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Elétricos

Romi-Isetta, o primeiro carro brasileiro, faz 70 anos com festa em Santa Bárbara d'Oeste

Fundação Romi celebra em 5 de setembro com carreata, exposição, gincanas e miniaturas sopradas ao vivo; a partir de 1959, o modelo usou motor e câmbio BMW.

Capa do artigo Romi-Isetta, o primeiro carro brasileiro, faz 70 anos com festa em Santa Bárbara d'Oeste
— Foto: Lothar Spurzem / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0 de)

Romi-Isetta, o primeiro carro brasileiro, faz 70 anos com festa em Santa Bárbara d'Oeste: o "carrinho simpático" de 1956 antecipou motor de alumínio, cabeçote de fluxo cruzado, monobloco, freio hidráulico, sistema elétrico de 12 volts e câmbio de quatro marchas, custava 38 salários mínimos — 40% menos que Fusca e Dauphine — e teve Pelé entre os donos

O Romi-Isetta, primeiro carro verdadeiramente brasileiro, completa 70 anos em 5 de setembro de 2026 e segue lembrado pelo legado tecnológico que moldou a indústria automobilística nacional. Lançado em 1956, o "carrinho simpático" trouxe avanços que se tornaram padrão: bloco e cabeçote de motor em alumínio, que reduziam peso e aumentavam desempenho e economia — soluções hoje presentes em Chevrolet, Fiat, Honda, Jeep, Volkswagen e Toyota. A partir de 1959, foi o primeiro carro nacional a usar motor e câmbio da BMW, parceria que só se repetiria décadas depois com a produção do Série 3 em Santa Catarina. As informações são do Canaltech.

O modelo introduziu cabeçote de fluxo cruzado, motor transversal e câmbio de quatro marchas — quando o padrão era três —, sistema elétrico de 12 volts com alternador e limpador elétrico, contra os 6 volts dos concorrentes, freio hidráulico por fluido em vez de mecânico a varão, monobloco mais seguro que carroceria sobre chassi e teto solar de série. Em 1960, custava 370 mil cruzeiros — 38 salários mínimos —, o mais barato do Brasil; Fusca e Willys Dauphine custavam cerca de 40% a mais. Inaugurou a pintura bi-tom nos nacionais, tinha vigias laterais e traseiros em acrílico, e ídolos como Pelé o tiveram na garagem; protagonizou viagens longas e até uma partida de futebol disputada por vários Romi-Isetta no Pacaembu, em 1957. A celebração dos 70 anos é na Fundação Romi, em Santa Bárbara d'Oeste, onde foi fabricado, com carreata, exposição de documentos e fotos, gincanas, loja de souvenirs e miniaturas produzidas ao vivo em máquina sopradora Romi, com entrada gratuita e cadastro de veículos de colecionadores.

1956: o Brasil antes da indústria automobilística

Quando o Romi-Isetta saiu da fábrica em Santa Bárbara d'Oeste, em setembro de 1956, o Brasil montava carros importados em kits — Ford e GM desde os anos 1920 — e o governo Juscelino Kubitschek acabava de criar o GEIA, o Grupo Executivo da Indústria Automobilística, para exigir nacionalização progressiva; a Volkswagen inauguraria a fábrica de São Bernardo em 1959, e o Fusca nacional viria depois. A Romi — indústria de máquinas operatrizes fundada por Américo Emílio Romi — licenciou da italiana Iso o microcarro Isetta, com porta frontal única e motor traseiro, e o produziu com índice de nacionalização crescente: foi o primeiro automóvel fabricado em série no país, antes de DKW-Vemag, Willys e VW. Cerca de 3 mil unidades foram feitas até 1961, quando a Romi voltou às máquinas — e o carrinho virou lenda.

Para , editor do portal, o Romi-Isetta é a prova de que o Brasil sabia fazer carro antes de ter indústria. "Uma fábrica de tornos do interior de São Paulo pegou um microcarro italiano, colocou motor de alumínio, freio hidráulico, 12 volts e quatro marchas — coisas que o Fusca não tinha — e vendeu por 38 salários mínimos, 40% mais barato que os concorrentes. Em 1956. Depois colocou motor BMW, 60 anos antes de a BMW montar em Araquari. O Romi-Isetta durou cinco anos porque o governo apostou nas multinacionais e a Romi voltou ao que sabia fazer melhor. Setenta anos depois, a Fundação faz festa com carreata e miniatura soprada. É memória industrial que o país tem pouca e cuida pior. Que Santa Bárbara lote", avalia.

Motor de alumínio e fluxo cruzado: o que era avançado

Bloco e cabeçote em alumínio — leves, com melhor dissipação de calor — eram raros nos anos 1950, quando o ferro fundido dominava; o cabeçote de fluxo cruzado, com admissão e escape em lados opostos, melhora a respiração do motor e só se generalizaria nas décadas seguintes; o motor transversal antecipou o layout que o Mini popularizaria em 1959. Num monocilíndrico de 300 cc, eram soluções de engenharia fina para um carro barato.

BMW: a parceria de 1959

A BMW, que produzia a Isetta na Alemanha sob licença da Iso, forneceu à Romi motor e câmbio a partir de 1959 — o monocilíndrico de 298 cc da BMW —, tornando o Romi-Isetta o primeiro carro nacional com mecânica da marca bávara; a relação só se repetiria em 2014, com a fábrica de Araquari, em Santa Catarina, produzindo o Série 3, o X1 e outros. É curiosidade que os colecionadores cultivam.

A 370 mil cruzeiros em 1960, o Romi-Isetta era o automóvel mais barato do país — ainda assim, mais de três anos de salário mínimo; Fusca e Dauphine custavam 40% a mais. Para a classe média baixa urbana, foi a primeira chance de carro próprio, e o marketing explorava o "carrinho simpático" com pintura em dois tons e teto solar — luxo em miniatura.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a festa é sobre patrimônio e sobre interior. "Santa Bárbara d'Oeste, cidade de máquina operatriz e de imigrantes americanos, fabricou o primeiro carro do Brasil — e a Fundação Romi guarda documento, foto e memória. A celebração com carreata de Romi-Isetta pelas ruas onde foram feitos, com entrada de graça, é o tipo de evento que o Encontro de Autos Antigos de Araras, a 40 quilômetros, também produz: cultura automotiva de interior paulista, feita por colecionador e fundação, não por montadora. O Brasil industrial começou aqui, na região de Campinas, com torno e carrinho de porta na frente. Vale a viagem", observa.

A partida de futebol no Pacaembu

Em 1957, vários Romi-Isetta disputaram uma partida de futebol no estádio do Pacaembu, em São Paulo — evento promocional que virou registro histórico e ilustra a mobilidade do microcarro de 2,3 metros; Pelé, então iniciante no Santos, teria um Romi-Isetta entre seus primeiros carros. A imagem do carrinho no gramado é das mais reproduzidas da história automotiva nacional.

Fundação Romi: a guardiã

Criada pela família Romi em Santa Bárbara d'Oeste, a fundação mantém museu, acervo documental, biblioteca e programação cultural e educativa, e é o centro de referência do Romi-Isetta — com exemplares restaurados, projetos originais e a máquina sopradora que produz miniaturas em plástico ao vivo, como fará na festa. A Romi, empresa, segue como fabricante de máquinas e fundidos, listada na bolsa.

Iso Isetta: a origem italiana e a versão BMW

A Isetta nasceu em 1953 na Iso, fabricante italiana de geladeiras e motonetas, como "carro-bolha" de três metros, porta única frontal que leva o volante junto, dois lugares e motor de moto — resposta à Europa do pós-guerra que precisava de transporte barato; a BMW comprou a licença em 1955 e vendeu mais de 160 mil unidades na Alemanha, salvando a empresa da falência. A Romi licenciou o projeto italiano e, com a versão de motor BMW a partir de 1959, alinhou-se ao carro que salvara a marca bávara. A Isetta é hoje ícone do design dos anos 1950, presente em museus do mundo; a brasileira, com suas soluções próprias, é capítulo à parte dessa história.

Colecionadores: quantos restam

Estima-se que algumas centenas de Romi-Isetta sobrevivam, restaurados por clubes e colecionadores em todo o país — com valor que chega a dezenas de milhares de reais; a carreata de 5 de setembro reúne dezenas deles, cadastrados para exposição, na maior concentração do modelo em anos.

Legado: o que ficou

Motor de alumínio, monobloco, freio hidráulico, 12 volts, quatro marchas — o padrão do carro moderno estava no Romi-Isetta de 1956; a indústria que veio depois, com Fusca, Gordini e Aero-Willys, demoraria a incorporar tudo. O carrinho de Santa Bárbara é o marco zero da engenharia automotiva nacional.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, os 70 anos merecem mais que festa. "O primeiro carro fabricado no Brasil tinha tecnologia que o Fusca só teria décadas depois e custava menos. Foi feito por uma fábrica de tornos numa cidade do interior, com motor BMW, e desapareceu porque o governo escolheu as multinacionais. É história de engenharia brasileira que a escola não conta. A Fundação Romi conta — com carreata, foto e miniatura. Que alguém leve os alunos da Fatec e da Etec de Araras a Santa Bárbara para ver de onde veio a indústria em que vão trabalhar", analisa.

O Romi-Isetta, lançado em 5 de setembro de 1956 em Santa Bárbara d'Oeste, completa 70 anos em 2026, com celebração na Fundação Romi divulgada pelo Canaltech em 5 de setembro de 2026.

Fontes e referências

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