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Economia

Ri Happy troca de CEO e promete "melhor sazonalidade da história"

Reestruturação busca reduzir a dependência do varejo de brinquedos; mercado espera que a mudança de rumo fique em segundo plano até janeiro.

Capa do artigo Ri Happy troca de CEO e promete "melhor sazonalidade da história"
— Foto: Francisco Andrade / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Comprada pela BluSun Capital Partners na segunda-feira, a Ri Happy promete "a melhor sazonalidade da história" no Dia das Crianças, na Black Friday e no Natal: Héctor Nuñez, que comandou a rede de brinquedos de 2012 a 2020, volta ao cargo de CEO com a missão de ouvir franqueados e fornecedores, manter a aposta em experiências dentro das lojas — a frente "Divertudo", estreada no MorumbiShopping — e provar resultado no segundo semestre, quando o mercado cobra reação

À coluna Painel S.A., da Folha, a nova gestão da Ri Happy — empresa que controla a marca homônima e a PBKids — promete fazer "a melhor sazonalidade da história". Na segunda-feira (31 de agosto), a companhia foi comprada pela sociedade anônima BluSun Capital Partners, operação que devolveu Héctor Nuñez ao cargo de CEO: o executivo cubano comandou a empresa por oito anos, de 2012 a 2020. "A primeira prioridade será conhecer profundamente a companhia, acompanhar a operação e ouvir colaboradores, franqueados, fornecedores e parceiros. E garantir que façamos a melhor sazonalidade da nossa história", afirma o diretor-presidente. As informações são da Folha.

Em junho, a coluna antecipou a reestruturação da Ri Happy, que passa a investir em experiências para os clientes dentro das lojas — novo rumo que é uma forma de depender menos do varejo de brinquedos, que disputa o mercado infantil com a tecnologia, segundo analistas. Nos bastidores, analistas enxergam o novo CEO como experiente, com passagens por Walmart e pela própria Ri Happy; a nova gestão, porém, terá de se provar com melhor desempenho no segundo semestre, com as datas importantes do segmento — Dia das Crianças, Black Friday e Natal —, e o mercado espera que a reestruturação fique em segundo plano até janeiro. Sob o ex-CEO Thiago Rebello, a Ri Happy buscava posicionar-se como rede de entretenimento infantil, afastando-se da dependência do varejo presencial; até o momento, a nova gestão pretende continuar o projeto. Na unidade inaugural do novo formato, no MorumbiShopping, em São Paulo, a empresa iniciou a frente de serviços batizada de Divertudo — brinquedotecas temáticas, experiências monitoradas e ativações são alguns dos primeiros projetos.

Ri Happy: a maior rede de brinquedos do país diante da tela

Fundada em 1988 em São Paulo, a Ri Happy tornou-se a maior varejista de brinquedos do Brasil — mais de 300 lojas próprias e franqueadas, a marca PBKids, presença em todos os grandes shoppings —, cresceu sob o fundo Carlyle na década de 2010, quando Nuñez a comandou, e passou por sucessivas trocas de controle e de estratégia à medida que o brinquedo físico perdia espaço para o celular e o tablet: o mercado brasileiro de brinquedos movimenta cerca de R$ 8 bilhões por ano e cresce menos que a economia, com a criança de 8 anos trocando boneca por jogo de celular e o dinheiro dos pais migrando para assinaturas e eletrônicos. A resposta da gestão anterior foi transformar a loja em parque — brinquedotecas, oficinas, festas —, e a nova, sob a BluSun, promete manter o projeto enquanto resolve o básico: vender bem em outubro, novembro e dezembro, os três meses que fazem o ano do setor. Nuñez volta com a reputação de operador — foi ele quem expandiu a rede na década passada — e com o mandato de mostrar, já no Dia das Crianças, que a Ri Happy ainda é o lugar onde se compra brinquedo, antes de ser o lugar onde se brinca.

Para , editor do portal, a promessa de "melhor sazonalidade da história" é o que um CEO novo precisa dizer — e o que o mercado vai cobrar. "A Ri Happy foi comprada numa segunda-feira e, três dias depois, o CEO promete o melhor Natal de todos os tempos. É a única frase possível: o setor vive de três meses, o comprador precisa de resultado rápido e a reestruturação fica para janeiro. Nuñez conhece a casa e o varejo; o desafio não é ele, é o produto: brinquedo perde para tela, e brinquedoteca no shopping é aposta boa que não paga a folha em outubro. A Serasa acabou de dizer que 23,5 milhões vão comprar na Black Friday e que só 5% estão no momento da compra — a Ri Happy precisa estar na lista dos que a criança escolhe. Se o Dia das Crianças for bom, a BluSun acertou; se não, a experiência vira o argumento", avalia.

BluSun Capital Partners: quem comprou

Sociedade anônima de investimento que assumiu o controle da Ri Happy em 31 de agosto, sem valor divulgado, a BluSun trouxe de volta o executivo que conhece a operação e sinalizou continuidade do projeto de experiências; o perfil da compradora — capital nacional, foco em varejo — indica aposta em recuperação operacional, não em reestruturação financeira agressiva.

Héctor Nuñez: o CEO que voltou

Executivo cubano com carreira no varejo — Walmart Brasil e Ri Happy —, Nuñez comandou a rede de 2012 a 2020, período de expansão de lojas e franquias sob o Carlyle; sai e volta seis anos depois, com a tarefa de ouvir franqueados, que sofreram com a queda de vendas, e fornecedores, que exigem previsibilidade de pedidos para as datas.

Divertudo: a loja que vira parque

No MorumbiShopping, a Ri Happy inaugurou o formato com brinquedotecas temáticas, experiências monitoradas e ativações de marcas — serviços pagos que geram receita além da venda de produto e atraem famílias ao shopping; a nova gestão mantém o projeto, mas o mercado espera que a expansão do formato espere o fim da sazonalidade.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o caso da Ri Happy é o dilema de todo varejo físico infantil. "A criança quer tela; o pai quer que ela brinque; o shopping quer fluxo; a loja quer margem. A Ri Happy tenta ser tudo: vende brinquedo, aluga brinquedoteca, faz festa. É o caminho certo — a Toys R Us, nos Estados Unidos, morreu por não ter feito isso —, mas exige caixa e tempo, e o novo dono quer resultado em três meses. Nuñez sabe vender Natal; a pergunta é se o modelo de experiência sobrevive a um Natal ruim. Em Araras, a loja da Ri Happy no shopping é onde a cidade compra presente de criança — e onde se vê, a cada ano, mais tablet na lista", observa.

Dia das Crianças, Black Friday e Natal: os três meses que fazem o ano

O setor de brinquedos concentra mais da metade das vendas anuais entre outubro e dezembro; o Dia das Crianças, em 12 de outubro, é a primeira prova, a Black Friday testa preço, e o Natal define o resultado. É por isso que a nova gestão fala em "sazonalidade" e adia a reestruturação: sem estoque, campanha e loja pronta em setembro, não há janeiro.

Brinquedo x tela: a disputa pelo tempo da criança

Pesquisas do setor apontam que crianças brasileiras passam mais de quatro horas por dia em telas e que a idade de abandono do brinquedo físico caiu para 8 ou 9 anos; fabricantes reagem com licenciamentos de franquias digitais — Roblox, Minecraft — e com brinquedos conectados, e varejistas, com experiência. A Ri Happy vive esse encontro na loja.

Toys R Us e o aviso do varejo americano

A maior rede de brinquedos do mundo, a americana Toys R Us, pediu falência em 2017 e fechou todas as lojas nos Estados Unidos em 2018, esmagada por dívida de aquisição alavancada, pela concorrência da Amazon e do Walmart e pela incapacidade de transformar lojas enormes em algo além de prateleiras — a marca sobreviveu apenas em licenciamento e em lojas-conceito com experiências, exatamente o modelo que a Ri Happy tenta implantar com o Divertudo. A lição que analistas citam é dupla: varejo de brinquedo não sobrevive de venda física de produto que a internet entrega mais barato, e a transição para experiência exige capital e tempo que uma empresa endividada não tem. A Ri Happy, sob novo dono e com o CEO da década de expansão, chega a esse ponto com franquias, PBKids e a temporada de fim de ano como teste de sobrevivência.

Franqueados e fornecedores: quem Nuñez precisa convencer

Parte relevante das lojas Ri Happy é franqueada, e os franqueados sofreram com estoque, margem e campanhas nos últimos anos; fornecedores — Mattel, Hasbro, Estrela, Grow — precisam de pedidos firmes para produzir para o Natal. Ouvir os dois, como o CEO promete, é condição para a "melhor sazonalidade".

Thiago Rebello e o legado da gestão anterior

O ex-CEO conduziu a virada para o entretenimento — Divertudo, experiências, festas — e deixou o projeto em fase inicial; a nova gestão mantém a direção e muda o ritmo, priorizando vendas. É continuidade com pragmatismo, segundo analistas ouvidos pela coluna.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a notícia é sobre o varejo brasileiro tentando se reinventar sem parar de vender. "Comprar uma rede de brinquedos em setembro é comprar o Natal — e o novo dono trouxe de volta quem sabe fazer Natal. O resto, brinquedoteca e experiência, é para 2027. É a decisão certa: primeiro o caixa, depois o modelo. O portal torce pela Ri Happy porque loja de brinquedo em shopping de cidade média é parte da infância de muita gente — e registra que, se o Dia das Crianças de 2026 for o melhor da história, como promete Nuñez, a BluSun terá comprado barato", analisa.

A promessa da nova gestão da Ri Happy, sob a BluSun Capital Partners e o CEO Héctor Nuñez, de realizar "a melhor sazonalidade da história" no segundo semestre foi relatada pela coluna Painel S.A., da Folha, em 3 de setembro de 2026; a aquisição da empresa ocorreu em 31 de agosto de 2026.

Fontes e referências

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