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Finanças

3corações compra Yoki e Kitano da General Mills por R$ 800 milhões

Negócio anunciado em março inclui o escritório de São Bernardo do Campo e as fábricas de Pouso Alegre (MG) e Campo Novo do Parecis (MT); condições regulatórias foram cumpridas.

Capa do artigo 3corações compra Yoki e Kitano da General Mills por R$ 800 milhões
— Foto: Governo do Estado de São Paulo / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

3corações conclui a compra das operações da General Mills no Brasil por R$ 800 milhões e incorpora Yoki e Kitano: líder do café passa a ter 15 fábricas, 12,7 mil funcionários e presença em mais de 600 mil pontos de venda, com pipoca de micro-ondas, farofa, batata palha e temperos no portfólio — "acelera a estratégia de diversificação", diz o presidente Pedro Lima

O Grupo 3corações concluiu na quinta-feira (3 de setembro) a aquisição das operações da General Mills no Brasil, em negócio de R$ 800 milhões anunciado em março. A operação inclui as marcas Yoki e Kitano, que passam a integrar o portfólio da companhia brasileira; segundo a 3corações, todas as condições regulatórias e contratuais previstas no acordo foram cumpridas. A aquisição amplia a atuação do grupo para além do café, segmento em que é líder no país. As informações são da Folha.

Com a operação, a empresa passa a ter cerca de 12,7 mil funcionários e presença em mais de 600 mil pontos de venda no Brasil. A Yoki atua em pipoca de micro-ondas, farofa, batata palha, farináceos e acompanhamentos; a Kitano produz temperos, ervas e especiarias. O acordo inclui o escritório administrativo da General Mills em São Bernardo do Campo e duas unidades produtivas — Pouso Alegre, em Minas Gerais, e Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso —, com o que a 3corações passa a operar 15 fábricas. O presidente do grupo, Pedro Lima, afirmou que a aquisição acelera a estratégia de diversificação da companhia, que nos últimos anos passou a atuar em categorias além do café. Fundada em 1959, a 3corações tinha cerca de 9 mil funcionários antes do negócio e concorre com JDE Peet's — Pilão e L'OR —, Melitta, Nestlé — Nescafé e Nespresso — e Camil — Bom Dia e Seleto.

De Eusébio ao Brasil inteiro: quem é a 3corações

Nascida em Fortaleza como Café São Miguel, da família Lima, a empresa cresceu comprando marcas regionais e, em 2005, uniu-se ao grupo israelense Strauss numa sociedade meio a meio que criou o Grupo 3corações, com sede em Eusébio, no Ceará; a marca 3 Corações tornou-se líder nacional do café torrado e moído, à frente de Pilão, e o grupo somou cápsulas, café solúvel, cappuccino, achocolatado, refrescos e, nos últimos anos, snacks e produtos de mercearia. A compra das operações da General Mills — que havia adquirido a Yoki em 2012 por cerca de R$ 1,75 bilhão e a integrara à Kitano — é a maior aquisição da história do grupo e o movimento mais claro de saída da dependência do café, commodity cujo preço dobrou entre 2024 e 2025 e pressionou margens de toda a indústria. Com farofa, pipoca, batata palha e temperos, a 3corações entra em categorias de consumo diário com marcas conhecidas e distribuição já construída.

Para , editor do portal, o negócio mostra o capital brasileiro comprando o que a multinacional deixou. "A General Mills pagou 1,75 bilhão pela Yoki em 2012 e vendeu por 800 milhões em 2026 — sinal de que o Brasil deixou de ser prioridade para a americana, que concentra esforços em cereais e pet food nos Estados Unidos. Quem comprou foi um grupo cearense que virou líder nacional de café e agora quer ser empresa de alimentos. É a mesma lógica que fez a Camil comprar marcas, a M. Dias Branco comprar a Piraquê e a BRF se fundir com a Marfrig: consolidação por quem conhece o varejo brasileiro. Quinze fábricas, 12,7 mil empregos e 600 mil pontos de venda — a 3corações ficou do tamanho para brigar com Nestlé em qualquer gôndola", avalia.

Café: o negócio que sustenta o grupo

A 3corações é líder nacional em café torrado e moído, com a marca homônima, e opera cápsulas, café solúvel, cappuccino, filtro e máquinas — a Três, plataforma própria de cápsulas —, além de achocolatados e refrescos em pó; as unidades de torrefação ficam no Ceará, no Rio Grande do Norte, em Minas Gerais e em São Paulo, e a distribuição alcança padarias, mercadinhos e atacarejos do país inteiro, estrutura que o grupo agora usará para levar Yoki e Kitano. O café responde pela maior parte do faturamento — que superou a casa dos bilhões de reais nos últimos anos —, e é justamente a dependência da commodity que a compra pretende reduzir.

Preço do café: a pressão de 2024 e 2025

A seca de 2024 no Sudeste e a quebra de safra em outros produtores levaram o arábica a recordes históricos na bolsa de Nova York em 2025, acima de US$ 4 por libra; no varejo brasileiro, o café moído acumulou alta próxima de 80% em doze meses segundo o IPCA, e as torrefadoras viram o consumo cair e as margens encolherem. A 3corações repassou parte do custo e perdeu volume — cenário que acelerou a decisão de diversificar para categorias com preço estável e demanda cotidiana, como farofa, pipoca e temperos.

Yoki: a marca de 66 anos

Fundada em 1960 em São Paulo pela família Kitano, a Yoki construiu liderança em pipoca de micro-ondas, farofa pronta, batata palha e misturas para bolo, com fábricas em Pouso Alegre e no Mato Grosso, onde processa milho; é marca de alta lembrança em datas como Festa Junina e presença em praticamente todo supermercado do país.

Kitano: temperos e especiarias

Nascida da mesma família, a Kitano concentra temperos, ervas, especiarias e molhos — categoria de alta frequência de compra e margem elevada — e complementa a Yoki na mercearia seca. Ambas eram operadas pela General Mills desde 2012 e agora passam à estrutura comercial da 3corações.

Pouso Alegre e Campo Novo do Parecis: as fábricas

A unidade mineira produz a maior parte da linha Yoki e Kitano e é uma das maiores da região; a de Campo Novo do Parecis, no cerrado mato-grossense, beneficia milho para pipoca próximo à origem. Com elas, a 3corações chega a 15 plantas, das quais a maioria dedicada a café, no Ceará, em Minas, em São Paulo e no Sul.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o momento do café explica o negócio. "O preço do café arábica bateu recorde em 2025, a 3corações repassou o que pôde e viu volume cair. Depender de uma commodity que dobra em um ano é risco; farofa e tempero não dobram. Pedro Lima comprou estabilidade — categorias de mercearia que vendem todo dia, com marcas que o consumidor já conhece. O Cade aprovou sem restrição porque não há sobreposição: café de um lado, milho e especiarias do outro. É diversificação clássica, feita na hora certa e com preço de vendedor apressado", observa.

O Cade e as condições regulatórias

Por não haver concentração relevante entre café e as categorias da Yoki e da Kitano, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica aprovou a operação sem restrições; a conclusão nesta semana cumpre as condições contratuais e regulatórias previstas em março, seis meses após o anúncio.

General Mills: a saída do Brasil

A multinacional de Minneapolis — Cheerios, Häagen-Dazs, Betty Crocker — reduz operações fora dos Estados Unidos para concentrar-se em cereais, snacks e alimentos para pets; a venda da unidade brasileira segue desinvestimentos na Europa e na América Latina anunciados desde 2024.

Concorrência: a nova gôndola

Com Yoki e Kitano, a 3corações enfrenta Nestlé, Camil, M. Dias Branco, Unilever e marcas próprias de varejistas em mercearia seca; a força de vendas unificada e a distribuição em 600 mil pontos — construída para o café, presente em padarias e mercadinhos — é a principal sinergia esperada.

Strauss e a família Lima: os donos

O grupo israelense Strauss e a família Lima dividem o controle meio a meio desde 2005; a 3corações é a maior operação internacional da Strauss e a maior indústria de alimentos do Nordeste. A aquisição foi financiada com caixa e dívida, segundo a empresa.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o negócio é bom exemplo de indústria brasileira em consolidação. "Uma empresa do Ceará compra de uma multinacional americana duas marcas paulistas com fábricas em Minas e no Mato Grosso, e passa a ter 15 unidades e 12,7 mil empregados. É integração nacional de verdade. O risco é o de sempre em aquisição: integrar cultura, logística e sistemas sem perder venda — a General Mills demorou anos para fazer isso com a Yoki. A 3corações tem histórico de comprar marcas regionais e absorvê-las; agora o desafio é maior. Se der certo, o Brasil ganha uma companhia de alimentos de capital nacional com escala para exportar", analisa.

A conclusão da aquisição das operações da General Mills no Brasil pelo Grupo 3corações, incluindo as marcas Yoki e Kitano, por R$ 800 milhões, ocorreu em 3 de setembro de 2026, segundo a Folha. O negócio havia sido anunciado em março de 2026.

Fontes e referências

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