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Elétricos

Volkswagen Tukan é flagrada em versão cabine dupla de entrada com rodas de aço e calotas pretas

Fotos da Quatro Rodas mostram grade preta fosca, sem farol de neblina, teto na cor da carroceria e santantônio mantido; plataforma MQB A0, a mesma de Polo, Nivus e T-Cross, permite o sistema MHEV.

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— Foto: Autosdeprimera / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Volkswagen Tukan é flagrada em versão cabine dupla de entrada com rodas de aço e calotas pretas, o mesmo "truque" da Chevrolet Montana: picape que chega no primeiro trimestre de 2027 deve ter acabamentos Robust, Iron e Extreme e três motorizações — 1.6 MSI manual da Saveiro, 1.0 TSI automático do T-Cross e 1.5 eTSI híbrido leve de 48 volts inédito no Brasil

Apesar de apresentada oficialmente, a Volkswagen Tukan ainda guarda segredos para o lançamento em 2027 — e os olhos atentos nas rodovias de São Paulo revelam parte deles, como a inédita nomenclatura Iron para uma das versões. Nas fotos feitas pela Quatro Rodas, aparece agora uma unidade de cabine dupla com diversas diferenças em relação à Tukan Extreme revelada em Barretos: na dianteira, a grade troca o preto brilhante pelo preto fosco, assim como o nicho do farol de neblina — que essa configuração não tem —; a junção do para-choque com a grade e a parte inferior da peça são pintadas para imitar aço acetinado, em vez de acompanhar o acabamento da grade como na Extreme. O lançamento está previsto para o primeiro trimestre de 2027. As informações são da Quatro Rodas.

De lado, a Tukan mantém as saias laterais integradas às portas, mas sem o nome estampado; o santantônio foi mantido e o teto segue a cor da carroceria — na Extreme é preto; o detalhe mais curioso são as rodas de aço com calotas pretas, como na concorrente Chevrolet Montana. Os motores não foram revelados, mas a expectativa é que as versões de entrada, como a Robust, usem o 1.6 MSI de 116 cv com o câmbio manual da Saveiro; as intermediárias, o 1.0 TSI de 116 cv e 16,8 kgfm com automático de oito marchas, como no T-Cross; e a Extreme estreie no Brasil o 1.5 eTSI Evo2 flex com sistema híbrido leve de 48 volts — a plataforma MQB A0, de Polo, Nivus e T-Cross, permite a adaptação, com o objetivo de melhorar o consumo nos momentos críticos do motor a combustão e reduzir emissões.

Tukan: a picape que a VW devia há uma década

Desde que a Fiat Toro criou, em 2016, o segmento das picapes intermediárias monobloco — entre a Strada e a Hilux —, a Volkswagen ficou de fora: a Saveiro é compacta de cabine simples ou estendida, e a Amarok é grande de chassi; a Chevrolet Montana, de 2023, e a Ram Rampage, de 2023, reforçaram o segmento, que vende dezenas de milhares de unidades por ano no Brasil. A Tukan — apresentada em Barretos, na Festa do Peão, em versão Extreme — é a resposta da VW, produzida na Argentina sobre a base do T-Cross, com cabine dupla e caçamba para uso misto de trabalho e família. O flagra da versão de entrada, com roda de aço e calota, mostra que a marca quer cobrir do frotista ao topo híbrido, como faz a Montana.

Para , editor do portal, o detalhe da calota diz muito sobre a estratégia. "Picape de entrada com roda de aço e calota preta é o truque da Montana para chegar ao preço da frota e do produtor rural — e a VW copiou. A Tukan Extreme de Barretos, com híbrido leve e teto preto, é a vitrine; a Robust com 1.6 manual da Saveiro é a que vai vender para empresa e sítio. Três motores na mesma plataforma do T-Cross: manual barato, 1.0 turbo automático, e o 1.5 híbrido de 48 volts que ninguém tem no segmento. Se a VW acertar o preço da Robust perto da Montana e o híbrido abaixo da Rampage, a Tukan bagunça o segmento que a Toro criou. O flagra em rodovia paulista mostra que a homologação está adiantada", avalia.

Robust, Iron, Extreme: a escada de versões

A nomenclatura sugere três degraus: Robust, de trabalho, com manual e acabamento simples; Iron, intermediária, com o 1.0 TSI automático e acabamentos em aço acetinado — a versão flagrada pode ser ela —; e Extreme, topo, com híbrido leve, teto preto e visual aventureiro. É a mesma lógica de Montana LS, LT, Premier e RS, e da Toro Endurance, Freedom, Volcano e Ranch.

1.6 MSI manual: a herança da Saveiro

O motor 1.6 aspirado de 116 cv, com câmbio manual de cinco marchas, é o conjunto da Saveiro e do Polo Track — robusto, barato de manter e conhecido de frotistas; na Tukan de entrada, atende quem quer picape de trabalho sem turbo nem automático. É a aposta em preço abaixo de R$ 130 mil, faixa em que a Montana LS e a Strada cabine dupla competem.

1.0 TSI automático: o miolo da linha

O três cilindros turbo de 116 cv e 16,8 kgfm com automático de seis a oito marchas, do T-Cross e do Nivus, é o motor mais vendido da VW no Brasil — eficiente, com torque em baixa rotação; nas versões intermediárias da Tukan, oferece conforto urbano e consumo compatível com a Montana 1.2 turbo e a Toro 1.3 turbo.

Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o híbrido leve é o que diferencia. "Sistema MHEV de 48 volts no 1.5 eTSI flex — motor de partida-gerador que ajuda na arrancada, recupera energia na frenagem e desliga o motor em marcha lenta — reduz consumo de 10% a 15% na cidade sem a complexidade de híbrido pleno. Na Extreme, é argumento de marketing e de eficiência num segmento em que Toro e Montana só têm combustão. Se a VW trouxer o 1.5 eTSI para a Tukan, ele vai para o T-Cross e o Nivus depois — é a porta de entrada da eletrificação leve da marca no Brasil. A picape estreia a tecnologia; os SUVs herdam", observa.

MQB A0: a plataforma compartilhada

Base modular de Polo, Virtus, Nivus e T-Cross, a MQB A0 é monobloco de tração dianteira, com suspensão independente na frente e eixo de torção atrás — na Tukan, reforçada para carga; é a arquitetura da Montana — sobre a GEM da GM — e da Toro — sobre a Small Wide da Fiat —, o padrão do segmento: picape de SUV, não de caminhonete. Permite eletrificação leve e produção na mesma linha do T-Cross em Pacheco, na Argentina.

Montana: a referência copiada

A Chevrolet Montana, lançada em 2023 sobre a base do Tracker, adotou roda de aço com calota na versão LS para baixar o preço de entrada e conquistou frotas; a Tukan replica. A Montana tem só o 1.2 turbo; a Tukan ofereceria manual, turbo e híbrido — amplitude que a Toro, com 1.3 turbo flex e 2.2 diesel, também tem.

Barretos: a apresentação da Extreme

A VW escolheu a Festa do Peão de Barretos, em agosto, para revelar a Tukan Extreme — palco do agronegócio e do público de picape —, com visual robusto, teto preto e sinalização de híbrido leve; a versão de trabalho ficou para os flagras. É estratégia de mostrar o topo e vender a base.

O segmento das picapes intermediárias: os números

Fiat Toro, Chevrolet Montana e Ram Rampage somaram mais de 150 mil unidades em 2025 — a Toro sozinha, cerca de 90 mil —, num segmento que cresceu enquanto os hatches encolhiam; é a categoria que combina uso de trabalho leve, lazer e status de SUV, com preços de R$ 120 mil a R$ 250 mil. A Volkswagen, que lidera o mercado total com Polo e T-Cross, não tinha produto nessa faixa — a lacuna mais visível de sua linha e a que a Tukan preenche. A escolha de versão de entrada com calota e manual mira as frotas de empresas e o produtor rural, público que responde por parcela relevante das vendas da Toro e da Montana.

Santantônio e caçamba: os detalhes de uso

O santantônio — a estrutura tubular atrás da cabine —, mantido na versão flagrada, é elemento estético e funcional que protege o vidro traseiro e ancora carga; a caçamba da Tukan, com capacidade estimada acima de mil litros, e a capacidade de carga em torno de uma tonelada, são os números que a VW ainda não divulgou e que o segmento compara. A altura do solo e o ângulo de saída, visíveis nos flagras, sugerem vocação mista, como a Montana.

Argentina: a produção

A Tukan será produzida na fábrica de General Pacheco, na Argentina, ao lado do Taos e da Amarok, com importação para o Brasil sem tarifa pelo Mercosul — o mesmo arranjo da Amarok; a decisão libera a fábrica de São José dos Pinhais para T-Cross e Polo.

O que esperar até 2027

Novos flagras — inclusive da Robust sem santantônio —, confirmação dos motores, pré-venda no fim de 2026 e lançamento entre janeiro e março de 2027, com preços que a revista estima entre R$ 130 mil e R$ 200 mil. A Tukan chega ao segmento de maior crescimento do mercado brasileiro.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a Tukan é a picape que vai definir o ano da VW. "A marca que dominou o Brasil com Gol e Fusca não tem picape intermediária desde sempre — enquanto a Toro vende 100 mil por ano. A Tukan chega tarde e chega com três motores, inclusive híbrido leve inédito, e versão de entrada com calota, para pegar a frota. O flagra na rodovia paulista, com detalhes de acabamento diferentes da Extreme, mostra a linha completa em teste. Se o preço da Robust encostar na Montana LS, a VW tem o carro que faltava. Primeiro trimestre de 2027 é a data; Barretos foi o convite", analisa.

O flagra da Volkswagen Tukan em versão cabine dupla de entrada, com rodas de aço e calotas, foi publicado pela Quatro Rodas em 4 de setembro de 2026. O lançamento da picape está previsto para o primeiro trimestre de 2027.

Fontes e referências

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