 27 mil por mês — dobrou em 2026 com o dinheiro aprovado pelo Congresso: a lei orçamentária de julho de 2025 destinou cerca de US$ 75 bilhões ao ICE ao longo de quatro anos, para contratar 10 mil agentes, ampliar centros de detenção para mais de 100 mil vagas e financiar voos de deportação, tornando a agência a força policial federal mais bem financiada do país. Com agentes, prisões e aviões, as operações passaram de alvos com antecedentes — a promessa original de "deportar criminosos" — a batidas em locais de trabalho, tribunais de imigração, estacionamentos de lojas e bairros de maioria latina, o que explica por que a maioria dos detidos em julho, segundo o New York Times, tinha apenas infrações civis de imigração. Os 50.925 de agosto são o resultado dessa máquina em velocidade de cruzeiro; a meta de 1 milhão exigiria dobrá-la de novo.

Para , editor do portal, o número tem nome e endereço no Brasil. "Há centenas de milhares de brasileiros sem documentos nos Estados Unidos — em Massachusetts, na Flórida, em Nova Jersey, na Califórnia —, e cada recorde do ICE é uma família de Governador Valadares, de Criciúma ou de Anápolis com alguém preso ou deportado. Os voos com algemas de 2025 mostraram como. O secretário diz 'vá embora agora' em letras maiúsculas; a maioria dos presos em julho não tinha crime nenhum além de estar lá. Trump prometeu deportar bandidos e está deportando pedreiros. O Itamaraty precisa ter consulado, advogado e voo de volta com dignidade — e o Brasil precisa entender que 50 mil por mês é o novo normal, não o pico", avalia.

Meta de 1 milhão: a promessa de campanha

Trump prometeu a "maior operação de deportação da história" e fixou, ao tomar posse, a meta de 1 milhão de remoções por ano; o número real de deportações — distinto de prisões — ficou abaixo, limitado por vagas de detenção, capacidade de voos e acordos com países de destino. O recorde de agosto reduz a distância, mas o governo precisaria manter 83 mil prisões mensais para alcançá-la.

Maioria sem antecedentes: o levantamento do New York Times

A análise de dados do ICE referentes a julho mostrou que mais da metade dos detidos não tinha condenação nem acusação criminal — apenas violação civil de imigração, como permanência além do visto ou entrada sem inspeção —, contrariando o discurso oficial de foco em criminosos. Organizações de direitos civis usam o dado em ações judiciais contra prisões sem mandado.

Markwayne Mullin: o secretário e o tom

Ex-senador de Oklahoma e aliado de Trump, Mullin assumiu o DHS em 2026 com discurso de linha dura e comunicação em maiúsculas nas redes sociais; o departamento supervisiona o ICE, a Patrulha de Fronteira e a Alfândega, e tem sido alvo de processos por condições nos centros de detenção e por mortes sob custódia.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o custo econômico ainda não apareceu na conta. "Cinquenta mil presos por mês são cinquenta mil trabalhadores tirados de obras, fazendas, restaurantes e fábricas — setores que dependem de imigrante sem documento e já relatam falta de mão de obra e alta de preços. A economia americana cresceu décadas com essa força de trabalho invisível; deportá-la em escala custa inflação e produção. Trump aceita a conta porque o eleitor pediu. O que os dados de julho mostram é que o alvo não é o criminoso, é o trabalhador — e isso, cedo ou tarde, chega ao preço do tomate na Flórida e da casa no Texas", observa.

Brasileiros: quantos são e o que acontece

Estimativas de organizações e do governo brasileiro apontam centenas de milhares de brasileiros em situação irregular nos Estados Unidos, concentrados na Nova Inglaterra, na Flórida e no Nordeste do país; desde 2025, voos de deportação chegam a Confins e Fortaleza regularmente, e o governo brasileiro protestou contra o uso de algemas e correntes. Consulados relatam aumento de pedidos de assistência jurídica.

Voos de deportação ao Brasil: o que mudou desde 2025

Os voos fretados pelo ICE com brasileiros deportados chegam a Confins, em Minas Gerais, e a Fortaleza desde o primeiro mandato de Trump, mas ganharam frequência e polêmica em 2025, quando passageiros desembarcaram algemados nos pés e nas mãos, sem água e com relatos de agressão — episódio que levou o governo brasileiro a exigir explicações, a proibir o uso de correntes em solo nacional e a assumir o trecho final dos voos com aeronaves da FAB. Em 2026, com o ritmo de prisões dobrado, o número de brasileiros removidos cresce, e a Polícia Federal e o Ministério das Relações Exteriores montaram estrutura de recepção em Confins, com assistência social e triagem. Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, é a cidade que mais recebe deportados — e a que mais envia emigrantes há quatro décadas.

Centros de detenção: capacidade e condições

A população detida pelo ICE ultrapassou 60 mil pessoas em 2025 e cresce com novos centros — incluindo instalações improvisadas, como a apelidada de "Alligator Alcatraz", na Flórida —; relatórios de inspeção, ações judiciais e reportagens documentam superlotação, falta de atendimento médico e mortes sob custódia em número recorde.

Tribunais: as batalhas judiciais

Juízes federais suspenderam prisões sem mandado em algumas jurisdições, contestaram deportações sem audiência e ordenaram o retorno de deportados por erro; a Suprema Corte, de maioria conservadora, permitiu a continuidade de parte das operações. O contencioso é a principal barreira à meta de 1 milhão.

Relatos de brutalidade: o que a imprensa documenta

Vídeos de prisões violentas em ruas, tribunais e locais de trabalho, detenção de cidadãos americanos por engano e relatos como o de um influenciador britânico simpatizante de Trump, que descreveu "brutalidade" e "muito medo" ao ser detido, alimentam o debate público; o DHS nega abusos sistemáticos.

Eleições de meio de mandato: o cálculo político

Com as eleições legislativas de novembro de 2026, Trump aposta na imigração como tema de mobilização de sua base; democratas exploram os excessos e o custo econômico. O recorde de agosto é, também, peça de campanha — daí o tom do secretário.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o número importa pelo que anuncia. "Dois recordes seguidos, orçamento de 75 bilhões, 10 mil agentes novos: a máquina ainda está acelerando. Quem acha que o pior passou não leu o comunicado — 'vá embora agora' não é retórica, é plano de trabalho. Para o brasileiro que está lá sem papel, a mensagem é clara e cruel; para o governo brasileiro, é tarefa: proteger, assistir e receber quem volta. E para o resto do mundo, é a demonstração de que o país que se construiu com imigrantes decidiu, por ora, caçá-los", analisa.

O recorde de 50.925 prisões de imigrantes pelo ICE em agosto de 2026 foi divulgado pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos e noticiado pelo G1 em 3 de setembro de 2026. A meta anual fixada por Donald Trump é de 1 milhão de detenções.

Fontes e referências

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