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Elétricos

Festival Interlagos 2026 reúne 485 mil visitantes, 81 novidades e 31,5 mil test-drives

Etapa Auto teve 215 mil pessoas, 32 marcas e 15,2 mil test-drives; edição Moto cresceu 51% e levou 270 mil. BYD Mako, GWM Tank 400, Honda Prelude e a estreante DFM foram destaques.

Capa do artigo Festival Interlagos 2026 reúne 485 mil visitantes, 81 novidades e 31,5 mil test-drives
— Foto: Governo do Estado de São Paulo / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Festival Interlagos 2026 reúne 485 mil visitantes, 81 novidades e 31,5 mil test-drives; chinesas dominam os 36 lançamentos da edição Auto

O Festival Interlagos 2026 encerrou suas duas edições — Auto e Moto — com 485 mil visitantes, 81 novidades apresentadas ao público e 31,5 mil experiências de direção e pilotagem realizadas no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. A edição Auto, entre 27 e 30 de agosto, reuniu 215 mil pessoas e 32 marcas, com 36 lançamentos, pré-lançamentos e novidades e 15,2 mil testes de direção feitos pelos próprios visitantes. Os números foram divulgados pelo G1.

O evento consolidou seu formato particular no calendário automotivo brasileiro: diferentemente de um salão tradicional, em que os carros ficam expostos em estandes, o Festival Interlagos permite que o público dirija parte dos veículos apresentados — no traçado do autódromo e em áreas específicas preparadas para diferentes tipos de veículo e situações de condução. É a experiência, e não apenas a exposição, que atrai o público.

Os destaques da edição Auto

Entre as empresas participantes estavam fabricantes tradicionais, marcas premium, esportivas e as novas montadoras chinesas que ampliam presença no mercado brasileiro — e foram estas últimas que concentraram boa parte das novidades. A BYD mostrou a picape híbrida Mako, posicionada para enfrentar Fiat Toro e Volkswagen Tukan no segmento de picapes médias. A GWM confirmou a chegada do Tank 400 híbrido flex ao Brasil em 2026, um SUV de grande porte para rivalizar com o Toyota SW4.

A estreante DFM anunciou desembarque no Brasil em outubro, com hatch e SUV elétricos para disputar espaço com BYD e GWM — mais uma marca chinesa no mercado nacional. Já a Honda trouxe de volta o Prelude, cupê esportivo que retorna ao país após 25 anos, por R$ 380 mil, resgatando um modelo que teve Ayrton Senna como garoto-propaganda em sua passagem anterior pelo Brasil.

O G1 destacou ainda seis novos SUVs que chegam ao mercado com autonomia de até 900 km e potência de até 767 cv — números que ilustram o salto tecnológico dos modelos eletrificados apresentados no evento —, e mais quatro marcas chinesas com planos de estreia no país.

Para , editor do portal, o festival é o retrato mais fiel do momento do mercado. "Trinta e seis novidades e a maioria vem da China. Uma picape híbrida da BYD para brigar com a Toro, um SUV grande da GWM para brigar com a SW4, uma marca nova, a DFM, chegando em outubro. As tradicionais responderam com nostalgia — o Prelude de volta — e com produto de nicho. Quem quiser saber para onde vai o mercado brasileiro não precisa de relatório: basta ver quem tinha fila para test-drive em Interlagos", avalia.

15,2 mil test-drives: o que o público quis dirigir

Os 15,2 mil testes de direção da edição Auto são a métrica que diferencia o Festival Interlagos de outros eventos. Cada teste representa um consumidor potencial que sentou ao volante de um modelo novo — muitas vezes de uma marca que ele nunca havia experimentado — e formou impressão própria sobre dirigibilidade, conforto e desempenho. Para fabricantes que ainda constroem reputação no Brasil, como as chinesas, esse contato direto vale mais do que qualquer campanha publicitária.

Os testes ocorreram tanto no traçado de Interlagos, que permite avaliar desempenho em velocidade e em curvas, quanto em áreas específicas destinadas a situações de condução particulares — off-road para SUVs e picapes, pistas de manobra para modelos urbanos. A diversidade de pistas permitiu que veículos de perfis muito diferentes fossem avaliados em condições adequadas a cada um.

Edição Moto: crescimento de 51%

A etapa dedicada às motocicletas foi o destaque de crescimento. A edição Moto recebeu 270 mil pessoas, um aumento de aproximadamente 51% em relação a 2025, quando 179 mil visitantes passaram pelo evento. Foram 45 novidades apresentadas — mais do que na edição Auto — e o restante das 31,5 mil experiências de pilotagem contabilizadas nas duas etapas.

O salto de público reflete a expansão do mercado brasileiro de motocicletas, que vive um de seus melhores momentos em volume de vendas, impulsionado tanto pelo uso profissional — entregas e transporte por aplicativo — quanto pelo segmento de lazer e alta cilindrada, onde as novidades se concentram.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a edição Moto merece mais atenção do que recebe. "Duzentas e setenta mil pessoas para ver moto, 51% a mais que no ano passado, mais novidades que a edição de carros. A moto virou o veículo do brasileiro que trabalha e do brasileiro que quer lazer, ao mesmo tempo. O festival captou isso antes da maioria dos analistas", observa.

Além dos veículos: música, competições e experiência

A programação do festival foi além da exposição e dos testes. Houve competições, apresentações, espaços de mobilidade, ações de segurança, gastronomia e atrações musicais nas duas edições. Entre os artistas presentes estavam nomes brasileiros de diferentes gêneros — Péricles, Ludmilla, Thiaguinho, Belo, Matuê, Filipe Ret, L7nnon e Hungria — e o rapper americano Ja Rule. Celebridades e influenciadores também circularam pelo evento, principalmente nas áreas destinadas a ativações de marcas.

A combinação de veículos e entretenimento é deliberada: transforma o festival em programa de fim de semana para famílias e grupos de amigos, ampliando o público além do entusiasta automotivo tradicional e expondo os produtos a consumidores que não iriam a um salão convencional.

Do Salão do Automóvel ao festival de pista

O Festival Interlagos ocupa o espaço deixado pelo Salão do Automóvel de São Paulo, evento bienal que durante décadas foi a vitrine do setor no país e cuja última edição aconteceu em 2018. A pandemia inviabilizou a edição de 2020, e as montadoras, que já questionavam o custo de estandes gigantescos em pavilhão fechado, não voltaram ao formato. O que surgiu no lugar inverte a lógica: em vez de expor o carro para ser olhado, coloca o público dentro dele.

A mudança acompanha uma tendência global — salões tradicionais como os de Frankfurt e Genebra encolheram ou desapareceram — e favorece justamente as marcas novas, que precisam mais de experimentação do que de prestígio de estande. Não é coincidência que as chinesas tenham adotado o festival como principal palco de lançamento no Brasil.

Chinesas com fábrica no interior paulista e na Bahia

A presença dominante de BYD, GWM e DFM em Interlagos reflete um movimento que já saiu do showroom e chegou ao chão de fábrica. A GWM produz desde 2025 em Iracemápolis, no interior de São Paulo, na antiga unidade da Mercedes-Benz; a BYD iniciou a produção em Camaçari, na Bahia, no complexo que pertenceu à Ford. As duas fábricas convertem importadoras em montadoras nacionais, com acesso a incentivos, fornecedores locais e, sobretudo, à percepção do consumidor de que a marca veio para ficar.

A DFM, ao anunciar chegada em outubro, entra no país já sabendo que o mercado aceita a origem chinesa — barreira que BYD e GWM levaram anos para derrubar. O festival, com seus 15,2 mil test-drives, é o lugar em que essa aceitação é medida em fila.

O que o festival diz sobre 2027

Os lançamentos apresentados em Interlagos chegam às concessionárias nos próximos meses e definem parte da oferta de 2027. A leitura do evento sugere três tendências: a consolidação das marcas chinesas em segmentos de maior valor — picapes médias e SUVs grandes —, a resposta das tradicionais com modelos de apelo emocional e a expansão contínua do mercado de motos.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o festival também revela um padrão de consumo. "Quase meio milhão de pessoas pagaram para ver, dirigir e pilotar veículos num fim de semana em São Paulo. Isso mostra que o brasileiro continua apaixonado por carro e moto, mesmo com preço alto e juro alto. O que mudou é a marca que ele quer dirigir. O festival é o termômetro mais honesto do mercado porque mede desejo, não venda — e o desejo, hoje, tem sotaque chinês", analisa.

A organização do Festival Interlagos não divulgou as datas da edição de 2027. As novidades apresentadas na edição Auto de 2026 têm cronogramas de lançamento comercial variados, alguns ainda em 2026 e outros ao longo do próximo ano.

Fontes e referências

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