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Menino de 6 anos sobrevive a chacina da família no México

Antes do crime, o músico avisou um amigo sobre a reunião e pediu ajuda caso desaparecesse; câmeras registraram o suspeito entrando armado no prédio.

Capa do artigo Menino de 6 anos sobrevive a chacina da família no México
— Foto: Tomascastelazo / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Menino de 6 anos sobrevive escondido debaixo da cama por mais de três horas à chacina que matou o pai — o músico Jonathan "Honas" Meléndez, tecladista da banda Camilo Séptimo —, a mãe grávida de quatro meses, a irmã de 3 anos, a babá de 21 e o cachorro da família em apartamento de luxo em Atizapán, na região metropolitana da Cidade do México: argentino sócio da vítima em imobiliária é o principal suspeito, e Sheinbaum fala em disputa entre famílias

Um menino de 6 anos sobreviveu à chacina que matou quatro pessoas de uma mesma família e o cachorro de estimação, na noite de terça-feira (1º de setembro), em um apartamento de luxo em Atizapán, na região metropolitana da Cidade do México. Ele se escondeu debaixo de uma cama. O pai, o músico Jonathan "Honas" Meléndez Ochoa, de 38 anos, a mãe, Ana Paola, de 35, grávida de quatro meses, a irmã de 3 anos e uma jovem de 21 anos que trabalhava na casa como babá foram mortos a tiros; o cachorro da família também foi morto. As informações são do G1.

Segundo autoridades e a imprensa mexicana, o menino permaneceu escondido por mais de três horas, até a chegada da polícia; vizinhos relataram ter ouvido gritos e tiros, e os corpos foram encontrados pouco antes da meia-noite. Meléndez era compositor e tecladista da banda mexicana Camilo Séptimo; ele e a mulher foram encontrados amarrados com fita adesiva e baleados na cabeça — a menina também foi atingida na cabeça, e a funcionária tentou fugir e foi baleada pelas costas. As autoridades prenderam dois suspeitos; o principal é o argentino Diego Sebastián Rosen Ferlini, de 51 anos, que seria sócio de Meléndez em um negócio de aluguel de imóveis para temporada. A presidente Claudia Sheinbaum afirmou na quinta-feira (3) que o ataque estaria ligado a uma disputa entre famílias. Antes do crime, o músico avisou um amigo sobre a reunião e pediu ajuda caso desaparecesse; câmeras registraram o suspeito entrando armado no prédio.

Camilo Séptimo e o músico assassinado

Formada na Cidade do México no início da década de 2010, a Camilo Séptimo é uma das bandas mais populares do rock alternativo mexicano — canções como "Nada Que Perder" e "Solo" acumulam centenas de milhões de reproduções, e o grupo lota casas de show no país e em turnês pela América Latina e pelos Estados Unidos; Jonathan Meléndez, o "Honas", era tecladista e compositor, responsável por parte da identidade sonora eletrônica do grupo. A morte dele, da mulher grávida, da filha pequena e da babá, em um apartamento de condomínio de alto padrão em Atizapán de Zaragoza — município do Estado do México colado à capital —, chocou o meio musical e o país, não pela violência em si, rotina no México com mais de 30 mil homicídios por ano, mas pelo perfil: não foi execução de cartel, e sim, segundo a presidente, uma disputa entre famílias, com um sócio argentino como suspeito e um menino de 6 anos como única testemunha, escondido sob a cama por três horas enquanto os pais, a irmã e a babá morriam. O detalhe de que Meléndez avisara um amigo sobre a reunião e pedira ajuda caso desaparecesse indica que ele sabia do risco — e que o encontro, marcado no próprio apartamento, era o acerto de contas de um negócio.

Para , editor do portal, o caso é a face menos noticiada da violência mexicana. "O México tem cartel, tem guerra de facção, tem 30 mil mortos por ano — e tem isso: um sócio que entra armado no apartamento de um músico, amarra o casal, mata a criança de 3 anos e a babá, e vai embora. O menino de 6 anos ficou três horas debaixo da cama. Não é narcotráfico; é negócio de aluguel de temporada que deu errado, segundo a presidente. A violência no México é tão normalizada que um crime desses vira 'disputa entre famílias' em coletiva. O portal registra com o respeito que a família merece e a pergunta que o país deveria fazer: como um homem armado entra num condomínio de luxo, mata cinco e sai, num lugar onde o Estado diz que está presente?", avalia.

Atizapán de Zaragoza: onde ocorreu

Município de cerca de 500 mil habitantes no Estado do México, ao norte da capital, Atizapán mistura condomínios de alto padrão — como o do apartamento da família — e áreas de violência ligada ao crime organizado; é parte da zona metropolitana mais populosa das Américas, onde a insegurança é o principal tema político desde a década de 2000.

O suspeito: o sócio argentino

Diego Sebastián Rosen Ferlini, 51 anos, argentino radicado no México, era sócio de Meléndez em um negócio de aluguel de imóveis por temporada — plataformas como Airbnb —, segundo as autoridades; foi preso junto com um segundo suspeito, e as câmeras do prédio o mostram entrando armado. A motivação exata — dívida, disputa societária, vingança — está sob investigação.

"Se eu desaparecer": o aviso do músico

Antes da reunião com o sócio, Meléndez contou a um amigo sobre o encontro e pediu que procurasse ajuda caso ele sumisse — detalhe que revela que o músico temia o desfecho e que, ainda assim, recebeu o suspeito em casa, com a família presente. É a peça que a promotoria usa para caracterizar premeditação.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a frase de Sheinbaum merece reparo. "'Disputa entre famílias' é o que a presidente disse para afastar a hipótese de cartel — e talvez seja verdade. Mas uma grávida, uma criança de 3 anos e uma babá de 21 mortas a tiros na cabeça não são 'disputa'; são chacina, e o Estado mexicano trata como caso de polícia comum. A comparação com o Brasil é inevitável: aqui, feminicídio e chacina familiar também são classificados como crime 'passional' ou 'de relação' para não entrar na conta da violência pública. O menino de 6 anos vai crescer com isso. O que os dois países devem a ele é não chamar de disputa o que foi execução", observa.

O menino: a única testemunha

Com 6 anos, o sobrevivente está sob cuidados de parentes e do serviço de proteção à infância do Estado do México; seu relato, colhido com acompanhamento psicológico, e as câmeras do prédio são as principais provas. A imprensa mexicana e o G1 preservam seu nome.

Aluguel por temporada: o negócio em disputa

O mercado de imóveis para temporada explodiu na Cidade do México e arredores desde a pandemia, com a chegada de "nômades digitais" americanos e europeus, apartamentos convertidos em hospedagem de curta duração e aluguéis que dobraram em bairros como Roma e Condesa; a prefeitura da capital passou a regular a atividade em 2024, limitando dias de locação e exigindo registro, e a disputa por imóveis, comissões e sociedades tornou-se fonte de conflitos entre operadores — brasileiros, argentinos e mexicanos que gerem carteiras de dezenas de unidades. A parceria entre o músico e o argentino preso, segundo as autoridades, era desse tipo, e a Procuradoria investiga se dívidas, divisão de receitas ou a saída de um sócio motivaram o encontro que terminou em chacina.

Violência no México: o contexto

O país registra mais de 30 mil homicídios por ano e dezenas de milhares de desaparecidos, a maioria ligados ao crime organizado; crimes como o de Atizapán — entre conhecidos, com motivação econômica — são minoria, mas ocorrem num ambiente em que armas circulam e a impunidade supera 90%. O governo Sheinbaum prometeu reduzir homicídios com inteligência e presença federal.

Reação do meio musical

Colegas de banda, artistas mexicanos e fãs manifestaram luto nas redes; a Camilo Séptimo suspendeu apresentações, e homenagens foram organizadas na Cidade do México. Meléndez deixa, além do filho sobrevivente, a obra que a banda construiu em mais de uma década.

O que a investigação apura

A Procuradoria do Estado do México investiga a relação societária entre Meléndez e Rosen Ferlini, o papel do segundo preso, a origem das armas e a cronologia da noite; a prisão preventiva foi decretada, e a acusação deve ser de homicídio qualificado múltiplo e feminicídio, com agravante pela criança.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a notícia deve ser lida com a gravidade que tem. "Um artista conhecido, uma família inteira, uma funcionária jovem, um cachorro — e um menino que sobreviveu porque se escondeu. O suspeito é sócio; a presidente fala em famílias; a polícia prendeu dois. É o crime que nenhum país tolera e que o México, infelizmente, absorve como mais um. O portal publica porque o Brasil tem a mesma tolerância — chacinas familiares viram 'tragédia' e somem em uma semana. Que o menino de Atizapán tenha justiça e proteção, e que o nome de Jonathan Meléndez seja lembrado pela música, não pela noite de terça-feira", analisa.

A chacina que matou o músico Jonathan Meléndez, sua mulher, a filha, a babá e o cachorro da família em Atizapán, no México, ocorreu em 1º de setembro de 2026 e foi noticiada pelo G1 em 4 de setembro; um menino de 6 anos sobreviveu escondido, e o argentino Diego Sebastián Rosen Ferlini, sócio da vítima, é o principal suspeito.

Fontes e referências

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