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Desastres

Terremoto de magnitude 5 atinge o Tibete, a 10 quilômetros de profundidade

O tremor de quinta em Xizang foi seguido por um de 4,8 em Sichuan, sem vítimas, longe da área das enchentes; autoridades chinesas alertam que o lago formado pelo colapso da geleira pode romper.

Capa do artigo Terremoto de magnitude 5 atinge o Tibete, a 10 quilômetros de profundidade
— Foto: Tenace10 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Terremoto de magnitude 5 atinge o Tibete, a 10 quilômetros de profundidade, uma semana depois da avalanche histórica na fronteira com o Nepal — e agências revisam a causa do desastre de 26 de agosto: o sinal registrado pelos sismógrafos não foi um abalo sísmico, mas o colapso de uma geleira, cuja massa de gelo, rochas e detritos descendo a montanha liberou energia equivalente a magnitude 5,2 e provocou as enchentes que deixaram ao menos 1.252 mortos e 4.216 desaparecidos no Nepal, além de 21 mortos e 541 desaparecidos na China

Um terremoto de magnitude 5 atingiu o Tibete, na China, na quinta-feira (3 de setembro), informou o Centro Alemão de Pesquisa em Geociências, o GFZ; segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o USGS, o epicentro foi na região de Xizang, no oeste chinês, próximo à fronteira com a Índia. Um segundo abalo, de magnitude 4,8, foi registrado horas depois, às 8h39, na cidade de Mianyang, na região de Sichuan, também no planalto tibetano, informou o Centro de Redes Sismológicas da China. As informações são do G1.

Segundo o instituto alemão, o primeiro tremor ocorreu a 10 quilômetros de profundidade, atingindo a encosta de uma montanha na cordilheira do Himalaia às 2h16 pelo horário de Brasília; até a última atualização, não havia informações sobre vítimas ou danos, e o terremoto não fica próximo de onde ocorreram as enchentes da semana passada, na fronteira entre o Tibete e o Nepal. O desastre iniciado na quarta-feira anterior (26 de agosto) deixou ao menos 1.252 mortos e 4.216 desaparecidos no Nepal; do lado chinês, foram 21 vítimas fatais e 541 paradeiros desconhecidos. Logo após o desabamento, especialistas notificaram que um lago formado após o colapso da geleira poderia se romper nos dias seguintes e provocar novas avalanches — alerta divulgado pelo Times of India com base em autoridades chinesas. À época, agências de monitoramento chegaram a informar que as enchentes no Nepal haviam sido desencadeadas por um terremoto: o USGS registrou inicialmente um evento sísmico de magnitude 4,4 na fronteira; após análise mais detalhada de estações sísmicas, ondas de baixa frequência e imagens de satélite, porém, o órgão revisou a avaliação e afirmou que não houve abalo sísmico — o sinal detectado pelos sismógrafos foi causado pelo colapso de uma geleira e pelo enorme fluxo de gelo, rochas e detritos que desceu montanha abaixo; o USGS atualizou o evento para magnitude equivalente a 5,2 e concluiu que a energia registrada foi produzida pelo deslizamento da massa de gelo, responsável pelas enchentes.

Quando a geleira cai como um terremoto: o Himalaia em derretimento e o desastre que a ciência demorou a entender

A revisão do USGS transforma a tragédia do Nepal de evento geológico em evento climático: o que os sismógrafos do mundo inteiro registraram na madrugada de 26 de agosto como um tremor de 4,4 — depois recalculado para energia equivalente a 5,2 — foi o som de uma geleira do Himalaia se desprendendo da montanha e descendo o vale como uma avalanche de gelo, rocha e lama, represando e depois liberando lagos glaciais que varreram o vale do Trishuli, no Nepal, e áreas do Tibete, com mais de 1.250 mortos confirmados, mais de 4.700 desaparecidos nos dois países e túneis de hidrelétricas soterrados dos quais resgates ainda retiram sobreviventes dez dias depois; o fenômeno — "glacial lake outburst flood", ou GLOF, e o colapso de geleiras suspensas — é a assinatura do aquecimento no teto do mundo, onde as temperaturas sobem duas vezes mais rápido que a média global, as geleiras perderam um terço da massa em décadas e milhares de lagos glaciais crescem represados por morenas instáveis, prontos a romper a cada monção mais intensa ou onda de calor. A confusão inicial das agências — terremoto ou geleira — tem precedente: em 2021, o colapso de uma geleira em Chamoli, na Índia, matou mais de 200 pessoas e também foi lido inicialmente como abalo sísmico, e o Himalaia oriental, entre Nepal, Tibete, Butão e Índia, é considerado pela ONU a região de maior risco de GLOFs do planeta; os terremotos de quinta — 5,0 em Xizang e 4,8 em Sichuan, reais, sem vítimas e distantes do vale devastado — são a lembrança de que a cordilheira mais alta do mundo é também a mais sismicamente ativa, e de que um tremor forte sobre encostas encharcadas e lagos glaciais represados é o cenário que os cientistas mais temem. O alerta sobre o lago formado após o colapso, que pode romper e gerar nova avalanche, mantém as equipes de resgate — nepalesas, indianas, chinesas e sul-coreanas — sob risco enquanto escavam; e o balanço, que cresce a cada dia, coloca o desastre entre os maiores do Himalaia, ao lado do terremoto de 2015. Para o Brasil, que assiste de longe, a lição é a que o ONS, a OMM e o Pnuma repetiram nesta semana: o clima já ultrapassou o limite, e o gelo que cai no Nepal, a seca que seca a Amazônia e o tufão que mata na China são o mesmo fenômeno em escala planetária.

Para , editor do portal, a correção do USGS é a notícia dentro da notícia. "Não foi terremoto; foi uma geleira caindo com a força de um. Mais de 1.250 mortos, quase 5 mil desaparecidos, e a causa é o gelo que derrete no teto do mundo porque o planeta esquentou. É a diferença entre desastre natural e desastre climático — o primeiro sempre existiu, o segundo é obra nossa. O Himalaia tem milhares de lagos glaciais represados por barragens de pedra solta; cada monção mais forte, cada onda de calor, é um gatilho. E agora dois terremotos reais na mesma cordilheira, uma semana depois, com um lago novo que pode romper. O portal registra o Nepal esquecido e a revisão da ciência, e conecta com o relatório do Pnuma desta semana: o overshoot não é conceito — é uma geleira caindo sobre um vale de hidrelétricas", avalia.

Os terremotos de quinta: Xizang e Sichuan

Magnitude 5,0 na região de Xizang, perto da fronteira com a Índia, a 10 quilômetros de profundidade, às 2h16 de Brasília; magnitude 4,8 em Mianyang, Sichuan, às 8h39; sem vítimas ou danos informados; ambos distantes do vale atingido pelas enchentes de 26 de agosto — abalos reais, registrados por GFZ, USGS e pelo centro sismológico chinês.

A revisão do USGS: de 4,4 a "não houve terremoto"

Análise de estações sísmicas, ondas de baixa frequência e imagens de satélite levou o serviço geológico americano a concluir que o sinal de 26 de agosto foi produzido pelo colapso de uma geleira e pelo fluxo de gelo e detritos, com energia equivalente a magnitude 5,2 — e não por ruptura de falha; a enchente foi consequência direta do deslizamento.

O balanço: 1.252 mortos, 4.216 desaparecidos no Nepal

Do lado nepalês, ao menos 1.252 mortos e 4.216 desaparecidos; do chinês, 21 mortos e 541 desaparecidos; vilas soterradas, estradas destruídas, túneis de hidrelétricas do vale do Trishuli invadidos pela lama; resgates internacionais seguem, com sobreviventes encontrados dez dias depois — exceções num balanço que ainda cresce.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o lago glacial é a ameaça que ninguém consegue afastar. "Quando a geleira caiu, represou água atrás de pedra e gelo instáveis; se romper, é outra onda sobre o mesmo vale, sobre as equipes que escavam túneis. Os chineses avisaram; ninguém pode drenar um lago a 4 mil metros em dias. É o Himalaia de 2026: derretendo, tremendo, represando. O portal registra a revisão do USGS — geleira, não terremoto — como o dado científico mais importante da semana, porque muda a pergunta: não é 'quando vai tremer de novo', é 'quantas geleiras ainda vão cair'. E a resposta depende do que o mundo faz com o carbono, não com os sismógrafos", observa.

GLOF: as enchentes de lago glacial

Lagos formados pelo derretimento de geleiras, represados por morenas de pedra e gelo, rompem-se com chuva intensa, calor ou colapso de geleira acima, liberando milhões de metros cúbicos de água e detritos em minutos; o Himalaia tem milhares deles, e a ONU classifica a região como a de maior risco global; o Nepal de 2026 é o exemplo mais letal.

Chamoli 2021: o precedente

Em fevereiro de 2021, o colapso de uma geleira em Uttarakhand, na Índia, matou mais de 200 pessoas e destruiu duas hidrelétricas; também foi lido inicialmente como evento sísmico; a semelhança com o Nepal — geleira, vale de usinas, túneis soterrados — mostra o padrão de um Himalaia que derrete sobre infraestrutura construída em seus vales.

O Himalaia e o aquecimento: duas vezes mais rápido

As temperaturas na cordilheira sobem cerca de duas vezes mais que a média global; as geleiras perderam até um terço da massa em décadas e podem perder dois terços até 2100; o derretimento alimenta lagos, desestabiliza encostas e ameaça as fontes de água de 2 bilhões de pessoas na Ásia — o contexto do desastre nepalês.

Resgates sob risco: túneis, lama e o lago que pode romper

Equipes do Nepal, da Índia, da China e da Coreia do Sul escavam túneis das hidrelétricas Trishuli e vilas soterradas, com sobreviventes resgatados até dez dias depois; o lago formado pelo colapso da geleira, monitorado por satélite, é a ameaça sobre as operações — e sobre o que restou do vale.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a notícia deveria ser lida ao lado das outras da semana sobre clima. "Geleira que cai como terremoto no Nepal, tufão que mata no interior da China, seca que dobra o preço do tucumã em Manaus, ONS temendo térmicas no Sudeste, Pnuma dizendo que 1,5 grau já era — é tudo a mesma semana e o mesmo planeta. O portal registra os 1.252 mortos e os 4.216 desaparecidos como o custo humano de um número que parece abstrato até virar avalanche. E lembra que o Brasil, com Amazônia e semiárido, tem seus próprios lagos represados por decisões adiadas", analisa.

Os terremotos de magnitude 5,0 no Tibete e 4,8 em Sichuan, registrados em 3 de setembro de 2026 e noticiados pelo G1, ocorreram uma semana após o desastre de 26 de agosto na fronteira entre o Tibete e o Nepal, cuja causa o Serviço Geológico dos Estados Unidos revisou: não um terremoto, mas o colapso de uma geleira, com energia equivalente a magnitude 5,2; o balanço é de ao menos 1.252 mortos e 4.216 desaparecidos no Nepal e 21 mortos e 541 desaparecidos na China.

Fontes e referências

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