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Elétricos

Nissan NX8 roda quase sem camuflagem em São Paulo e se aproxima do Brasil

Flagra no bairro Paraíso mostra o modelo acima do X-Trail, ainda não confirmado; versões elétricas de 292 cv ou 340 cv e EREV com motor elétrico de 265 cv.

Capa do artigo Nissan NX8 roda quase sem camuflagem em São Paulo e se aproxima do Brasil
— Foto: JustAnotherCarDesigner / Wikimedia Commons (CC0)

Nissan NX8 roda quase sem camuflagem em São Paulo e se aproxima do Brasil: SUV grande desenvolvido na China tem 4,87 metros, três telas com duas centrais de 15,6 polegadas, head-up display de realidade aumentada de 63 polegadas e, na versão com extensor de alcance, 1.450 km de autonomia combinada — elétrico puro recarrega de 10% a 80% em 12 minutos a 463 kW

O Nissan NX8 está mais perto do mercado brasileiro — ao menos é o que sugere o flagra mais recente do SUV de grande porte: se em abril a Nissan escondia praticamente todo o carro, agora ele roda quase todo aparente. O leitor Mateus Azevedo flagrou uma unidade no bairro Paraíso, na zona sul de São Paulo, com camuflagem apenas na dianteira, na traseira e no centro das rodas, para ocultar a marca. O modelo ainda não está confirmado para o Brasil. Posicionado acima do X-Trail — este, confirmado —, o NX8 mede 4,87 metros de comprimento, 1,92 de largura e 2,91 de entre-eixos, contra 4,68, 1,84 e 2,70 do X-Trail. As informações são da Quatro Rodas.

Desenvolvido na China, tem visual diferente dos Nissan conhecidos: linhas minimalistas, barra horizontal de LED por toda a dianteira ligando capô e para-choque, faróis em bumerangue nas extremidades, rodas de 18 ou 19 polegadas, maçanetas embutidas, poucos vincos e lanternas com LEDs independentes que exibem imagens. Dentro, poucos botões — nos vidros e no volante —, três telas, duas centrais de 15,6 polegadas, e um head-up display com realidade aumentada equivalente a 63 polegadas. Na China, vende-se elétrico, com motor traseiro de 292 cv ou 340 cv, 180 km/h, baterias CATL de 73 kWh ou 81 kWh e autonomia de 565 km a 650 km, com recarga de até 463 kW — 10% a 80% em 12 minutos, 300 km em seis —, ou como EREV, com 1.5 turbo de 148 cv como gerador, motor elétrico de 265 cv, baterias de 20,3 kWh ou 37,4 kWh, até 310 km elétricos e 1.450 km combinados. No Salão de Tóquio de 2025, o CEO Ivan Espinosa disse à revista que pretende ampliar os elétricos pelo mundo.

EREV: o híbrido em que o motor a combustão não move as rodas

No veículo elétrico com extensor de alcance, o motor a gasolina funciona só como gerador — carrega a bateria e alimenta o motor elétrico, que é o único a tracionar; o resultado é dirigir sempre como elétrico, com torque instantâneo e silêncio, sem a ansiedade de autonomia: acabou a bateria, o gerador entra e o carro segue até o posto. É a arquitetura que fez o sucesso da Li Auto e da Leapmotor na China — a Leapmotor C10 EREV trouxe a tecnologia ao Brasil em 2025 — e que responde à falta de rede de recarga no interior: 310 km elétricos para o dia a dia, 1.450 km combinados para a viagem. Para o mercado brasileiro, com etanol e postos em toda parte, o EREV é a ponte mais plausível para a eletrificação de SUVs grandes.

Para , editor do portal, o NX8 é o retrato da nova Nissan — e do novo mercado. "Um SUV de quase cinco metros, desenhado na China, com bateria CATL, tela de 15 polegadas e recarga de 12 minutos, rodando pelo Paraíso com camuflagem parcial. A Nissan que vendia Kicks e Versa no Brasil está testando um carro que compete com BYD, Leapmotor e GWM no segmento em que os chineses dominam. Se vier como EREV, com 1.450 km, resolve a objeção que trava elétrico no interior: onde carregar. O flagra diz que a decisão está perto. O preço — que na China é competitivo — vai dizer se a Nissan quer vender ou só mostrar. Ivan Espinosa prometeu elétricos pelo mundo; o NX8 seria o primeiro grande no Brasil", avalia.

463 kW: a recarga que muda a conversa

Potência de recarga de 463 kW — quase o dobro do padrão de 250 kW dos carregadores ultrarrápidos atuais — exige bateria de arquitetura 800 volts e química de carregamento rápido da CATL; 10% a 80% em 12 minutos aproxima o elétrico do tempo de abastecer com gasolina. No Brasil, porém, carregadores acima de 150 kW ainda são raros fora das capitais e das rodovias paulistas — o que reforça o EREV como versão de entrada.

Acima do X-Trail: o posicionamento

O X-Trail, SUV médio-grande de 4,68 metros, é o topo da linha Nissan confirmada para o Brasil; o NX8, 19 centímetros maior e com 2,91 de entre-eixos, entraria no segmento de Toyota SW4, Jeep Commander e dos SUVs grandes chineses — BYD Tan, GWM Haval H9 —, com preço acima de R$ 300 mil na configuração elétrica. Seria o maior Nissan vendido no país.

Design chinês: a nova gramática

Barra de LED contínua, faróis em bumerangue, maçanetas embutidas, lanternas que exibem imagens, interior sem botões e telas gigantes — a linguagem dos SUVs premium chineses, que a Nissan adotou nos modelos desenvolvidos pela joint venture local para competir no maior mercado do mundo; é diferente do design japonês tradicional da marca e mais próximo do que BYD e Zeekr oferecem.

Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o flagra em São Paulo é sinal de estratégia, não de acaso. "Montadora não roda carro de teste na zona sul de São Paulo por acidente: está homologando, calibrando para combustível e estrada brasileiros, e medindo reação. A Nissan tem fábrica em Resende e precisa de produto acima do Kicks para não virar marca de entrada. O NX8, feito na China, é a resposta rápida — importado, com tecnologia que a Nissan japonesa não tem. É o mesmo movimento da Honda, da Toyota e da VW: usar o braço chinês para eletrificar rápido. O Brasil vai receber o melhor da Nissan chinesa antes de a Nissan japonesa alcançar", observa.

Head-up display de 63 polegadas

Projeção com realidade aumentada que ocupa o campo de visão do motorista com navegação, alertas e informações sobrepostas à estrada — equivalente a uma tela de 63 polegadas —, tecnologia que a Leapmotor e a Huawei popularizaram na China e que chega ao Brasil em poucos modelos. É o item que a revista destaca como inovador no NX8.

CATL: a bateria

Maior fabricante de baterias do mundo, a chinesa CATL fornece as células de 73 e 81 kWh do NX8 elétrico e as de 20,3 e 37,4 kWh do EREV; sua química de recarga rápida — Shenxing — é o que permite os 463 kW. A empresa fornece para BYD, Tesla, Volkswagen e a maioria das montadoras chinesas.

Leapmotor e o precedente do EREV no Brasil

A Leapmotor, marca chinesa distribuída pela Stellantis, lançou em 2025 o C10 REEV no Brasil — o primeiro SUV com extensor de alcance vendido no país, com cerca de 170 km elétricos e mais de 900 km combinados — e abriu o caminho regulatório e de mercado para a arquitetura: homologação, tributação como híbrido, aceitação do consumidor. A Quatro Rodas nota que o NX8 usa "a mesma tecnologia que chegou ao Brasil com a Leapmotor"; a Nissan entraria num segmento já explicado ao comprador, com números maiores — 310 km elétricos e 1.450 combinados — e marca conhecida. BYD, GWM e Chery preparam EREVs para 2027; a disputa será de alcance, preço e rede.

Tributação e Mover: o que define o preço

Elétricos e híbridos importados pagam Imposto de Importação crescente desde 2024 — 35% em julho de 2026 — e o programa Mover concede créditos a quem investe em produção e pesquisa no país; um NX8 importado da China chegaria com carga tributária cheia, o que empurra o preço acima de R$ 300 mil, salvo se a Nissan usar cotas de importação sem tarifa ou montar em Resende. É a variável que decide se o SUV vem para vender em volume ou como vitrine tecnológica.

Nissan no Brasil: o momento

Com Kicks, Versa, Frontier e o X-Trail confirmado, a Nissan busca reposicionar-se após anos de queda de participação; a aliança com a Renault, a fábrica de Resende e o portfólio chinês são os ativos. Um SUV grande eletrificado seria o primeiro produto da marca a disputar o segmento premium no país desde o Pathfinder.

Quando pode chegar

Flagra com camuflagem reduzida costuma anteceder o lançamento em seis a doze meses; a confirmação depende de homologação, tributação — o Mover exige conteúdo local para incentivos — e estratégia de preço. A Quatro Rodas aponta que o modelo "está mais próximo", sem data.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o NX8 é o carro que mostra para onde o mercado vai. "SUV grande, elétrico ou EREV, chinês de origem, japonês de marca, com recarga de 12 minutos e 1.450 km de alcance. É o que o consumidor brasileiro de R$ 300 mil vai comparar com BYD e GWM em 2027. A Nissan perdeu a década dos SUVs médios; não pode perder a dos eletrificados. O flagra no Paraíso é a prova de que ela sabe. Que venha com preço de quem quer vender — e que a rede de 463 kW venha junto", analisa.

O flagra do Nissan NX8 com camuflagem reduzida em São Paulo foi publicado pela Quatro Rodas em 5 de setembro de 2026. O SUV, desenvolvido na China e vendido lá em versões elétrica e com extensor de alcance, ainda não está confirmado para o mercado brasileiro.

Fontes e referências

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