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Finanças

Revolut obtém aprovação provisória para operar como banco completo nos Estados Unidos

Licença plena permitirá depósitos segurados sem bancos parceiros; autorização britânica completa só veio em março, após anos de análise.

Capa do artigo Revolut obtém aprovação provisória para operar como banco completo nos Estados Unidos
— Foto: Filippos Fragkogiannis / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Revolut obtém aprovação provisória para operar como banco completo nos Estados Unidos: fintech mais valiosa da Europa recebe do OCC a licença preliminar nacional, ainda depende de FDIC e do Fed, e planeja começar a operar no primeiro semestre de 2027, com expatriados como público inicial e a conta multimoedas como produto principal — "base para construir no maior mercado financeiro do mundo", diz Nik Storonsky

A Revolut obteve aprovação provisória para operar como banco completo nos Estados Unidos — marco para a fintech mais valiosa da Europa, que busca expandir sua atuação no lucrativo mercado americano. O Office of the Comptroller of the Currency, o OCC, concedeu à empresa aprovação preliminar para uma licença bancária nacional na quarta-feira (2 de setembro), segundo documentos públicos. Uma vez plenamente autorizada, a licença permitirá ao grupo sediado em Londres oferecer depósitos segurados a clientes americanos, sem precisar recorrer a bancos parceiros regulados para prestar serviços bancários. As informações são da Folha.

O cofundador e presidente-executivo, Nik Storonsky, afirmou que a aprovação "é um primeiro passo importante", que dá à empresa a "base para construir no maior mercado financeiro do mundo e levar a experiência completa da Revolut a milhões de americanos". A fintech há muito planejava avançar nos Estados Unidos, mas foi prejudicada por atrasos na aprovação de sua licença bancária completa no Reino Unido — concedida em março, após processo de vários anos com a Autoridade de Regulação Prudencial, braço do Banco da Inglaterra — e só solicitou a licença americana em março; ainda aguarda aprovação da Corporação Federal de Seguro de Depósitos, a FDIC, e do Federal Reserve, além da autorização definitiva do OCC. O presidente-executivo da Revolut nos Estados Unidos, Cetin Duransoy, disse ao Financial Times que o banco espera iniciar operações no país no primeiro semestre de 2027, inicialmente com expatriados como público-alvo e o "serviço bancário em múltiplas moedas" como produto principal; planeja oferecer contas correntes e de poupança, crédito, empréstimos parcelados e cartões, e acrescentar stablecoins e serviços para empresas ao longo do tempo. Hipotecas não constam do plano de três anos apresentado aos reguladores e ficarão para depois, após testes em outros mercados.

Quem é a Revolut — e por que a licença importa

Fundada em Londres em 2015 por Nik Storonsky e Vlad Yatsenko como cartão de viagem sem taxas de câmbio, a Revolut cresceu para mais de 60 milhões de clientes em 40 países, com contas em dezenas de moedas, corretagem de ações e cripto, seguros e crédito, e tornou-se a fintech mais valiosa da Europa, avaliada em dezenas de bilhões de dólares em rodadas recentes; operou por anos como instituição de pagamento, dependendo de bancos licenciados para guardar depósitos e emitir cartões, e passou quase quatro anos esperando a licença bancária britânica — concedida com restrições em 2024 e plenamente em março de 2026. Nos Estados Unidos, onde já oferece serviços em parceria com bancos regionais, a licença nacional do OCC é a porta para o modelo completo: depósitos segurados pela FDIC, crédito com balanço próprio e produtos sem intermediário. É a mesma trajetória que o Nubank persegue nos Estados Unidos e no México — e que poucas fintechs estrangeiras concluíram no sistema americano, notoriamente exigente com bancos novos.

Para , editor do portal, a aprovação diz mais sobre o regulador do que sobre a fintech. "O OCC de Trump está liberando licenças que o OCC de Biden segurava — para fintechs, para empresas de cripto, para bancos digitais estrangeiros. A Revolut esperou quatro anos no Reino Unido e recebeu a aprovação preliminar americana em seis meses. É o clima: Washington quer competição no varejo bancário e quer stablecoins dentro do sistema, e a Revolut oferece as duas. Para o brasileiro, a comparação é o Nubank, que comprou um banco nos Estados Unidos para acelerar o mesmo caminho. Em 2027, os dois maiores bancos digitais do mundo — um brasileiro, um britânico — vão disputar o expatriado em Nova York e Miami. Quem ganha é quem mora fora e paga tarifa de câmbio hoje", avalia.

OCC, FDIC e Fed: as três aprovações

O Gabinete do Controlador da Moeda licencia bancos nacionais e deu a aprovação preliminar — condicionada a capital, governança e sistemas —; a FDIC precisa aceitar segurar os depósitos até US$ 250 mil por cliente; o Federal Reserve precisa aprovar a holding e supervisioná-la. Cada etapa leva meses, e a Revolut estima concluir tudo a tempo de operar no primeiro semestre de 2027.

Expatriados e multimoedas: a estratégia de entrada

Milhões de estrangeiros nos Estados Unidos — europeus, latino-americanos, asiáticos — mantêm contas em dois países e pagam caro por câmbio e transferências; a Revolut nasceu para esse público e o usará como cabeça de ponte, oferecendo conta em dólar, euro, libra e outras moedas com conversão à taxa interbancária. É nicho antes de ser massa — a mesma lógica com que entrou no Reino Unido.

Stablecoins: o produto que Washington quer

A lei americana de stablecoins de 2025 criou regras para moedas digitais lastreadas em dólar emitidas por bancos e instituições licenciadas; a Revolut planeja oferecê-las a clientes americanos, o que exige a licença bancária. É um dos motivos do interesse do OCC — e um diferencial frente a bancos tradicionais.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o caso Revolut ilumina a disputa de modelos. "Reino Unido: quatro anos para dar licença, com restrição de depósitos e exigência de capital. Estados Unidos: seis meses para a preliminar, com stablecoin no pacote. Brasil: o Nubank virou banco em 2021 e hoje tem 100 milhões de clientes, sob regulação do BC que abriu o setor. A Revolut é o teste de qual modelo produz banco digital global — e a resposta parece ser que a regulação lenta protege incumbentes e a rápida cria concorrentes. Para o consumidor americano, que paga tarifas altas em bancos tradicionais, um Revolut com FDIC é boa notícia. Para o sistema, é mais um banco que cresce rápido sob supervisão que ainda aprende a acompanhá-lo", observa.

Nubank, Revolut, N26: a corrida dos bancos digitais globais

O Nubank, com mais de 100 milhões de clientes no Brasil, no México e na Colômbia, obteve licença bancária no México em 2025 e comprou um banco nos Estados Unidos para acelerar a entrada; o alemão N26 recuou do mercado americano em 2022; a Revolut aposta na licença própria. Os três disputam o mesmo público — jovem, digital, com vida financeira em mais de um país.

A licença britânica: quatro anos de espera

A Revolut pediu a licença ao Banco da Inglaterra em 2021 e a recebeu com restrições em julho de 2024, após questionamentos sobre controles internos, auditoria e cultura; a autorização plena veio em março de 2026. O atraso adiou a expansão americana — e a aprovação preliminar do OCC, seis meses depois do pedido, contrasta com a lentidão britânica.

O que a Revolut já faz nos Estados Unidos

Desde 2020, oferece conta e cartão em parceria com bancos regionais — modelo "banking as a service" —, com poucos milhões de clientes; a licença própria elimina o intermediário, reduz custos e permite crédito. A operação americana é pequena em relação à europeia e é a aposta de crescimento da década.

Hipotecas: o que fica para depois

O plano de três anos apresentado aos reguladores exclui hipotecas — produto de longo prazo, com exigências de capital e risco de crédito que a empresa prefere testar antes em mercados europeus, onde lançou financiamento imobiliário em 2025. Nos Estados Unidos, o mercado de hipotecas é dominado por bancos e agências governamentais.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a notícia deve ser lida por quem tem conta no exterior. "Brasileiro em Miami, em Orlando, em Boston paga tarifa de manutenção, tarifa de câmbio e spread para mandar dinheiro à família. A Revolut chega em 2027 com conta multimoedas e FDIC; o Nubank chega pelo mesmo caminho. É concorrência que o banco americano tradicional nunca teve nesse público — e que o brasileiro, acostumado ao Pix e ao banco digital, vai reconhecer na hora. A licença provisória é papel; o efeito, quando vier, é tarifa menor para quem vive entre dois países", analisa.

A aprovação preliminar do OCC para a licença bancária nacional da Revolut nos Estados Unidos foi concedida em 2 de setembro de 2026 e noticiada pela Folha em 3 de setembro; a empresa espera iniciar operações no país no primeiro semestre de 2027, segundo o Financial Times.

Fontes e referências

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