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Conflitos

Peru decreta emergência em cinco presídios e chama Forças Armadas

Homicídios subiram a 10,7 por 100 mil em 2025; no domingo anterior, falsos policiais mataram quatro e sequestraram um empresário de mineração; o governo pede poderes para rotular facções como.

Capa do artigo Peru decreta emergência em cinco presídios e chama Forças Armadas
— Foto: European Space Agency / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0 igo)

Peru declara estado de emergência em cinco presídios de alta segurança e entrega o controle das instalações à polícia e às Forças Armadas por 60 dias: decreto da presidente Keiko Fujimori, no cargo desde o fim de julho, mira organizações criminosas que operam de dentro das prisões — as cinco unidades abrigam cerca de metade dos detentos ligados a facções, e militares poderão agir para proteger o espaço aéreo e o espectro eletromagnético no entorno, contra drones e celulares

O Peru declarou neste sábado (5 de setembro) estado de emergência em cinco presídios de alta segurança, permitindo que a polícia e as forças militares assumam o controle das instalações em resposta às preocupações dos cidadãos com a segurança. A medida, adotada em decreto do governo com duração de 60 dias, foi emitida pela presidente Keiko Fujimori, que assumiu o cargo no fim de julho, com o objetivo de combater organizações criminosas que operam de dentro das prisões. As informações são da Agência Brasil.

As cinco prisões incluídas na ordem abrigam cerca de 50% dos detentos ligados a organizações criminosas, informou o governo; as forças militares e policiais estarão autorizadas a tomar medidas para proteger o espaço aéreo e o espectro eletromagnético nas imediações das unidades. A taxa de homicídios no Peru subiu para 10,7 por 100 mil habitantes no ano passado, ante 10,1 em 2024, segundo dados oficiais. No domingo anterior, homens armados disfarçados de policiais mataram quatro pessoas e sequestraram um empresário do setor de mineração no norte do país — libertado horas depois, após pagamento de resgate, segundo a polícia. O governo solicitou ao Congresso poderes legislativos por 120 dias para classificar organizações criminosas como "terroristas", mas a oposição levantou objeções.

Keiko no poder, Bukele como modelo: o Peru tenta responder à extorsão com militares nas prisões

Keiko Fujimori chegou à presidência do Peru em julho de 2026, na quarta tentativa, com a promessa de "mão dura" contra o crime que se tornou o tema dominante do país: a extorsão — cobrança de "cotas" de comerciantes, motoristas de ônibus, construtoras e escolas por gangues que matam quem não paga — cresceu de forma explosiva desde 2022, com dezenas de milhares de denúncias por ano, greves de transportadores em Lima e a chegada de facções transnacionais como o Tren de Aragua, venezuelano, que se somou a grupos locais como Los Pulpos e La Gran Familia; a taxa de homicídios, historicamente baixa para a região, subiu a 10,7 por 100 mil, e o sequestro de um empresário de mineração no norte por falsos policiais, na semana passada, é o crime que resume o momento — o país que exporta cobre e ouro vê o setor virar alvo. A resposta de Keiko copia o roteiro de Nayib Bukele em El Salvador — estado de emergência, militares nas prisões, bloqueio de celulares e drones, classificação de gangues como terroristas — e o de Daniel Noboa no Equador, que em 2024 declarou "conflito armado interno" e ocupou presídios após motins e fugas; as cinco prisões peruanas de alta segurança — entre elas as de Lima e Callao, onde os chefes das facções cumprem pena — concentram metade dos detentos ligados a organizações criminosas e são, segundo a polícia, os centros de comando da extorsão: ordens por celular contrabandeado, pagamentos coordenados por drones que sobrevoam os pátios, e uma administração penitenciária corrupta ou intimidada, que o decreto substitui por militares por 60 dias. O pedido de poderes legislativos para rotular gangues como "terroristas" — com penas maiores, prisão preventiva ampliada e uso das Forças Armadas — enfrenta a oposição de um Congresso fragmentado que teme a concentração de poder na filha de Alberto Fujimori, cujo governo nos anos 1990 usou a lei antiterrorismo contra o Sendero Luminoso e contra opositores; para os críticos, é o "modelo Bukele" com o passado fujimorista; para os apoiadores, é o único caminho num país onde a Justiça não condena e a polícia não protege. Para o Brasil, que enfrenta o PCC operando de dentro de presídios federais e que discute classificar facções como terroristas — pedido que os Estados Unidos já atenderam —, o Peru é laboratório vizinho.

Para , editor do portal, o decreto de Keiko é o Peru entrando na onda de mão dura da região. "Bukele em El Salvador, Noboa no Equador, Kast no Chile, Espriella na Colômbia — e agora Keiko no Peru, com militares nos presídios e pedido para chamar facção de terrorista. É o que o eleitor latino-americano pediu em 2025 e 2026: menos garantia, mais cadeia. O problema do Peru é real — extorsão de padaria, sequestro de empresário, chefe mandando matar por celular de dentro da prisão —, e o problema do modelo também: o Bukele funciona com 2% da população presa e sem julgamento. O portal registra o decreto e observa que o Brasil, com o PCC comandando de presídio federal, olha para Lima com inveja e com medo — e que 'terrorista' é palavra que a filha de Fujimori sabe usar contra quem discorda", avalia.

O decreto: cinco presídios, 60 dias, militares

Estado de emergência que transfere o controle de cinco unidades de alta segurança à polícia e às Forças Armadas, autoriza medidas contra drones e sinais de celular no entorno e suspende garantias administrativas por dois meses; as prisões concentram metade dos presos ligados a organizações criminosas, segundo o governo.

Extorsão e homicídios: o crime que mudou o Peru

De país com criminalidade moderada, o Peru passou a registrar extorsão em massa contra comércio e transporte, greves de motoristas, ataques a escolas e taxa de homicídios em alta — 10,7 por 100 mil em 2025; facções locais e o Tren de Aragua disputam territórios, e a mineração ilegal financia parte da violência.

O sequestro de domingo: falsos policiais e resgate

Homens disfarçados de policiais mataram quatro pessoas e sequestraram um empresário de mineração no norte do país, libertado horas depois após pagamento; o caso, dias antes do decreto, ilustra a sofisticação das gangues e a vulnerabilidade de um setor que sustenta as exportações peruanas.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o pedido de poderes ao Congresso é o ponto a vigiar. "Ocupar presídio por 60 dias é medida de emergência que muitos governos tomam; classificar organização criminosa como terrorista por decreto, com poderes legislativos de 120 dias, é outra coisa — é a lei que o pai de Keiko usou nos anos 1990 para prender guerrilheiro e jornalista. A oposição peruana tem razão em resistir, e o eleitor, que votou por segurança, tem razão em cobrar. O portal registra e observa que a região inteira vai para o mesmo lugar: Estado forte contra o crime, com garantias suspensas e militar na rua. O Brasil ainda não decidiu; o Peru acabou de decidir", observa.

Keiko Fujimori: da quarta tentativa ao decreto

Derrotada em 2011, 2016 e 2021, a líder do Força Popular venceu em 2026 com a agenda de segurança e assumiu no fim de julho; o decreto dos presídios é sua primeira medida de impacto e cumpre a promessa de campanha de enfrentar o crime organizado "como Bukele" — com o peso do sobrenome e da lei antiterrorismo dos anos 1990.

O modelo Bukele e seus imitadores

El Salvador reduziu homicídios com estado de exceção permanente, prisão em massa e megapresídio; Equador, Chile, Colômbia e agora Peru adotam versões; organismos de direitos humanos apontam detenções arbitrárias e abusos; a popularidade do modelo entre eleitores latino-americanos é o dado que os governos seguem.

Prisões como centros de comando

Celulares contrabandeados, drones que entregam encomendas, guardas corrompidos e chefes que dirigem extorsões de dentro — o problema peruano é o mesmo do Brasil com o PCC, do México com os cartéis e do Equador com Los Choneros; a resposta militar ataca o sintoma e depende de reforma penitenciária que nenhum país concluiu.

O Brasil e o rótulo de terrorismo

Os Estados Unidos designaram PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas em 2025; o Congresso brasileiro discute projeto semelhante, com resistência de juristas que temem uso político; o Peru, ao pedir o rótulo por decreto, oferece ao debate brasileiro o exemplo e o alerta.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a notícia peruana é um espelho para o Brasil. "Facção comandando de dentro da cadeia, extorsão de comerciante, sequestro de empresário, homicídio subindo — o Peru descreve o Brasil de muitas cidades, inclusive do interior paulista, onde o PCC cobra 'seguro' de posto e de transportadora. Keiko respondeu com militar no presídio e pedido de lei antiterror; o Brasil responde com CPI. O portal registra o decreto de 60 dias e a pergunta que o Peru vai responder antes de nós: mão dura resolve ou só muda o endereço do crime?", analisa.

O decreto de estado de emergência em cinco presídios de alta segurança do Peru, assinado pela presidente Keiko Fujimori em 5 de setembro de 2026 com duração de 60 dias, foi noticiado pela Agência Brasil; a medida transfere o controle das unidades à polícia e às Forças Armadas para combater organizações criminosas que operam de dentro das prisões, e o governo pediu ao Congresso poderes para classificá-las como terroristas.

Fontes e referências

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