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Roubo de petróleo em oleoduto na Nigéria deixa ao menos 37 mortos

A polícia confirmou o incidente sem divulgar vítimas; o YEAC-Nigéria contabilizou os mortos; a sabotagem de dutos e o roubo de petróleo causam grave poluição num dos maiores produtores da África.

Capa do artigo Roubo de petróleo em oleoduto na Nigéria deixa ao menos 37 mortos
— Foto: Alvoradaking / Wikimedia Commons (CC0)

Roubo de petróleo em oleoduto no sul da Nigéria deixa ao menos 37 mortos por inalação de vapores de combustível, e "muitas outras pessoas ainda estão desaparecidas", informa ONG local: jovens haviam conectado uma mangueira a um ponto de extração de um duto que transporta produto da unidade petroquímica Indorama Eleme, em Okrika, perto de Port Harcourt, capital do estado de Rivers — incidentes assim são rotina no delta do Níger, onde contrabandistas perfuram oleodutos para roubar petróleo e refiná-lo clandestinamente para venda

Pelo menos 37 pessoas morreram nesta quinta-feira (3 de setembro) no sul da Nigéria após inalarem vapores de combustível durante um roubo a um oleoduto, informou uma ONG local. "Muitas outras pessoas ainda estão desaparecidas", afirmou o Centro de Defesa da Juventude e do Meio Ambiente, o YEAC-Nigéria, em comunicado. As informações são do G1.

Incidentes desse tipo são comuns no delta do Níger, onde contrabandistas perfuram oleodutos para roubar petróleo e refiná-lo em combustível para venda. A polícia informou que o incidente ocorreu em Okrika, perto de Port Harcourt, capital do estado de Rivers, mas não forneceu o número de vítimas; segundo a YEAC-Nigéria, "os jovens haviam conectado uma mangueira a um ponto de extração em um oleoduto que normalmente transporta o produto" da unidade petroquímica Indorama Eleme. A sabotagem de oleodutos e o roubo de petróleo causam grave poluição ambiental na Nigéria, um dos maiores produtores de petróleo da África. A morte por inalação de vapores — e não por explosão, como em tragédias anteriores no delta — sugere que as vítimas foram surpreendidas por gases tóxicos em espaço confinado ou em área alagada, cenário frequente nas operações noturnas de "bunkering", como o roubo é conhecido na região.

O delta que sangra óleo: como o roubo de petróleo virou economia, epidemia e ecocídio na região mais poluída da África

O delta do Níger produz a quase totalidade do petróleo nigeriano — cerca de 1,5 milhão de barris por dia em 2026, abaixo da capacidade de 2 milhões justamente por causa do roubo e da sabotagem — e é, ao mesmo tempo, uma das regiões mais pobres do país, onde comunidades ijaw, ogoni e ikwerre vivem entre manguezais contaminados, tochas de gás que queimam há décadas e dutos da Shell, da Eni, da TotalEnergies e da estatal NNPC que cruzam quintais e rios; o "bunkering" — a perfuração de dutos com válvulas artesanais, a coleta de óleo em barcaças e a refinação em "cozinhas" clandestinas de tambores e fogueiras — tornou-se a economia informal de centenas de milhares de pessoas, controlada por gangues, milícias que já foram insurgentes, políticos locais e, segundo investigações da própria Nigéria, oficiais de segurança que cobram pedágio; estimativas oficiais falam em 200 mil a 400 mil barris roubados por dia em anos recentes, US$ 3 bilhões anuais em perdas, e o governo Tinubu, que assumiu em 2023 prometendo combater o roubo com contratos de segurança privada — inclusive o polêmico acordo com o ex-líder miliciano Tompolo —, reduziu o volume mas não o padrão de tragédias: explosões em refinarias clandestinas mataram mais de 100 pessoas em Imo em 2022, dezenas em Rivers em 2023 e 2024, e agora ao menos 37 em Okrika, por vapores, com desaparecidos que a polícia não conta. O caso tem particularidades: o duto pertence à Indorama Eleme, complexo petroquímico de capital indonésio-indiano que produz fertilizantes e polímeros e cujo produto — nafta, condensado ou combustível — é mais volátil que o petróleo cru, o que explica a inalação letal; e a contagem vem de uma ONG, o YEAC-Nigéria, que documenta há anos o que as autoridades minimizam — a polícia confirmou o incidente sem número de vítimas, prática que reflete a relação entre Estado e comunidades: quem morre roubando petróleo não é contado como vítima. O custo ambiental é o outro lado: o delta acumula décadas de derramamentos, com solo, água e peixe contaminados, expectativa de vida dez anos abaixo da média nigeriana e um programa de limpeza da Ogonilândia, financiado pela Shell após relatório da ONU de 2011, que avança a passos lentos; cada perfuração e cada refinaria clandestina somam ao desastre, e a Shell, que vendeu seus ativos terrestres no delta em 2025 para sair do problema, deixou os dutos e a responsabilidade a empresas locais com menos capacidade. Para o Brasil, produtor de 4 milhões de barris por dia com a Petrobras e as licenças da Margem Equatorial em debate, o delta do Níger é o exemplo do que o petróleo faz a uma região quando a riqueza não chega a quem vive sobre o duto; e para o leitor que abastece em Araras, os 37 mortos de Okrika são o preço invisível de um barril que a guerra do Irã encareceu — e que, no delta, ainda é roubado com mangueira.

Para , editor do portal, a notícia mostra o petróleo em sua versão mais crua. "Trinta e sete jovens mortos por vapor, com uma mangueira num duto de petroquímica, numa região que produz o petróleo de um país inteiro e não tem água limpa. A polícia confirma e não conta; uma ONG conta. É o delta do Níger há trinta anos: Shell, gás queimado, milícia, roubo, explosão, enterro. O portal registra Okrika porque o mundo está pagando o petróleo mais caro em anos por causa de Ormuz — e na Nigéria ele ainda é roubado à mão por quem não tem outra economia. A Shell vendeu e foi embora; os dutos ficaram. Quem mora em cima deles morre inalando o que a gente abastece", avalia.

O incidente de Okrika

Quinta-feira, 3 de setembro, perto de Port Harcourt, no estado de Rivers: jovens conectaram uma mangueira a um ponto de extração num duto da Indorama Eleme; ao menos 37 morreram por inalação de vapores, segundo o YEAC-Nigéria, com muitos desaparecidos; a polícia confirmou o caso sem divulgar vítimas.

"Bunkering": a economia do roubo

Perfuração de dutos, coleta em barcaças, refinarias clandestinas de tambores e fogueiras, venda de combustível adulterado — a cadeia que emprega centenas de milhares no delta, controlada por gangues, ex-milicianos e agentes corruptos; estimativas oficiais chegaram a 400 mil barris roubados por dia em anos recentes.

Indorama Eleme: o duto de petroquímica

O complexo de fertilizantes e polímeros de capital indonésio-indiano transporta produtos mais voláteis que o petróleo cru — nafta, condensado, combustíveis —, o que explica a morte por vapores, e não por explosão; a empresa é uma das maiores operadoras industriais de Rivers.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a contagem feita por ONG é o dado mais revelador. "A polícia diz que houve incidente e não diz quantos morreram; o YEAC conta 37 e desaparecidos. É assim que o Estado nigeriano trata quem morre roubando petróleo: não é vítima, é ladrão — mesmo que tenha 19 anos e nenhuma outra renda. O portal registra e observa que a tragédia se repete a cada ano, com o mesmo roteiro, porque a única política é segurança privada com ex-milicianos. O delta precisa de economia, não de patrulha; e a Shell, que lucrou meio século, vendeu e saiu antes da conta", observa.

A sequência de tragédias: Imo, Rivers, Okrika

Mais de 100 mortos numa refinaria clandestina em Imo em 2022; dezenas em Rivers em 2023 e 2024; explosões, incêndios e agora inalação — o padrão de um roubo que mata quem o executa e contamina quem vive ao redor, sem que o volume roubado caia de forma sustentada.

Poluição: o delta mais contaminado da África

Décadas de derramamentos, tochas de gás, manguezais mortos, água e peixe contaminados e expectativa de vida dez anos abaixo da média nigeriana; a limpeza da Ogonilândia, recomendada pela ONU em 2011 e financiada pela Shell, avança lentamente enquanto cada perfuração adiciona um novo vazamento.

Shell, Tinubu e a saída das petroleiras

A Shell vendeu seus ativos terrestres no delta em 2025, transferindo dutos e passivos a operadoras locais; o governo Tinubu contratou segurança privada — incluindo o ex-líder miliciano Tompolo — para conter o roubo; a produção recuperou parte do volume, mas as mortes continuam.

O Brasil e o petróleo que não chega a quem vive sobre ele

Com 4 milhões de barris por dia e o debate sobre a Margem Equatorial, o Brasil olha para o delta como advertência: riqueza extraída, comunidade pobre, ambiente destruído; a Petrobras e o governo discutem partilha de royalties e licenciamento enquanto a Nigéria mostra o custo de errar.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a notícia de um parágrafo esconde a história de uma região. "Trinta e sete mortos cabem em seis linhas de agência, e o delta do Níger cabe em cinquenta anos de petróleo sem retorno. O portal registra Okrika e a mangueira porque, enquanto Trump bombardeia petroleiros e o barril sobe, o jovem nigeriano que morre inalando nafta é a ponta mais pobre da mesma cadeia que abastece o carro em Araras. Petróleo é riqueza para quem vende e maldição para quem mora em cima. O Brasil, com a Margem Equatorial à frente, deveria estudar a Nigéria antes de perfurar", analisa.

A morte de ao menos 37 pessoas por inalação de vapores de combustível durante um roubo a um oleoduto da Indorama Eleme em Okrika, perto de Port Harcourt, no estado nigeriano de Rivers, foi noticiada pelo G1 em 3 de setembro de 2026 com base em comunicado do Centro de Defesa da Juventude e do Meio Ambiente (YEAC-Nigéria); a polícia confirmou o incidente sem divulgar o número de vítimas, e a ONG afirmou que muitas pessoas seguem desaparecidas.

Fontes e referências

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