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Finanças

Quem é Mauricio Quadrado, dono da Trustee e ex-sócio do Banco Master

Ex-diretor de investimentos do Master, foi alvo de busca da Compliance Zero em janeiro; a Trustee já havia sido mirada na Carbono Oculto por operar recursos ligados ao PCC. Assessoria diz que.

Capa do artigo Quem é Mauricio Quadrado, dono da Trustee e ex-sócio do Banco Master
— Foto: Governo RS / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Quem é Mauricio Quadrado, dono da Trustee e ex-sócio do Banco Master, cujas corretoras o Banco Central liquidou nesta semana: veterano de décadas no mercado, foi diretor de mercado de capitais do Bradesco nos anos 1990, coordenou a primeira listagem de uma empresa brasileira na Bolsa de Nova York — a Aracruz, via ADRs —, integrou o grupo das privatizações de FHC, com destaque para a Vale, e comandou a corretora Planner por 13 anos antes de se associar a Daniel Vorcaro

Mauricio Quadrado, ex-sócio e ex-diretor da área de investimentos do Banco Master, é dono da Trustee DTVM, corretora que atuava como prestadora de serviços para o Master e que já apareceu em diferentes investigações. A Trustee e a Banvox Distribuidora, também ligada ao executivo, foram liquidadas extrajudicialmente pelo Banco Central nesta semana devido a violações a normas legais do setor. As informações são da Folha.

Quadrado foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal em janeiro deste ano, na Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes no Master; no dia da operação, sua assessoria afirmou à Folha que ele sempre opera dentro da lei. A segunda fase da Compliance Zero mirou pessoas supostamente envolvidas em fraudes realizadas pelo Master por meio de fundos de investimento, que funcionavam como uma ciranda financeira para desvio de recursos e compra de títulos podres; a Trustee foi alvo também da Operação Carbono Oculto, em 28 de agosto de 2025, por suspeita de operar com recursos de alvos ligados ao PCC. O empresário construiu carreira de décadas no mercado antes de se associar ao banco de Daniel Vorcaro: trabalhou no Bradesco na década de 1990, onde chegou a diretor de mercado de capitais e participou da coordenação de ofertas públicas de empresas que abriram capital na Bolsa à época; foi coordenador-líder da primeira empresa do país a ter ações listadas na Bolsa de Nova York por meio de ADRs, a Aracruz Papel e Celulose; integrou o grupo que liderou privatizações no governo Fernando Henrique Cardoso, com destaque para a desestatização da Vale; e, durante 13 anos, de 2007 a 2020, esteve à frente da corretora Planner, como acionista e diretor de Investment Banking — área que faz operações para investidores institucionais ou clientes de alto patrimônio.

Do Bradesco ao Master: a trajetória de um homem do mercado que virou peça do maior escândalo financeiro do país

A biografia de Quadrado é a do establishment financeiro brasileiro dos anos 1990 e 2000 — Bradesco, aberturas de capital, o ADR pioneiro da Aracruz em 1992, as privatizações de FHC, inclusive a da Vale, em 1997, em que participou do lado dos bancos coordenadores, e depois a Planner, corretora de porte médio com forte atuação em fundos estruturados e em operações para institucionais —, e é justamente esse currículo que dá ao caso Master sua dimensão: Vorcaro, empresário mineiro sem histórico no sistema financeiro, comprou o Banco Máxima em 2019, rebatizou-o e cresceu vendendo CDBs com juros altos garantidos pelo FGC, mas precisou de gente de mercado para montar a arquitetura — fundos, carteiras, distribuição, custódia — que a PF descreve como "ciranda", e Quadrado, como sócio e diretor de investimentos, foi um dos que trouxeram a expertise; a Trustee, sua corretora, prestava ao Master serviços de custódia e distribuição de cotas, e a Banvox, de gestão de fundos próprios — o encanamento pelo qual as carteiras de crédito fictícias circulavam entre fundos e chegavam a investidores, ao BRB e a fundos de pensão. O rompimento com Vorcaro antes da liquidação do banco, em novembro de 2025, não o livrou: a Carbono Oculto, em agosto de 2025, já havia mirado a Trustee por operar recursos de alvos ligados ao PCC — a mesma operação que atingiu a Reag e os postos de combustível —, a Compliance Zero o alcançou em janeiro com busca e apreensão, e o Banco Central, nesta semana, fechou as duas corretoras por "graves violações", com apuração de responsabilidade de administradores que pode levar à indisponibilidade de bens e ao encaminhamento ao Ministério Público. A defesa — "sempre operou dentro da lei" — é a de todos os alcançados pelo caso, e o perfil da Folha não a contesta nem a confirma; o que mostra é o padrão do escândalo: um outsider com apetite e dinheiro de origem obscura, cercado por profissionais respeitados que emprestaram décadas de credibilidade a um esquema que a CVM viu por nove anos sem agir. Para o mercado, o nome de Quadrado — que coordenou a Aracruz em Nova York e a Vale na privatização — nas liquidações do BC é o sinal de quão longe o Master alcançou; para a investigação, é a próxima peça a explicar o que sabia.

Para , editor do portal, o perfil de Quadrado é a resposta à pergunta que o caso Master sempre suscitou. "Como um banco pequeno, de um empresário sem passado financeiro, montou a maior fraude do sistema em cinco anos? Com gente como Mauricio Quadrado: diretor do Bradesco, coordenador do primeiro ADR brasileiro, das privatizações da Vale, treze anos na Planner. Vorcaro tinha o apetite; o mercado emprestou a competência. A Trustee e a Banvox eram o encanamento, e o Banco Central acaba de fechar os canos. A defesa diz que sempre operou dentro da lei — vamos ver o que a PF, a CVM e o liquidante dizem. O portal registra a trajetória porque ela explica o escândalo melhor que qualquer vazamento: não foi um aventureiro sozinho; foi o sistema, com nome e currículo, ajudando", avalia.

A Trustee e a Banvox: as corretoras liquidadas

A Trustee, DTVM de custódia e distribuição, prestava serviços ao Master e foi alvo da Carbono Oculto em 2025 e da Compliance Zero em 2026; a Banvox, fundada em 1984, geria fundos próprios, um deles citado na operação contra o PCC; juntas, tinham menos de 0,001% dos ativos do sistema e foram liquidadas por violações graves.

Compliance Zero: a busca de janeiro

A segunda fase da operação da PF mirou a estrutura de fundos do Master — a "ciranda" que reciclava carteiras fictícias e comprava títulos podres —, com buscas contra Quadrado e outros ex-executivos e a liquidação da Reag no mesmo dia; a assessoria do empresário afirmou que ele sempre operou dentro da lei.

Carbono Oculto: a ligação com o PCC

Em 28 de agosto de 2025, a operação contra lavagem de dinheiro do crime organizado por postos, fintechs e fundos alcançou a Trustee por suspeita de operar recursos de alvos ligados ao PCC — o elo entre o ecossistema do Master e o crime organizado que a CPI do Senado e o STF investigam.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a carreira anterior de Quadrado é o que torna o caso mais grave. "Não estamos falando de um laranja; estamos falando de quem levou a Aracruz a Nova York e a Vale ao leilão, de quem treze anos dirigiu uma corretora respeitável. Quando alguém assim vira sócio de Vorcaro e dono da corretora que custodiava a ciranda, o sistema inteiro deveria ter perguntado por quê. A CVM tinha processos e não fechou; o BC fechou agora, um ano depois da Carbono Oculto. O portal registra o perfil e observa que a defesa 'sempre operou dentro da lei' vai precisar explicar como uma corretora de 40 anos acabou administrando fundo de facção", observa.

Bradesco, Aracruz, Vale: os anos 1990

Diretor de mercado de capitais do Bradesco, Quadrado coordenou aberturas de capital e a listagem da Aracruz na Bolsa de Nova York por ADRs, em 1992, a primeira de uma brasileira; integrou o grupo de bancos que conduziu privatizações do governo FHC, com a Vale, em 1997, como a maior — o currículo que o mercado respeitava.

Planner: 13 anos de corretora

De 2007 a 2020, foi acionista e diretor de banco de investimento da Planner, corretora de porte médio ativa em fundos estruturados e operações para institucionais — a experiência em fundos que, segundo a PF, foi transposta para a arquitetura do Master.

A associação com Vorcaro e o rompimento

Sócio e diretor de investimentos do Master, Quadrado rompeu com Vorcaro antes da liquidação do banco, em novembro de 2025, e assumiu o controle da Trustee; o momento e os termos da separação são objeto de apuração — a PF investiga se foi saída estratégica ou divergência.

O que vem: liquidante, CVM, Ministério Público

A liquidação extrajudicial nomeia liquidante, arrola credores e apura responsabilidade de administradores, com possível indisponibilidade de bens; a CVM tem processos contra a Trustee; a PF investiga; e o resultado pode ser encaminhado ao Ministério Público — o percurso que Vorcaro já enfrenta e que Quadrado passa a enfrentar.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o perfil mostra o que o mercado prefere esquecer. "Todo escândalo financeiro precisa de dois personagens: o que tem a ideia e o que sabe executar. Vorcaro é o primeiro; Quadrado, com Bradesco e Vale no currículo, é o retrato do segundo. O Banco Central fechou as corretoras dele nesta semana; a PF já entrou na casa dele em janeiro; a CVM tinha processos há anos. O portal registra e faz a pergunta que o mercado evita: quantos Quadrados ainda emprestam credibilidade a quantos Vorcaros? A resposta está nos próximos anexos da delação do Mansur", analisa.

O perfil de Mauricio Quadrado, ex-sócio e ex-diretor de investimentos do Banco Master e dono da Trustee DTVM, corretora liquidada pelo Banco Central nesta semana junto com a Banvox, foi publicado pela Folha em 3 de setembro de 2026; o empresário foi alvo de busca e apreensão na Operação Compliance Zero em janeiro, e sua assessoria afirma que ele sempre operou dentro da lei.

Fontes e referências

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