O lado de Vorcaro na disputa presidencial
Colunista lembra que Nikolas Ferreira pediu ajuda a Vorcaro para 'um ativo de minério' e que a retirada do sigilo por Mendonça lembra Moro: 'quem ainda acredita nele?'.
O lado de Vorcaro na disputa presidencial: da cadeia, o ex-banqueiro "continua dando as cartas" e caminha para anular o processo do caso Master — troca de advogados "como quem troca de roupa", contratou Daniel Bialski, que defendeu Cláudio Castro, Michelle Bolsonaro e Carla Zambelli e tem boa relação com André Mendonça, relator no STF, e deu depoimento ao gabinete do ministro alegando tortura psicológica na prisão para não relatar fatos ligados à Polícia Federal; nas mensagens, é "amigo, Dani, irmãozão" de quem em público diz não conhecê-lo
Da cadeia, Daniel Vorcaro continua dando as cartas. Ele quer a nulidade do processo do caso Master, e o ex-banqueiro caminha a passos largos para conseguir que seja colocado em suspeição todo o inquérito contra ele. É a leitura da colunista da Folha em Brasília que acompanha economia e política há mais de 25 anos, em texto publicado nesta semana. As informações são da Folha.
Na intimidade das mensagens trocadas pelo celular, Vorcaro é "amigo, Dani, irmãozão, mermão"; em público, os mesmos que o tratam com palavras amorosas nada sabem — não são amigos. O deputado Nikolas Ferreira, que se autoproclama "homem de família", entrou nessa lista: pediu que Vorcaro ajudasse seu ex-assessor de gabinete a liberar "um ativo de minério" — "maracutaia", resume a colunista. Vorcaro muda de advogados como quem troca de roupa: diz que vai falar, não conta nada, volta atrás, sinaliza com nova delação, engana e segue segurando os cordões das marionetes ao sabor de quem mais o ajudar a alcançar seu propósito. O advogado da hora é Daniel Bialski, que já prestou serviços ao ex-governador Cláudio Castro, a Michelle Bolsonaro no caso das joias sauditas e à ex-deputada Carla Zambelli — e que, em Brasília, é conhecido por ter boa relação com André Mendonça, relator do caso Master no Supremo e ex-ministro de Bolsonaro. A disputa eleitoral apertada e o STF em chamas ajudam Vorcaro: a última dele foi dar um depoimento ao gabinete de Mendonça, gravado em vídeo diante de um juiz auxiliar, dizendo que sofreu tortura psicológica, maus-tratos e ameaças veladas na prisão para não relatar fatos ligados à Polícia Federal — o alvo era o chefe da PF, Andrei Rodrigues. Os vazamentos pinçados dão aos advogados a chance de pedir a nulidade, e a estratégia acaba favorecendo o presidenciável Flávio Bolsonaro por colocar em risco a apuração ligada ao filme "Dark Horse". Ao tirar o sigilo parcial do caso, Mendonça não estaria agindo de forma proposital? O episódio lembra a atitude do ex-juiz Sérgio Moro, que divulgou grampo de ligação entre Lula e Dilma Rousseff. "Não nos esquecemos: Vorcaro é o maior fraudador da história do sistema financeiro do país. Quem ainda acredita nele?", conclui a colunista.
Da liquidação do Master à guerra no Supremo: como o preso mais poderoso do país virou peça eleitoral
Daniel Vorcaro foi preso em novembro de 2025, quando o Banco Central liquidou o Banco Master após a descoberta de um rombo bilionário em carteiras de crédito fictícias vendidas a fundos, ao BRB e a investidores — a maior fraude do sistema financeiro brasileiro, segundo a colunista e segundo o próprio BC —, e desde então o caso se transformou na crise institucional mais grave do STF em décadas: a relação do ministro Alexandre de Moraes com o banco, por meio do contrato de R$ 131 milhões do escritório de sua mulher, levou o ministro André Mendonça, relator, a levantar o sigilo de parte dos autos em 1º de setembro, Moraes a acusá-lo de vazamento em 3 de setembro, o presidente Fachin a deslocar a disputa para fora do inquérito 4781 com prazo de cinco dias, e o presidente do Senado a falar em "impeachment cruzado" diante de 66 pedidos contra ministros — tudo a um mês da eleição em que Lula e Flávio Bolsonaro estão empatados. A coluna descreve o que o ex-banqueiro faz nesse cenário: joga. Troca advogados até encontrar o que tem trânsito com o relator; sinaliza delação para pressionar; retira; denuncia tortura psicológica na prisão para atacar a PF que o investiga e o delegado que a chefia; e, com cada vazamento, constrói a tese de nulidade por suspeição — que, se aceita, liberaria não só Vorcaro, mas os políticos, empresários e agentes públicos que as mensagens de seu celular alcançam, de Nikolas Ferreira ao "ativo de minério", de Castro ao Master, e a apuração que a colunista associa ao filme "Dark Horse". A comparação com Moro e o grampo de Lula e Dilma, em 2016, é a mais dura: sugere que a retirada de sigilo por Mendonça, ex-ministro de Bolsonaro, tem intenção política — favorecer o candidato do PL ao expor Moraes e ao enfraquecer a investigação — como teve a de Moro contra o PT; e a pergunta final — quem ainda acredita nele? — é dirigida ao Supremo, à imprensa e ao eleitor que consomem, a cada dia, uma nova versão do preso mais bem informado do país.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a coluna faz o que o noticiário diário não consegue: mostrar o jogo inteiro. "Todo dia sai uma mensagem nova de Vorcaro — com Nikolas, com Castro, com Moraes, com quem for — e cada uma serve a um lado. A colunista lembra o essencial: quem solta as mensagens é o maior fraudador da história do sistema financeiro, preso, querendo anular o processo, com advogado amigo do relator e depoimento de tortura contra a PF. Ele não é fonte; é parte. Mendonça levantar o sigilo a um mês da eleição lembra Moro, sim — e Moro acabou ministro do governo que ajudou a eleger. O portal registra a coluna e a pergunta que ela faz: quem acredita em Vorcaro? A resposta honesta é: quem precisa dele para ganhar em outubro", avalia.
Bialski: o advogado da hora
Defensor de Cláudio Castro no caso Refit, de Michelle Bolsonaro no caso das joias e de Carla Zambelli, Daniel Bialski tem trânsito na direita bolsonarista e, segundo a coluna, boa relação com Mendonça; sua contratação sinaliza a estratégia de Vorcaro — buscar no relator a porta da nulidade — e o alinhamento político da defesa.
O depoimento sobre tortura: o ataque à PF
Gravado em vídeo diante de juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, o depoimento acusa maus-tratos e ameaças na prisão para impedir que Vorcaro relatasse fatos ligados à Polícia Federal; o alvo é o diretor-geral Andrei Rodrigues, e o efeito buscado é a suspeição da investigação — tese que os vazamentos alimentam.
Nikolas Ferreira e o "ativo de minério"
Mensagem em que o deputado do PL, o mais votado do país, pede a Vorcaro ajuda para um ex-assessor liberar um ativo mineral — episódio que o portal já registrou e que a colunista classifica como maracutaia; em público, Nikolas nega proximidade com o banqueiro que trata como amigo no celular.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a comparação com Moro é o centro da coluna. "Em 2016, Moro divulgou o grampo de Lula e Dilma na véspera de uma nomeação e mudou a história do país; em 2026, Mendonça levanta o sigilo do caso Master a um mês da eleição, e o efeito é expor Moraes e dar a Vorcaro a chance de anular tudo. Pode ser transparência; pode ser tática. A colunista pergunta se é proposital, e a pergunta é legítima para um ex-ministro de Bolsonaro relatando caso que atinge o adversário do filho de Bolsonaro. O portal registra e observa que o Supremo, ao virar arena eleitoral, perde o que lhe resta: a presunção de que decide por direito, não por lado", observa.
A nulidade: o que Vorcaro quer
Suspeição do inquérito por vazamentos, por conduta da PF e por relação de investigadores com investigados — tese que, aceita, anularia provas colhidas desde 2025 e beneficiaria todos os alcançados pelo caso; é o objetivo que a coluna identifica por trás das idas e vindas do ex-banqueiro.
"Dark Horse": a apuração em risco
A colunista associa a estratégia de nulidade a uma apuração ligada ao filme "Dark Horse", cujo comprometimento favoreceria Flávio Bolsonaro; o portal registra a menção sem detalhá-la, por não haver informação pública suficiente — e a acompanhará conforme os autos forem abertos.
O Supremo em chamas: a semana
Mendonça levanta o sigilo em 1º de setembro; Moraes acusa vazamento em 3; Fachin desloca a disputa e dá cinco dias em 4; Alcolumbre fala em impeachment cruzado; 66 pedidos contra ministros na mesa do Senado — o cenário que, segundo a coluna, "ajuda Vorcaro" ao transformar a investigação em disputa entre ministros.
Quem acredita: o problema da fonte
Preso, interessado na nulidade, com histórico de fraude bilionária e de versões que mudam, Vorcaro é fonte cujas mensagens todos usam e cuja credibilidade ninguém sustenta; a coluna lembra que os vazamentos são selecionados por quem tem interesse — e que jornalismo e Justiça deveriam tratá-los como tal.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a coluna deveria ser lida por cada eleitor antes de compartilhar a próxima mensagem vazada. "O celular de Vorcaro virou a arma de todos os lados — a direita usa contra Moraes, a esquerda usa contra Nikolas, e o dono do celular usa contra o processo. Ninguém pergunta quem escolhe o que vaza e por quê. A colunista pergunta. O portal registra o aviso: em outubro, o Brasil vai votar com o Supremo em guerra, a PF sob ataque e um banqueiro preso decidindo o que o país sabe. Que a Justiça, ao menos, não decida com base no que ele quer que ela saiba", analisa.
A coluna da jornalista da Folha em Brasília sobre a estratégia de Daniel Vorcaro para anular o processo do caso Master — com a contratação do advogado Daniel Bialski, o depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça alegando tortura psicológica e os vazamentos de mensagens — foi publicada em 4 de setembro de 2026; o ex-banqueiro está preso desde novembro de 2025, após a liquidação do banco pelo Banco Central.