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Finanças

Dólar sobe 0,50% e fecha a R$ 5,13 na véspera do feriado

Desemprego americano segue em 4,1%; no ano, o dólar acumula queda de 6,54% frente ao real, e o Ibovespa sobe 14,91%.

Capa do artigo Dólar sobe 0,50% e fecha a R$ 5,13 na véspera do feriado
— Foto: Confederate States of America. / Wikimedia Commons (Public domain)

Dólar sobe 0,50% e fecha a R$ 5,13 na véspera do feriado, depois de o payroll mostrar 162 mil vagas criadas nos Estados Unidos em agosto — quase o triplo do esperado — e reacender a possibilidade de o Fed elevar os juros ainda em setembro; Ibovespa recua 0,02%, aos 185.147 pontos, mas acumula alta de 5,40% na semana e de 14,91% no ano, enquanto o mercado digere a pesquisa Datafolha e a balança comercial com os primeiros efeitos do tarifaço

O dólar fechou em alta de 0,50% na sexta-feira (4 de setembro), cotado a R$ 5,1300, e o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, recuou 0,02%, aos 185.147 pontos. Com poucos indicadores no Brasil e às vésperas do feriado de 7 de Setembro, as atenções dos investidores se voltaram para os dados de emprego dos Estados Unidos: o Departamento do Trabalho divulgou o relatório de agosto, o payroll, que mostrou a criação de 162 mil vagas — bem acima da expectativa do mercado, de 56 mil —, com a taxa de desemprego mantida em 4,1%, sinal de mercado de trabalho aquecido. As informações são do G1.

Os números aumentam a possibilidade de o Federal Reserve elevar os juros ainda neste mês para conter a inflação — antes do relatório, parte dos investidores acreditava que a taxa poderia ser mantida; a decisão do Fed influencia os mercados globais, incluindo o dólar, a bolsa e o fluxo de investimentos para países como o Brasil. No Brasil, o IBGE divulgou a pesquisa sobre trabalho por aplicativos e plataformas digitais, e o governo apresentou à tarde a balança comercial de agosto, que deve mostrar os primeiros impactos do tarifaço dos Estados Unidos sobre exportações e importações; o Congresso aprovou na quinta-feira o fim da "taxa das blusinhas", o imposto de importação de 20% sobre compras de até US$ 50, que segue para sanção. O mercado também analisou a nova pesquisa Datafolha para a eleição presidencial, encomendada pela Globo e pela Folha, que testou dois cenários de primeiro turno — um deles com Pablo Marçal (PRTB), inelegível por decisão da Justiça Eleitoral. No acumulado, o dólar cai 1,27% na semana, 0,96% no mês e 6,54% no ano; o Ibovespa sobe 5,40% na semana, 4,36% no mês e 14,91% no ano.

Payroll forte, Fed mais duro: por que o emprego americano mexe com o real

O relatório mensal de empregos dos Estados Unidos é o dado mais observado pelo mercado global porque orienta o Federal Reserve: emprego forte e desemprego baixo significam consumo aquecido e pressão inflacionária — e juros americanos mais altos por mais tempo. Em 2026, com a guerra contra o Irã encarecendo o petróleo e as tarifas elevando preços, o Fed já discutia interromper os cortes; 162 mil vagas contra 56 mil esperadas — quase o triplo — transformaram a discussão em possibilidade concreta de alta em setembro, algo que não acontecia desde 2023. Para o Brasil, juro americano mais alto significa dólar mais forte, menos fluxo para emergentes e menos espaço para o Banco Central cortar a Selic de 14%; daí a alta de 0,50% do dólar num dia sem notícia doméstica relevante. O contexto, porém, é de real valorizado: 6,54% de queda do dólar no ano, com o Ibovespa 15% acima de janeiro, impulsionado por commodities e pela rotação de investidores para fora dos Estados Unidos — movimento que um Fed mais duro pode frear, mas que a diferença de juros entre os dois países, de quase dez pontos, sustenta.

Para , editor do portal, o dia foi de ajuste, não de virada. "Dólar a 5,13 depois de cair 6,5% no ano é o real mais forte em muito tempo; Ibovespa a 185 mil com 5% de alta na semana é bolsa em máxima histórica. Um payroll forte nos Estados Unidos tira meio por cento do real e nada da bolsa — é ruído, não tendência. O que sustenta o Brasil em 2026 é o juro de 14% que atrai dólar, o petróleo caro que valoriza Petrobras e a saída de dinheiro dos Estados Unidos por causa de Trump. O que ameaça é o Fed subir juro e a eleição de outubro embaralhar. O Datafolha com Lula e Flávio empatados é o dado que o mercado leu com mais atenção — e não reagiu, porque ainda não sabe para que lado torcer", avalia.

162 mil vagas: o número que surpreendeu

A expectativa de 56 mil refletia a desaceleração vista no primeiro semestre, com tarifas e incerteza; o resultado de agosto — quase o triplo, com desemprego estável em 4,1% — indica que a economia americana absorveu o choque tarifário e a guerra melhor do que se temia. Para o Fed, é argumento contra cortes e a favor de alta, se a inflação seguir acima da meta de 2%.

Fed em setembro: alta, pausa ou corte

A reunião do Federal Reserve na segunda quinzena de setembro decidirá entre manter a taxa, elevá-la para conter inflação de energia e tarifas, ou — cenário que perdeu força com o payroll — cortar; a pressão de Trump por juros baixos e a independência do Fed são o pano de fundo. O mercado precifica probabilidade maior de alta após os dados de sexta.

Datafolha: o que o mercado leu

A pesquisa encomendada por Globo e Folha testou dois cenários de primeiro turno — um com Pablo Marçal, inelegível — e confirmou o empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno apontado pelo agregador da BBC; para o mercado, a indefinição adia apostas em política fiscal e mantém o câmbio sensível a cada nova pesquisa até outubro.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o real forte tem explicação e tem prazo. "O dólar caiu 6,5% no ano porque o Brasil paga 14% e os Estados Unidos, com Trump brigando com o Fed e tarifa em tudo, deixaram de ser porto seguro — a Holanda tirou até o ouro de Nova York. Dinheiro veio para cá pelo juro e pelo petróleo. Isso dura enquanto o Fed não subir juro e enquanto o Brasil não assustar. O payroll de sexta é o primeiro aviso do Fed; o Datafolha empatado é o aviso do Brasil. Se os dois piorarem juntos — Fed subindo e eleição apertada com promessa de gasto —, o dólar volta a 5,50 em outubro. Por enquanto, 5,13 é bom para quem viaja e ruim para quem exporta", observa.

Real forte: quem ganha e quem perde

Um dólar 6,5% mais barato no ano beneficia importadores, empresas com dívida em moeda estrangeira, viajantes e o controle da inflação — combustíveis, trigo e eletrônicos ficam mais baratos em reais —, e prejudica exportadores de manufaturados, o agronegócio que vende em dólar e recebe em real, e a indústria que compete com importados; para o Banco Central, o câmbio valorizado é aliado no combate à inflação e argumento para seguir cortando a Selic com cautela. O equilíbrio é frágil: depende do juro alto que atrai capital e do petróleo caro que sustenta a Bolsa, e pode se inverter se o Fed subir juros ou se a eleição trouxer dúvida fiscal — cenários que o mercado passou a precificar depois do payroll.

Balança comercial de agosto: o tarifaço nos números

O governo divulgou à tarde a balança de agosto — o primeiro mês cheio com as tarifas americanas de 50% sobre parte das exportações brasileiras em pleno efeito —; o mercado esperava queda nas vendas aos Estados Unidos, compensada por China e outros destinos. O dado, junto com a reação do dólar, indica quanto o tarifaço pesa na conta externa.

Ibovespa em máxima: quem sobe

Com 14,91% no ano e 5,40% na semana, o índice é puxado por Petrobras e Vale, beneficiadas pelo petróleo e pelo minério, e por bancos; a alta de quarta-feira, de 3,05%, foi uma das maiores do ano. A pessoa física, como mostrou a Anbima, ficou de fora — a alta é de estrangeiros e institucionais.

Taxa das blusinhas e IBGE: os fatos domésticos

O fim do imposto sobre compras internacionais de até US$ 50, aprovado na quinta, teve efeito nulo no câmbio e negativo para varejistas na bolsa; a pesquisa do IBGE sobre trabalho por aplicativo — 905 mil motoristas, 405 mil motociclistas, baixa cobertura previdenciária — é dado social, sem impacto de mercado, mas com peso eleitoral.

Feriado de 7 de Setembro: a semana curta

Com a segunda-feira sem pregão, o mercado fechou posições na sexta; a próxima semana terá o IPCA de agosto, a decisão do Fed se aproximando e novas pesquisas eleitorais. O quinto dia útil, que cai no sábado, não altera pagamentos, como registrou a Folha.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o fechamento de sexta resume o momento. "Bolsa em recorde, dólar em baixa no ano, juro de 14% — o Brasil está caro para o estrangeiro e barato para quem tem dinheiro aqui. É a foto de setembro de 2026. O filme depende de dois personagens que o país não controla: o Fed e o eleitor. O payroll disse que o primeiro pode endurecer; o Datafolha disse que o segundo está dividido. O portal registra os números e recomenda cautela: 5,13 é preço de véspera de feriado, não de véspera de eleição", analisa.

O fechamento do dólar a R$ 5,1300 e do Ibovespa aos 185.147 pontos em 4 de setembro de 2026 foi noticiado pelo G1; o relatório de empregos dos Estados Unidos mostrou a criação de 162 mil vagas em agosto, contra expectativa de 56 mil, e a taxa de desemprego em 4,1%.

Fontes e referências

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