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Finanças

C6 Bank entra no mercado de benefícios corporativos com a compra da Alymente

"Nossa ambição sempre foi ser um banco completo para as empresas", diz Ricardo Botelho; regras de 2025 limitaram a taxa do vale a 3,6%.

Capa do artigo C6 Bank entra no mercado de benefícios corporativos com a compra da Alymente
— Foto: ToNG!? / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

C6 Bank entra no mercado de benefícios corporativos com a compra da Alymente, plataforma criada em 2017 que oferece cartão multibenefícios — alimentação, mobilidade e bem-estar — a mais de 100 mil beneficiários de empresas como Heineken, Nissan, BIC e Pernod Ricard: com aval do Banco Central, a empresa vira C6 Benefícios, com cartão Mastercard, e o banco prepara solução de folha de pagamento para concentrar salários dos clientes corporativos

O C6 Bank entra no mercado de benefícios corporativos com a aquisição da Alymente. Criada em 2017, a empresa oferece um cartão multibenefícios que inclui alimentação, mobilidade e bem-estar, além de serviços como telemedicina, apoio psicológico e acesso a academias, e reúne funcionalidades para as áreas de recursos humanos, como gestão de premiações, frotas, despesas corporativas e reembolsos de funcionários. A plataforma atende mais de 100 mil beneficiários e tem entre seus clientes Heineken, Nissan, BIC e Pernod Ricard. As informações são da Folha.

Após a conclusão da aquisição — sujeita à aprovação do Banco Central e ao cumprimento de condições precedentes —, a Alymente passará a se chamar C6 Benefícios, e o cartão será emitido pela Mastercard. "Nossa ambição sempre foi ser um banco completo para as empresas. Isso significa acompanhar e atender às necessidades do negócio, que muitas vezes vão além dos serviços financeiros tradicionais", afirmou o head de pessoa jurídica do C6 Bank, Ricardo Botelho. "Com essa aquisição, incorporamos uma plataforma pronta e uma equipe que já conhece o setor, além de um serviço que se conecta naturalmente às soluções que oferecemos." O C6, que tem o americano JPMorgan Chase como sócio, acrescentou que prepara para os próximos meses o lançamento de sua solução de folha de pagamento, que permitirá às empresas concentrar no banco também o pagamento de salários. Os movimentos no setor ocorrem após o governo definir, no ano passado, novas regras para vale-alimentação e vale-refeição — incluindo teto de 3,6% para a taxa cobrada de restaurantes e supermercados pelas operadoras e interoperabilidade entre bandeiras —, mudanças que, segundo o Palácio do Planalto, ampliam a concorrência e reduzem a concentração de mercado.

O mercado de R$ 150 bilhões que as novas regras abriram

O Programa de Alimentação do Trabalhador, de 1976, dá incentivo fiscal a empresas que oferecem vale-refeição e vale-alimentação, e criou um mercado que movimenta cerca de R$ 150 bilhões por ano — dominado por décadas por quatro operadoras: Alelo, dos bancos, Pluxee, ex-Sodexo, Ticket, da Edenred, e VR, que cobravam de restaurantes e mercados taxas de 5% a 7% e mantinham redes fechadas, em que o cartão de uma só funcionava em quem a aceitasse. As regras editadas pelo governo em 2025 — teto de 3,6% na taxa ao comerciante e obrigação de interoperabilidade, pela qual qualquer credenciadora processa qualquer cartão — derrubaram as barreiras que protegiam as incumbentes e atraíram fintechs e bancos digitais: iFood Benefícios, Caju, Flash e Swile já disputavam, e o C6 chega comprando uma plataforma pronta, com 100 mil beneficiários e clientes multinacionais. Para o banco, benefício é porta de entrada na empresa: quem gerencia o vale dos funcionários pode gerenciar a folha, a conta corrente, o crédito e o câmbio — e é por isso que Botelho fala em "banco completo para as empresas" e anuncia a folha de pagamento para os próximos meses. Com o JPMorgan como sócio, o C6 replica a estratégia dos grandes bancos americanos, que tratam o cliente corporativo como plataforma, não como produto.

Para , editor do portal, a compra é pequena em valor e grande em sinal. "Cem mil beneficiários é pouco num mercado de dezenas de milhões de trabalhadores com vale — mas é a Heineken, a Nissan, a BIC, empresas que abrem a porta para o resto. O C6 não quer ser operadora de vale; quer ser o banco que paga o salário, o benefício, o cartão corporativo e o reembolso do funcionário num só lugar, e usa a Alymente como cabeça de ponte. As regras de 2025 tornaram isso possível: sem o teto de 3,6% e a interoperabilidade, nenhum novato entrava. O resultado é que Alelo, Ticket, Pluxee e VR, que dominaram o setor por 40 anos, agora disputam com Nubank, Itaú, iFood e C6. O trabalhador ganha cartão que funciona em qualquer lugar; o restaurante paga menos taxa. Para Araras, onde padaria e restaurante viviam com 7% de desconto no vale, é a melhor notícia do dia", avalia.

Alymente: quem é a empresa comprada

Fundada em 2017 em São Paulo, a Alymente construiu um cartão único para múltiplos benefícios — o funcionário decide quanto usa em alimentação, transporte, saúde ou cultura — e uma plataforma de gestão para o RH, com premiações, frotas e reembolsos; a clientela multinacional e o modelo flexível a tornaram alvo de bancos que querem entrar no segmento sem construir do zero. O valor da transação não foi divulgado.

C6 Benefícios e o cartão Mastercard

A nova marca substitui a Alymente após a aprovação do Banco Central; o cartão, emitido pela Mastercard, funcionará na rede de aceitação da bandeira — com a interoperabilidade obrigatória, em qualquer credenciadora —, e as funções de RH migram para a plataforma do banco. Clientes atuais mantêm os contratos.

Folha de pagamento: o próximo passo

Ao lançar solução de folha, o C6 permitirá que empresas paguem salários pelo banco e que funcionários recebam em contas C6 — o mesmo movimento que fez do Itaú e do Bradesco os bancos das grandes empresas; benefício, folha e conta do funcionário formam o tripé que fideliza o cliente corporativo e o pessoa física ao mesmo tempo.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o setor de benefícios é o retrato de como regulação cria concorrência. "Por quarenta anos, quatro operadoras cobravam 7% do restaurante e prendiam o trabalhador a uma rede — porque a lei permitia. Em 2025, o governo fixou teto de 3,6% e mandou abrir a rede; em um ano, entraram iFood, Caju, Flash, Nubank e agora C6 com JPMorgan. É o que aconteceu com o Pix contra o cartão e com o Open Finance contra o banco fechado: regra certa, mercado aberto, preço menor. O restaurante de Araras que reclamava do desconto do vale vai sentir; o trabalhador que não conseguia usar o cartão no mercado de esquina também. O C6 comprou a Alymente porque a regra deixou valer a pena", observa.

PAT: o programa por trás do vale

Criado em 1976, o Programa de Alimentação do Trabalhador permite que empresas deduzam do imposto de renda parte do gasto com alimentação dos funcionários, desde que por operadoras cadastradas; atende cerca de 20 milhões de trabalhadores e é o motivo de o vale ser universal no setor formal. As regras de 2025 alteraram o decreto do PAT para impor teto e interoperabilidade.

Teto de 3,6% e interoperabilidade: as regras de 2025

A taxa que operadoras cobram de restaurantes e supermercados por transação ficou limitada a 3,6%, e qualquer cartão de benefício passou a ser aceito por qualquer maquininha — fim das redes exclusivas; as incumbentes contestaram, alegando queda de receita, e o governo manteve, argumentando concorrência. O resultado é a onda de entrantes que o C6 agora integra.

Alelo, Ticket, Pluxee e VR: as incumbentes

As quatro operadoras tradicionais — ligadas a Bradesco e Banco do Brasil, à francesa Edenred, à ex-Sodexo e ao grupo VR — dominavam mais de 80% do mercado antes das regras; com a abertura, cortaram taxas, lançaram cartões flexíveis e buscaram parcerias com bancos digitais. A disputa é por empresas médias e grandes, onde o C6 mira.

Fintechs de benefícios: iFood, Caju, Flash, Swile

Entraram entre 2019 e 2022 com cartões multibenefício e plataformas de RH, atraindo startups e empresas de tecnologia; com as regras de 2025, ganharam acesso a restaurantes que antes só aceitavam as incumbentes. A compra da Alymente pelo C6 indica que a consolidação — bancos comprando fintechs — começou.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a notícia é boa para quem paga e para quem recebe. "Empresa que concentra benefício, folha e conta num banco digital com JPMorgan atrás tem custo menor e sistema melhor; funcionário com cartão que funciona em qualquer lugar e inclui telemedicina e academia tem benefício de verdade; restaurante com 3,6% em vez de 7% respira. O C6 comprou uma empresa de 100 mil beneficiários para disputar um mercado de 20 milhões — é o começo. O portal registra que a regra de 2025 funcionou e sugere ao governo que faça o mesmo em outros balcões fechados", analisa.

A aquisição da Alymente pelo C6 Bank, que dará origem à C6 Benefícios após aprovação do Banco Central, foi noticiada pela Folha em 3 de setembro de 2026; a plataforma atende mais de 100 mil beneficiários, e o banco prepara solução de folha de pagamento para os próximos meses.

Fontes e referências

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