Tufão Saudel provoca deslizamento de terra na China e deixa um morto e 11 desaparecidos em Jiangxi
Duas pessoas foram resgatadas com vida e estão estáveis; em Fujian, vilarejos ficaram isolados e equipes usam botes, enquanto o solo encharcado eleva o risco de novos deslizamentos.
Tufão Saudel provoca deslizamento de terra na China e deixa um morto e 11 desaparecidos em Jiangxi: encosta cedeu às 4h da manhã de sábado no condado de Suichuan após dias de chuva torrencial, destruiu 12 casas e mobilizou equipes de busca — a tempestade, que tocou o continente duas vezes em Zhejiang em 28 de agosto e voltou à costa na quinta como tempestade tropical em Fujian, derrubou mais de 100 casas em Putian, rompeu um dique e forçou a retirada de 600 mil moradores
Uma pessoa morreu e outras 11 estão desaparecidas após um deslizamento de terra provocado pelas fortes chuvas associadas ao tufão Saudel atingir a província de Jiangxi, no leste da China, neste sábado (5 de setembro). O deslizamento ocorreu durante a madrugada, por volta das 4h no horário local, na cidade de Gaoping, condado de Suichuan, e danificou 12 casas; equipes de emergência foram mobilizadas para procurar os desaparecidos e retirar moradores de áreas de risco. Duas pessoas foram resgatadas com vida e estavam em condição estável, segundo as autoridades chinesas. As informações são do InfoMoney.
O deslizamento atingiu uma vila na região após dias de chuvas torrenciais provocadas pelo Saudel; as equipes de resgate seguem trabalhando, enquanto moradores são levados para áreas mais seguras e as autoridades adotam medidas para reduzir o risco de novos deslizamentos. Antes de Jiangxi, o Saudel já havia passado por outras regiões do leste da China: o tufão tocou o continente duas vezes na província de Zhejiang em 28 de agosto e voltou a atingir a costa na quinta-feira (3), desta vez como tempestade tropical, em Fujian, onde os impactos também foram sentidos com força — autoridades locais informaram que moradores estavam desaparecidos após vários dias de chuva intensa, e na cidade de Huating, em Putian, mais de 100 casas desabaram. Um dique transbordou e se rompeu na quinta-feira, inundando vilarejos e deixando moradores isolados; imagens da televisão estatal mostraram ruas tomadas pela água e equipes de resgate em botes infláveis. Até a noite de sexta-feira, aproximadamente 600 mil moradores haviam sido retirados de áreas costeiras e terrestres de risco em Fujian. Em Jiangxi, as buscas pelos 11 desaparecidos continuam, e as equipes trabalham na retirada de moradores e na prevenção de novos desastres provocados pelo solo encharcado após os sucessivos episódios de chuva.
Temporada de tufões de 2026: por que o Saudel castigou o interior, e não só a costa
O Saudel é típico de um padrão que os meteorologistas chineses e a Organização Meteorológica Mundial vêm registrando com mais frequência: tempestades que perdem força ao tocar o continente — passando de tufão a tempestade tropical, como ocorreu entre Zhejiang e Fujian —, mas que se deslocam lentamente e despejam chuva por dias sobre regiões montanhosas do interior, onde o solo saturado cede em deslizamentos que matam mais do que o vento na costa; Jiangxi, província agrícola e montanhosa a centenas de quilômetros do mar, é onde o Saudel fez sua vítima fatal, e não no litoral de Fujian, que retirou 600 mil pessoas e sofreu inundações, mas com evacuação prévia. A China tem um dos sistemas de defesa civil mais eficazes do mundo para tempestades — alertas por celular, retiradas em massa, diques e reservatórios de contenção —, mas a combinação de chuva prolongada, encostas ocupadas e rios de montanha é o ponto fraco, e o rompimento do dique em Putian, com mais de 100 casas desabadas, mostra que a infraestrutura também cede sob volumes fora do padrão. O contexto climático de 2026 pesa: o El Niño em desenvolvimento, projetado como muito forte pela OMM, altera as trajetórias dos tufões no Pacífico ocidental — em anos de El Niño, tempestades tendem a formar-se mais a leste, viver mais e chegar ao continente com mais chuva —, e o Pacífico mais quente alimenta ciclones de intensificação rápida; a temporada de 2026 já registrou vários tufões no sul da China, em Taiwan e nas Filipinas, e o Saudel, embora não tenha sido o mais forte, foi dos mais persistentes, com duas entradas no continente em uma semana. Para a região de Jiangxi, a temporada de chuvas de verão termina com o solo encharcado e o risco de novos deslizamentos nas próximas semanas.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a tragédia de Jiangxi ilustra um padrão que o Brasil conhece. "A morte não veio do vento na costa, onde 600 mil pessoas foram retiradas a tempo; veio do deslizamento na montanha, às quatro da manhã, depois de dias de chuva, numa vila de 12 casas. É o que acontece em Petrópolis, em São Sebastião, no Vale do Itajaí: a costa evacua, o morro cede. A China, com toda a sua defesa civil, não consegue proteger a encosta ocupada da chuva que não para — e o El Niño de 2026 promete mais tufões persistentes no Pacífico e mais temporais no Sul do Brasil. O portal registra os 11 desaparecidos de Suichuan como lembrete de que o problema é o mesmo em qualquer país: gente morando onde a terra desliza, e chuva que agora vem em dose dobrada", avalia.
Suichuan, Jiangxi: o deslizamento das 4h
Na cidade de Gaoping, uma encosta cedeu sobre uma vila após dias de chuva, destruindo 12 casas; um morador morreu, dois foram resgatados com vida e 11 seguem desaparecidos; equipes de emergência escavam e retiram vizinhos de áreas de risco, com o solo ainda instável e mais chuva prevista.
Fujian: 600 mil retirados, casas desabadas, dique rompido
A segunda entrada do Saudel no continente, como tempestade tropical, castigou a província costeira com chuva intensa por dias; em Huating, distrito de Putian, mais de 100 casas desabaram, um dique rompeu-se na quinta e inundou vilarejos, e cerca de 600 mil pessoas foram retiradas de áreas costeiras e interiores até sexta à noite.
Zhejiang: as duas entradas de 28 de agosto
O Saudel tocou o continente duas vezes na província ao sul de Xangai no fim de agosto, ainda como tufão, antes de voltar ao mar e retornar à costa em Fujian; a trajetória errática — comum em tempestades que interagem com sistemas de alta pressão — prolongou a chuva por mais de uma semana no leste chinês.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o número de retirados é o dado que impressiona. "Seiscentas mil pessoas evacuadas em uma província, em dois dias, antes da tempestade — é logística que poucos países conseguem, e é o motivo de o Saudel ter matado uma pessoa, e não centenas, como tufões matavam na China nos anos 1990. O que falha é o imprevisível: a encosta de uma vila do interior, longe do mar, que ninguém mandou evacuar porque o tufão 'já tinha passado'. O portal registra a lição da defesa civil chinesa — retirar antes, em massa — e a que falta a todos: o risco continua depois que o vento para, enquanto a terra estiver molhada", observa.
Tufões e El Niño: a temporada de 2026
Com o Pacífico aquecido e o El Niño se intensificando, a temporada no Pacífico ocidental tem tempestades mais duradouras e trajetórias deslocadas; China, Taiwan, Filipinas, Vietnã e Japão registraram vários ciclones desde julho, e a OMM alerta para o fim de temporada mais ativo até novembro.
A defesa civil chinesa: como funciona
Alertas por SMS e aplicativos, ordem de retirada por distrito, abrigos em escolas e ginásios, suspensão de transporte e aulas, e reservatórios que retêm cheias — o sistema reduziu drasticamente as mortes por tufão nas últimas duas décadas; deslizamentos no interior e rompimento de diques são os riscos residuais.
Deslizamentos: o risco que a chuva prolongada cria
Solo saturado por dias de precipitação perde coesão e cede sem aviso, especialmente em encostas desmatadas ou cortadas para moradia e estrada; é a principal causa de morte em tempestades tropicais na China, no Sudeste Asiático e no Brasil, e o motivo de as autoridades de Jiangxi manterem retiradas mesmo após a passagem do Saudel.
Comparação com o Brasil: o mesmo padrão em outra escala
Petrópolis em 2022, litoral norte paulista em 2023, Rio Grande do Sul em 2024 — chuva persistente sobre encostas ocupadas, com mortes concentradas em deslizamentos; a diferença é de escala de evacuação, em que a China retira centenas de milhares e o Brasil, milhares; e de El Niño, que no Brasil traz o excesso ao Sul e a seca ao Norte.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o Saudel é notícia pelo que revela, não pelo tamanho. "Não foi o maior tufão do ano; foi o mais teimoso — duas entradas no continente em uma semana, chuva por dias, e a morte numa vila de montanha depois que todo mundo achou que tinha passado. É o clima de 2026: menos previsível, mais persistente. O portal registra Jiangxi e Fujian ao lado do alerta do CGE em São Paulo e do ONS sobre o El Niño — porque o mesmo Pacífico que empurra tufão para a China empurra frente fria para o Sudeste e seca para a Amazônia. A conta é global; a vítima é sempre local", analisa.
O deslizamento provocado pelas chuvas do tufão Saudel na província chinesa de Jiangxi, com um morto e 11 desaparecidos, ocorreu na madrugada de 5 de setembro de 2026 e foi noticiado pelo InfoMoney; a tempestade tocou o continente em Zhejiang em 28 de agosto e em Fujian em 3 de setembro, onde cerca de 600 mil pessoas foram retiradas.